Resenha: Fique onde está e então corra



Fique onde está e então corra é uma obra comovente e deliciosa de se ler. Somos apresentados, logo no início da trama, pelo personagem Alfie. Ele tem apenas nove anos de idade, porém, passa por muitas coisas desde cedo. Aos cinco anos de idade, no dia do seu aniversário, seu mundo começa a mudar: seu pai parte rumo à guerra que acaba de começar.

Alfie Summerfield tenta se lembrar de como era sua vida antes de a Guerra Mundial começar. O pior dia de sua vida é marcado com a ausência de convidados e com a despedida de seu pai. George, sem revelar totalmente a verdade, apenas explicou ao garoto que estava indo a uma missão secreta para o Governo. Ele parte à Guerra com a convicção de que ela acabará antes de o Natal começar.

Todos os dias, Margie recebe cartas de George; ela passa a ler todas ao pequeno Alfie. Porém, passado algum tempo, as correspondências começam a ficar mais detalhadas e a mãe do menino resolve ler apenas para ela. O que Margie não sabe é que Alfie tinha conhecimento de onde ficavam as cartas e, sempre que uma nova chegava, ele lia escondido. Até que um dia, eles não recebem nenhuma notícia de George.

Anos se passam e a necessidade começa a bater à porta da família Summerfield. Margie se vê obrigada a se dedicar mais ao trabalho, ela se desdobra para fazer turnos mais longos. Alfie nota que a mãe precisa de apoio e passa a ajudá-la engraxando sapatos escondidos dela.

Através da visão de Alfie, somos apresentados aos efeitos que uma guerra proporciona na vida tanto das pessoas que estão lutando, quanto daquelas que estão em casa, com a expectativa de ter aquele ente querido de volta.

A construção dos personagens foram tão bem feitas que se torna impossível não ser cativado por cada um. Joe, um dos vizinhos da família Summerfield e objetor de consciência, é levado à prisão por não querer ir à guerra, já que o alistamento passa a ser obrigatório. Ele é tratado como covarde por não querer aceitar ir à luta. Outro vizinho da família, o Sr. Húngaro chamado Janácek e sua filha são deportados para um campo, acusados de espionagem, já que são estrangeiros.

A obra é emocionante em vários aspectos. Podemos contemplar Alfie em suas ações de criança, porém, ele passa a ver o mundo de outra maneira, age como adulto e sente as dores de uma pessoa madura. Boyne soube transmitir esses sentimentos de um jeito incrível. É impossível não se apaixonar pelo jeito de Alfie e pela sede de descobrir o que está errado com o desaparecimento de seu pai.

O garoto é muito esperto e, em muitos momentos, nos dá uma grande lição de vida. Muitos são acomodados com o que tem e com o que fazem. Alfie não, ele nunca está satisfeito com aquilo que lhe informam, ele busca, investiga e quer saber o motivo das coisas.

Boyne tornou essa obra uma das melhores que já li. Ele soube pegar um assunto forte, denso e triste e consegue transmitir a emoção de maneira absolutamente tocante, sem deixar de lado a leveza.

A capa do livro é muito marcante e o nome é chamativo e intrigante. Desde quando o vi, fiquei me perguntando o motivo desse nome. Super criativo! A obra é recomendada para todas as idades.

É um livro curto, dá para se ler rapidamente, porém, sua história nos marcará para sempre. Não perca mais tempo e adquira já o seu. Fique onde está até terminar essa resenha e, então, corra para comprar o seu exemplar.

Quotes:
“Amor era uma coisa sobre qual os adultos conversavam e as meninas liam.”

“– Objetor de consciência – disse Joe. – Quer dizer, alguém que não quer ir para a guerra por razões humanitárias, religiosas ou políticas”.

“– Acho que não gosto de aniversários, para ser sincero.
– Como assim? Todo mundo gosta de aniversários!
– Eu não – respondeu Alfie. – Eles me fazem pensar em como era ter cinco anos. E depois seis, sete, oito e nove.”

Título: Fique onde está e então corra
Autor: John Boyne
Editora: Seguinte
Páginas: 224
Ano: 2014

1 Revelaram sentimentos:

  1. Amei essa brincadeira com o título: Fique onde está até terminar essa resenha e, então, corra para comprar o seu exemplar.
    Eu tenho esse livro no Kindle, mas não sabia do que se tratava, acredita? Veio já baixado quando comprei (usado)
    Li O menino do pijama listrado e amei como o autor sabe tratar de um assunto denso de forma tão leve. Só em ler a resenha já fiquei com o coração apertado imaginando a realidade desse menino, sem o pai e precisando engraxar sapatos para ajudar a mãe. Deve ser uma história muito emocionante!
    Agora que sei do que se trata, vou olhar pra ela com mais carinho e, quem sabe, passar na frente da fila

    Beijos

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