SINOPSE: “Em um futuro não muito distante, um simples procedimento cirúrgico é capaz de aumentar a empatia entre os casais, e ele está cada vez mais na moda. Por isso, Briddey Flannigan fica contente quando seu namorado, Trent, sugere que eles façam a cirurgia antes de se casarem — a ideia é que eles desfrutem de uma conexão emocional ainda maior, e que o relacionamento fique ainda mais completo. Bem, essa é a ideia. Mas as coisas acabam não acontecendo como o planejado: Briddey acaba se conectando com outra pessoa, totalmente inesperada. Conforme a situação vai saindo do controle, Briddey percebe que nem sempre muita informação é o melhor, e que o amor — e a comunicação — são bem mais complicados do que ela esperava.”
RESENHA: O livro Interferências da Connie Willis me encontrou de forma despretensiosa; era mais uma cortesia da editora Suma – que por sinal está de parabéns, não preciso dizer muito porque todos nós conhecemos a qualidade da editora – que chegou até mim em meio a tantos outros livros. Olhei para a lista de leitura e pensei: Por que não? Fui lá, peguei Interferências e comecei a mastigá-lo.
A princípio o livro é um romance clichê que fará você odiá-lo em poucas páginas, uma causa primária inegável, até você passar pouco mais da metade.
O livro transborda alfinetadas agudas aos relacionamentos modernos, com personagens detalhados e bem desenvolvidos, e o mais importante, críveis, apesar da temática ficcional.
A mensagem mais importante do livro é, sem sombra de dúvidas, a corrida dos procedimentos cirúrgicos para tornar a vida perfeita com uma estética surrealista, sem avaliar as consequências e/ou levar em considerações as variáveis dos resultados obtidos, vide tantas subcelebridades que se tornam personagens plásticos irreconhecíveis através de dezenas de procedimentos. Apesar do procedimento narrado no livro não ser estético corporal, o mesmo não deixa de ser a busca por uma estética perfeita.
“INTERFERÊNCIA
1. Ato ou efeito de interferir.
2. Rubrica: física: fenômeno que consiste na interação de movimentos ondulatórios com as mesmas frequência e amplitude e que mantêm entre si uma determinada diferença de fase, de tal modo que as oscilações de cada um deles se adicionam, formando uma onda resultante.
3. Rubrica: telecomunicações: qualquer energia não desejada que afete a recepção de sinais desejados; intromissão.
4. Derivação: por extensão de sentido. Rubrica: telecomunicações: distorção produzida na recepção destes sinais.”
Duas mensagens importantes sobre esse livro; primeiro: não o julgue pela sinopse, ela é ruim e não diz nada sobre Interferências – eu mesmo julguei o livro assim; segundo: se abra para a escrita de Connie, ela é habilidosa, apesar do jeito descontraído e quase desleixado, porém, a qualidade final do todo vale a pena à leitura.
Apesar de parecer um livro Chick-lit (ficção no universo feminino) o livro passa um pouco mais nas bordas ficcionais, com elementos que remetem a outras obras como Lágrimas na Chuva de Rosa Monteiro.
“A conectividade já está saindo por suas orelhas. Só que algumas pessoas acabam conectadas demais, entende, principalmente quando se trata de relacionamentos. Relacionamentos precisam de menos comunicação, e não de mais.”
SOBRE OS PERSONAGENS: Aqui vou destacar apenas o personagem feminino, Briddey, que possui uma visão de mundo extraordinária, diga-se de passagem, e que traz velocidade e dinamismo ao livro. Com diálogos elaborados e transcendendo referências pop e geek (mundos não tão distintos, né, galera?), além de ser bate-e-volta. A personagem é muito bem desenvolvida, forte e determinada. Importante para nosso momento delicado atual.
SOBRE O GÊNERO DO LIVRO: Confesso que não consigo determinar o gênero específico do livro, se fosse escolher um, seria ficção científica, no entanto, Connie vaga por quase todos os temas, suspense, romance, drama, espionagem, até mesmo os clichês de filmes do Telecine.
“Vocês, moças, não deveriam querer um homem que é 'compatível', mas um que estará ao seu lado quando precisarem dele.”
Vocês perceberão que deixei alguns assuntos de fora da resenha. Fiz isso pois acredito que alguns pontos são um pouco mais aprofundados e não caberiam aqui de forma superficial. Por exemplo, o livro trata sobre como lidamos com o excesso de informações e esse é um dos pontos altos do livro, não quero estragar o desbravamento de vocês. Assim como o assunto “telepatia” que, por sinal, é utilizado de forma magnífica na obra.
Confesso que me surpreendi com o livro, e apesar de ter tido alguns percalços durante a leitura, o livro me agradou e satisfez meus desejos profundos de leitor. Não é um livro que eu leria novamente, porém, é um livro que eu indico para amigos. Vale destacar que Connie Willis é vencedora de vários prêmios Hugo Award, para quem não sabe é o maior prêmio de ficção científica da literatura mundial.
Sobre a edição: A edição da Suma é simples, porém, muito bem feita. O papel é de qualidade e a capa muito bonita. É um livro de destaque na prateleira.
Título: Interferências (exemplar cedido pela editora)
Autora: Connie Willis
Editora: Suma de Letras
Páginas: 464
Ano: 2018

