Resenha: A Floresta

Por Giovanna Prates •
30 outubro 2020

“...preparando-se para o inferno...” 
Aviso: essa obra contém cenas de abuso que podem gerar gatilhos.

Ana Schutz, criada a vida toda debaixo da asa do pai pastor, é forçada a casar com um homem grotesco e rude que apenas a maltrata e a proíbe de tudo, obrigando a viver uma vida regrada, sem divertimentos e infeliz. Até que certo dia, Ana faz uma amizade diferente e coisas novas começam a acontecer em sua vida. Coisas estranhas. Coisas...sombrias. 

No século XIX, as mulheres eram obrigadas a se casar para poder viver. Da subserviência ao pai, depois o casamento. E ao seu marido, ela deveria se manter fiel e até o seu casamento, virgem e pura. Enquanto ao homem? Nada disso era exigido. Pelo contrário. Trair atestava sua virilidade. Era mal visto uma mulher sair à rua a noite, - a não ser que a ida fosse à Igreja -. Ter uma amiga? Jamais. Tudo o que a mulher fazia deveria ser acompanhado. Era tudo regrado. Não era vida. E tudo deveria ser feito apenas para prazer de seu homem, não importa o quanto fosse horrível ou infeliz. Era realmente uma condição obscura e depressiva. 
“A luz do lampião projetou sombras disformes na parede, como uma dança macabra no interior de uma primitiva caverna. Anna sentiu como se houvesse outras pessoas no quarto, mas não havia ninguém. Um dia, talvez, ela tomasse as rédeas de sua propria vida, mas não seria naquela noite. Naquela noite ela estava sozinha, como sempre estivera até então.” 

Em A Floresta, o autor Daniel Gruber não economizou em nos demonstrar esse abuso sofrido pelas mulheres. De uma maneira bem perturbadora e triste, ele nos traz a verdade nua e crua para que fique grudada em nossas cabeças e percorra em nossas mentes. Cada capítulo, uma agonia diferente que te mantém preso e inerte na história querendo apenas terminar e torcendo por uma vingança e ao mesmo tempo, com calafrios da floresta que rodeia a história. Afinal, qual é o mistério envolta de tudo isso? Não consegui distinguir o que foi maior. A agonia ou a curiosidade. 

Neste folk horror temos o terror sombrio e fascinante, a amizade, a vingança, o mistério, o ocultismo, dentre outras experiências viciantes a espreita.

Se eu recomendo? Acho que estou sem palavras para dizer o quanto amei esse livro. Traz tantas reflexões, tanta história, arte, engenho... coisas que necessitam serem analisadas cuidadosamente. Apenas aviso que é cruel. Sabendo disso, vá fundo e entre na floresta, mas... “Se você entrar na floresta, a floresta entrará em você.”


Título: A Floresta
Autor: Daniel Gruber
Editora: Livro Independente
Páginas: 166
Ano: 2020
Compre: aqui

Comentários via Facebook

9 Revelaram sentimentos:

  1. Oi, Giovanna
    A trama é trevosa e parece que envolve o leitor de tal maneira que pode ser lido em algumas horas.
    Genial o autor trazer essa triste realidade das mulheres nesse tom sombrio.
    Claro que estou curiosa para ler, beijos.

    ResponderExcluir
  2. Nada mais gostoso do que uma resenha pesadinha pra quase fechar Outubro trevoso. Que mês lindo de ser acompanhado rs
    Ainda não conhecia o livro,mas nele tudo já é tão sombrio, até o título!
    Amo nossa literatura nacional e olha aí a prova de que temos coisa boa demais.
    As mulheres sempre estiveram abaixo, fato.
    Já preciso do livro!!!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na flor

    ResponderExcluir
  3. Que triste e inaceitavel essa crueldade contra as mulheres .
    Como náo sou fa desse genero deixo passar a dica .

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Eliane.
      Sim, muito triste, e extremamente inaceitável. Mas infelizmente aconteceu há muito tempo. E ainda acontece em alguns lugares e culturas. Ler esse livro foi um lembrete cruel de que foi real e uma lição para que possamos lutar contra isso. Acho uma leitura bem importante. E ótima para quem gosta do gênero folk horror. Espero que dê uma chance!!!

      Excluir
  4. Oi, Giovanna!

    Acredito que esse seja um daqueles livros que você olha a quantidade de páginas, capa, sinopse e não dá nada pra ele, né? Eu gosto de boas surpresas assim. O tema que ele aborda é bem forte e dependendo do que o leitor está vivenciando (principalmente se for uma mulher), pode até ser um gatilho. Mas assim, são assuntos que precisam ser abordados, porque é um tema real na vida de muitas mulheres.

    ResponderExcluir
  5. Oi, Giovanna
    Nossa, o livro parece ser angustiante, mas também muito interessante.
    Trazendo uma realidade dura e sombria, com muitos mistérios.
    Vou querer ler sim!
    Bjs

    ResponderExcluir
  6. Giovanna!
    Precisamos ler livros do gênero para poder valorizar ainda mais toda liberdade de expressão e vontade que temos hoje em dia.
    Nem imagino como deve ter sido o que essas mulheres passaram, devem ter sofrido demais.
    cheirinhos
    Rudy

    ResponderExcluir
  7. Olá! Nossa que o livro mesmo sendo ficção e se passando lá no XIX, bem que poderia (infelizmente) estar narrando a realidade de muitas mulheres nos dias de hoje, com certeza espero poder conferir essa história muito em breve.

    ResponderExcluir
  8. Só de ler a resenha, que está ótima por sinal, senti muita tristeza por Ana e todas as Anas reais até já existiram e ainda existem.

    ResponderExcluir

Gostou da postagem? Deixe um comentário. Se não gostou, comente também e deixe a sua opinião.
Se tiver um blog deixe o endereço e retribuiremos a visita.
Aproveite e se inscreva nas promoções e concorra a diversos prêmios.

Instagram

© Revelando Sentimentos | Resenhas de livros – Tema desenvolvido com por Iunique - Temas.in