A nova série de fantasia da Netflix, Warrior Nun, começa com um estrondo. O primeiro episódio mostra um esquadrão de mulheres vestindo "hábitos" (a roupa utilizada pelas freiras é chamada de hábito) furtivos de malha e armas, onde colidem com uma igreja, gritando algo sobre ser uma emboscada por mercenários com “estilhaços de Divinium”. Elas puxam a auréola de um anjo de sua líder mortalmente ferida. Uma freira morre para proteger esse artefato que pertenceu a um soldado possuído por demônios. E, então, conhecemos Ava (Alba Baptista), uma órfã tetraplégica que está morta na maca de um médico legista exatamente para onde as freiras foram. No entanto, em uma louca série de eventos, esse antigo artefato sagrado (o Halo do Anjo Adriel) acaba caindo e se incorpora nas costas de Ava, trazendo-a de volta à vida com dom especiais – poderes? Quando ela acorda dos mortos, percebe que pode andar, e decidi fugir dessa loucura toda.
No decorrer do caminho, encontra novas amizades com uma equipe de jovens criminosos - liderados pelo atraente JC (Emilio Sakraya) - Ava é finalmente descoberta pela Ordem da Espada Cruciforme, a sociedade do Vaticano de mulheres devotas dedicadas a combater demônios que passaram o Halo de líder em líder desde as Cruzadas. Dividida entre fazer coisas divertidas com seus amigos e cumprir um antigo destino enviado pelos céus, Ava se encontra no centro de um cabo de guerra entre o demoníaco e o divino.
Sim, toda essa pressa do jargão e da mitologia se assemelha a John Wick misturado com uma interpretação literal da cosmologia cristã encontrada nas histórias de John Constantine, mas na verdade, Warrior Nun é uma adaptação baseada em um personagem de quadrinhos canadense no estilo mangá “Warrior Nun Areala”, que foi criado por Ben Dunn em 1994 e publicado pela Antarctic Press. Especificamente, é uma série de quadrinhos onde freiras badass ajudam a sociedade a combater demônios. Esses quadrinhos estão tão mergulhados no folclore católico que eles criticam os críticos de ambos os lados da cerca religiosa – pura loucura, não?
Há muito o que gostar nesta nova série original da Netflix, confesso. Desde a performance de Baptista como a Ava ora confusa ora fascinada, até a própria ideia de que existem freiras guerreiras que lutam contra demônios muito reais e violentos neste mundo. O primeiro episódio, no entanto, tem vários problemas que atrapalham um pouco a mensagem, e se eu não tivesse escolhido continuar a assistir toda a série, teria desistido por ali mesmo.
Antes de tudo, há a narração de Ava, que começa como a narração de qualquer drama adolescente, com Ava sendo aversa por sua situação. Mas então, se transforma em um monólogo interno que pode até ser engraçado de vez em quando, mas na maioria das vezes é muito... estranho e desconfortável. Não temos certeza se o monólogo deve realmente estar lá ou se foi editado. Mas cenas como ouvir os pensamentos de Ava passar por cima de JC em vez de ouvi-lo falar, por exemplo, pareciam pertencer a outra personagem de outra série e não a uma série de caçadoras de demônios religiosas, onde a personagem está prestes a ser recrutada como freira guerreira.
Essa é a outra parte que, no começo, ficou um pouco confusa. Quantos episódios se passam até o padre Vincent localizar Ava, recrutá-la para a irmandade que luta e ela começar a entender os poderes que a auréola lhe deu? Claro que no mundo do streaming, os escritores podem contar suas histórias em um ritmo mais lento. Porém, nós queríamos que Ava ao menos se encontrasse com Vincent ou começasse a trabalhar com seu soldado mais confiável, Shotgun Mary, até o final do episódio. Em vez disso, vemos Ava ir no embalo dos jovens grifters de quem se tornou amiga ou pegar Molly e seguir a névoa vermelha mais uma vez. Esse ritmo lento leva a uma história desconexa até metade da primeira temporada, só então sabemos que está indo a algum lugar, e isso nos obriga a decidir: queremos pegar essa carona e continuar ou não? – pelo menos eu apenas queria ver Ava e as freiras lutando. Mas posso dizer que, eventualmente, a série chega lá e nos surpreende positivamente.
Warrior Nun termina com um estrondo também, em um final repleto de reviravoltas na trama, onde algumas das surpresas realmente funcionam e são intrigantes. Pode não quebrar o molde quando se trata de aventura sobrenatural, mas conta muito bem a inesperada história da "escolhida" e é muito bem interpretada pela líder Alba Baptista em seu primeiro papel na língua inglesa. A trama é um pouco reciclada aqui, mas a camaradagem entre os membros do OCS é magnífica. Os locais são maravilhosos e bonitos, e adicionam uma textura espetacular do Velho Mundo ao processo. E as cenas de luta são excelentes. Cada freira tem seu próprio estilo de combate, algumas mais simples e outras mais amplas. O contraste é incrivelmente bem feito, assim como todas as performances. Então, posso dizer que definitivamente vale a pena dar uma olhada nesta série, mesmo com algumas falhas. Para os fãs de Buffy the Vampire Slayer e Supernatural, com certeza funcionará, “Seja nesta vida ou na próxima".
Criador: Simon Barry
País de origem: Espanha
Distribuição: NETFLIX
Temporadas: 1
Sessão da TARDIS. O título faz referência à “TARDIS”, cabine telefônica e nave do Doutor na série Doctor Who. Nada mais justo do que uma junção de uma série clássica e aclamadíssima para nossas tardes aqui indicando séries que gostamos, não é mesmo?!
