“...preparando-se para o inferno...”
Aviso: essa obra contém cenas de abuso que podem gerar gatilhos.
Ana Schutz, criada a vida toda debaixo da asa do pai pastor, é forçada a casar com um homem grotesco e rude que apenas a maltrata e a proíbe de tudo, obrigando a viver uma vida regrada, sem divertimentos e infeliz. Até que certo dia, Ana faz uma amizade diferente e coisas novas começam a acontecer em sua vida. Coisas estranhas. Coisas...sombrias.
No século XIX, as mulheres eram obrigadas a se casar para poder viver. Da subserviência ao pai, depois o casamento. E ao seu marido, ela deveria se manter fiel e até o seu casamento, virgem e pura. Enquanto ao homem? Nada disso era exigido. Pelo contrário. Trair atestava sua virilidade. Era mal visto uma mulher sair à rua a noite, - a não ser que a ida fosse à Igreja -. Ter uma amiga? Jamais. Tudo o que a mulher fazia deveria ser acompanhado. Era tudo regrado. Não era vida. E tudo deveria ser feito apenas para prazer de seu homem, não importa o quanto fosse horrível ou infeliz. Era realmente uma condição obscura e depressiva.
“A luz do lampião projetou sombras disformes na parede, como uma dança macabra no interior de uma primitiva caverna. Anna sentiu como se houvesse outras pessoas no quarto, mas não havia ninguém. Um dia, talvez, ela tomasse as rédeas de sua propria vida, mas não seria naquela noite. Naquela noite ela estava sozinha, como sempre estivera até então.”
Em A Floresta, o autor Daniel Gruber não economizou em nos demonstrar esse abuso sofrido pelas mulheres. De uma maneira bem perturbadora e triste, ele nos traz a verdade nua e crua para que fique grudada em nossas cabeças e percorra em nossas mentes. Cada capítulo, uma agonia diferente que te mantém preso e inerte na história querendo apenas terminar e torcendo por uma vingança e ao mesmo tempo, com calafrios da floresta que rodeia a história. Afinal, qual é o mistério envolta de tudo isso? Não consegui distinguir o que foi maior. A agonia ou a curiosidade.
Neste folk horror temos o terror sombrio e fascinante, a amizade, a vingança, o mistério, o ocultismo, dentre outras experiências viciantes a espreita.
Se eu recomendo? Acho que estou sem palavras para dizer o quanto amei esse livro. Traz tantas reflexões, tanta história, arte, engenho... coisas que necessitam serem analisadas cuidadosamente. Apenas aviso que é cruel. Sabendo disso, vá fundo e entre na floresta, mas... “Se você entrar na floresta, a floresta entrará em você.”


