A maioria das pessoas tem a ideia de que “Fulano é inteligente, Sicrano também, Beltrano não”. Mas dificilmente questionam se inteligência não pode ser exercitada, aprendida. Mudar isso, alertar da importância de desenvolver o cérebro e ensinar como fazê-lo é justamente a proposta do livro Aprendendo Inteligência, de Perluigi Piazzi.
Este é o primeiro volume da Coleção Neuroaprendizagem, escrita pelo prof. Pier, como era conhecido o autor, e lançada pela editora da qual foi co-fundador.
O autor parte dos conhecimentos adquiridos em anos lecionando em cursinhos e com o trabalho com programação para ensinar os caminhos da inteligência através da reflexão sobre atos e atitudes do dia a dia. Com uma linguagem extremamente simples, lança mão de conceitos de neurociência e informática, para passar como se dá o processo de registro de informação no córtex, o nosso HD. E, por mais que possa parecer, não trata o assunto de modo científico, mas sim de modo mais prático.
Dividido em duas partes, o livro apresenta reflexões acerca da importância de estudar, a maneira, o momento e por quanto tempo fazê-lo, bem como sobre hábitos que fazem alguém mais inteligente e aqueles que a embotam.
Caro leitor, talvez você se surpreenda sobre algumas concepções que tem sobre aprendizagem, principalmente se você for daquelas pessoas que estudam muito e acredita que na véspera da prova é o melhor a se fazer. Por outro lado, não ficará em nada surpreso com a opinião do autor sobre a leitura; por certo – considerando que lê esse blog – já conheça os benefícios dessa construtora prática.
Sobre a edição:
Além de diagramação perfeita e revisão impecável, o livro é composto por imagens ilustrativas e explicativas e de testes de aprendizagem.
É uma leitura que recomendo a todos e que provavelmente faz diferença na vida de quem dela desfruta, por permitir-lhe uma visão crítica sobre o tratamento dado ao cérebro e ao processo de aprendizagem, questionando sobretudo a ideia de estudar para tirar boa nota.
Quotes:
“Se você lê este livro até o fim, tentando entender e utilizar os conceitos que nele são apresentados, talvez não encontre o caminho correto para sua vida profissional, porém uma coisa eu garanto: vai se tornar, com o passar dos anos, cada vez mais... inteligente!” (p. 22)
“O que torna o sistema educacional brasileiro tão catastrófico (é um dos piores do mundo!) é o fato de a maioria das escolas ser ineficientemente burocratizada – elas não se preocupam em ensinar seus alunos a realmente aprender, ou seja, em armazenar o conhecimento de forma permanente” (p. 30)
“O bom professor não dá aula para fazer o aluno aprender. Ele dá aula para fazer o aluno entender a matéria e, principalmente, para fazê-lo gostar do que está sendo apresentado” (p. 61)
“A frase mais catastrófica que um professor pode pronunciar é: ‘Preste atenção que isso cai na prova!’. Você está na escola para aprender e não para tirar nota e passar de ano” (p. 93)
“Só escreve bem quem lê bem e só lê bem quem lê muito e só lê muito quem lê por prazer” (p. 112)






