A Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, realizada neste ano, de 25 a 29 de julho, consiste em palestras e debates sobre assuntos literários.
Sua primeira edição foi em 2003 e a relevância deste evento ao longo dos anos só tem aumentado. A cidade histórica e linda de Paraty se transforma na cidade da literatura. A cada ano um autor nacional é homenageado. Neste ano a homenageada foi a poeta, cronista, ficcionista e dramaturga Hilda Hilst.
A Flip 2018 reuniu 33 autores e autoras em seu programa principal –17 mulheres e 16 homens. Entre poetas, romancistas, contistas, historiadores; atrizes, cineasta e compositores. Uma programação plural e multicultural dividida entre 18 mesas ao longo dos 5 dias de evento. .
Infelizmente o valor da programação oficial não foi tão acessível assim: 55 reais por ingresso para cada uma das mesas. Se não fosse a programação paralela e gratuita das casas parceiras, e o telão que exibia as mesas na praça, a Flip poderia ter se tornado um evento excludente e inacessível. .
Mas para alegria de nós leitores, além da programação principal, a Flip 2018 reuniu mais de 20 casas espalhadas pelo Centro de Paraty que ofereceram um programação alternativa e gratuita. Separamos para vocês um pouquinho do que rolou por lá e o que conseguimos conferir! .
⛵ Às margens do cais de Paraty estava ancorado o Barco Flipei, um dos locais que aconteceram os debates mais politizados e vívidos de toda a Flip. Foi lá que participamos da mesa: "Rio Colapsado; intervenção para quê".
A Amazon, em parceria com a Casa Santa Rita de Cassia, abriu às portas para os bate papos informais entre autores e leitores. Um dos eventos foi: "O processo da escrita, construção de personagens e histórias", com André Anciman, autor do livro Me Chame pelo seu Nome.
A Casa Libre - Nuvem de livros - reuniu os escritores de diversas editoras independentes. O casarão foi palco do acalorado debate. "Lugar de mulher é onde ela quiser".
Na casa Fantástica, em parceria com a editora Aleph, rolou diversos diálogos sobre o universo da ficção científica. Nós participamos da mesa: "Isso é muito black mirror; uma introdução à ficção científica" .
Outros locais que conseguimos dar pelo menos uma conferida: Casa Desejo, casa Insubmissa de Mulheres Negras, Casa Folha, Casa de não-ficção Época/Vogue e Casa paratodoxs (as duas últimas estavam sempre com lotação máxima.
A Flip não poderia ter começado melhor, com uma apresentação emocionada de Fernanda Montenegro lendo trechos da obra de Hilda Hilst. .
Outra que roubou a cena em Paraty foi a feminista e acadêmica Djamila Ribeiro. Ela foi bastante aplaudida na concorrida mesa de que participou, na qual lamentou a morte da vereadora Marielle Franco. A autora defendeu o feminismo negro.
Novidade deste ano, o Cinema da Praça, inaugurado pela prefeitura de Paraty, também teve muita procura do público. Na programação foram apresentados filmes do Anima Mundi (que a gente assistiu e curtiu muito) e do Festival Varilux de Cinema Francês, produções locais e ainda a pré-estreia de Unicórnio.
No Ocupa Paraty, espaço reservado no Areal do Pontal, artesãos, artistas e comerciantes locais mostraram seus trabalhos em diversas tendas montadas no local.
Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), feito a pedido do Ministério da Cultura (MinC), mostrou que a 16ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) gerou retorno econômico de R$ 47 milhões. Além de incentivar a leitura, o evento ainda movimenta a economia local.
Nos despedimos da Flip já sentindo saudades. Espero que vocês tenham gostado desta pequena amostra. Ano que vem nos encontramos por lá novamente. E vocês, vem com a gente!?

