Azúria é um livro de contos onde nos são apresentadas 11 histórias leves e criativas com muita, mas muita fantasia. O autor traz uma grande gama de seres, criaturas e demais elementos fantásticos que são um prato cheio para os amantes do gênero. Além de contar com alguns elementos que remetem a fantasias que já conhecemos e amamos como O Senhor dos Anéis e Harry Potter.
Li esse livro em leitura coletiva com uma amiga (oi, Gio) e ela fez uma observação que eu acho muito pertinente trazer para a resenha: parece que estamos lendo um desenho. Sabe um episódio de Caverna do Dragão? Não posso dizer que é exatamente isso, pois infelizmente não temos o Mestre dos Magos, mas é algo bem próximo.
Nas páginas de Azúria acompanhamos desde grandes aventuras até a melancolia de um funeral. As histórias desses contos não necessariamente são fechadas, mas também não quer dizer que elas se conectem no decorrer do livro. Temos, sim, alguns componentes que são comuns a mais de um conto e podemos muito bem criar “fanfics mentais” com eles se cruzando, mas, como eu disse, isso não ocorre descaradamente no livro, com exceção de três contos que são focados apenas em uma das personagens, falarei sobre isso mais adiante...
Certamente encontrei alguns favoritos dentre os diversos contos. Discorrendo um pouquinho sobre esses favoritos, na ordem em que são narrados, posso citar de cara o primeiro conto, intitulado O Roubo do Amuleto. Aqui temos uma criatura que sou completamente apaixonada e apresenta um significado muito forte, não vou especificar exatamente qual criatura é essa, pois estaria dando um spoiler, lidem com a curiosidade.
Após, temos A Caça ao Dragão que nos traz uma reviravolta e um ótimo desfecho. Já A Fuga de Balara é um conto super curtinho, mas com uma força de superação imensa da personagem principal. E em A Festa da Noite temos uma narrativa diferente dos demais contos, alternando entre o passado e o presente, e acredito que seja o mais tocantes de todos.
Citei anteriormente que três contos envolviam a mesma personagem, chamada Noëlle, e agora chegamos ao ponto da explicação. O próximo conto da lista de favoritos é A Renegada, de longe o maior conto de todos. Aqui temos um avanço na escrita do autor, onde, devido ao maior número de páginas, foi necessário também um maior desenvolvimento daqueles personagens. Os demais títulos que retratam essa mesma personagem são O Arkanvolf, com uma criatura fofa, porém, perigosa, e O Pagamento onde vemos uma Noëlle mais vingativa...
Creio que o último da minha lista de preferidos seja A Batalha de Plaanderkin, um conto mais obscuro que me remeteu a alguns episódios de Game of Thrones, quem ler vai entender a razão dessa referência.
No entanto, acredito que o autor tenha capacidade de evoluir a sua escrita. A questão de formulação de frases e desenvolvimento dos personagens pode ser melhorada. Sei que se trata de conto e não existe muito espaço para esse desenvolvimento, mas ainda assim, fica a minha dica para que o autor pegue mais pesado nessa questão. Está no caminho certo, só precisa adicionar um “brilho” em certos momentos.
Edição, revisão e capa maravilhosas. A diagramação desse livro é algo digno de prêmio, sério, pra quem usa óculos e/ou lê em luz fraca durante a noite essa diagramação é uma benção. E, além da já citada capa linda, temos ainda ilustrações no início de cada capítulos que se relacionam com o conto.




