Resenha: A noite dos mortos-vivos


Comecei a ler A noite dos mortos vivos com uma expectativa imensa. Imaginei que a obra seria um modelo à risca do filme e, nesse quesito, ele é realmente surpreendente. Russo extrai as cenas do filme de Romero de uma maneira magnífica e bem detalhada.

Inicia-se a obra com os irmãos Johnny e Bárbara. Ele tem 26 anos e ela tem apenas 19, porém, sempre foi mais madura do que o jovem rapaz. A garota obriga o irmão a dirigir 300 km para colocar uma coroa de flores em cima do túmulo de seus pais, para desespero de Johnny. Ele odeia esses ritos e considera isso como um gesto estúpido e sem sentido. Contudo, mesmo assim, leva sua irmã ao cemitério.

Após três horas de viagem, eles chegam ao cemitério e Bárbara começa a procurar o túmulo de seu pai. Todavia, a escuridão começa a surgir e a dificuldade apenas aumenta. Ao encontrar o lugar onde jazia o corpo do senhor, a filha começa a rezar. Enquanto isso, seu irmão, irritado, começa a amedrontá-la. Faz sons estranhos e Bárbara fica com certo receio ao notar um vulto. Não era ele, não poderia ser. Tinha mais alguém com eles. Quem seria, então?

É nesse momento que a obra começa adquirir certo pânico que deixa o leitor afoito para saber o motivo de tudo. É impossível não ficarmos ansiosos com esse início totalmente horrendo e desesperador.

A garota sente aquele homem sufocando-a. Seu irmão, desesperado, se aproxima e tenta agredi-lo. A brincadeira de Johnny torna-se realidade e seu arrependimento é nítido. Ele parte para a briga e ambos lutadores caem no chão. Sem reação, Bárbara observa a luta, mas não consegue discernir quem está vencendo. Um foco de luz surge e ela consegue observar um homem em cima do outro com uma pedra na mão e então percebe quem está no poder... E não é seu irmão.
 
De repente, pedaços de pele são arrancados, o sangue é jorrado, a cabeça esmagada e o desespero é evidente. Não existe alternativa a não ser fugir: é isso o que Bárbara faz. Ao chegar a uma casa abandonada, ela se aloja por lá em busca de segurança. Quando a garota menos espera, começam a bater forte na porta e ela pensa ser mais um deles. Na verdade, é apenas um fugitivo que está em busca de segurança. Ben se apresenta à garota e percebe que ela está totalmente desnorteada e fora de si.

O terror psicológico apresentado no livro é incrível. As cenas são desesperadoras e a agonia de Bárbara é evidenciada a todo o momento. É impossível não ler o livro e torcer para que todos os personagens saiam ilesos de todas as cenas. A história é estratosférica.

No decorrer da obra, ainda surge um grupo de pessoas que se aliam com Bárbara e Ben, além de uma criança que está ferida. Eles saem em busca de sobreviver desse horripilante ataque de seres estranhos. Os noticiários declaram que as equipes de pesquisas acreditam que as pessoas mortas recentemente têm retornado por meio de alguma força desconhecida e que se alimentam de carne humana.

Diferente do que estamos acostumados a ver, esses zumbis matam suas vítimas antes de devorar os seus corpos. Eles são diferenciados dos demais, pois querem matar as pessoas com uma pedra ou qualquer objeto que possa facilitar a morte da vítima. Eles esmagam o crânio delas e fazem-na sofrer antes de servir de alimento.


A obra é excelente, o terror contido nas páginas é delirante. Porém, engana-se quem pensa que a narrativa é veloz. Por não conter travessões e sim aspas, quando algum personagem fala, a leitura é bastante lenta. Em alguns momentos, não sabia se era narrativa ou os diálogos, pois muitas aspas foram abertas e não foram fechadas; e vice-versa. Isso atrapalhou e muito a minha leitura. Tinha de voltar para tentar entender se era a descrição do narrador ou uma fala de algum personagem.

Não é errado usar aspas no lugar de travessões, porém, quando se inicia uma fala (com as aspas) e encerra-a (sem as aspas) fica bastante complicado de interpretar. Poderia dizer que isso não atrapalharia a leitura, todavia, seria uma grande hipocrisia. Definitivamente, não gostei do modo que editaram a história do livro. Se ao menos estivesse com a pontuação no lugar, o leitor não teria trabalho para a sua interpretação.

O trabalho estético é esplêndido no quesito capa e imagens na parte interna. Em cada capítulo, temos o nome do livro, do autor e vários alvos que deixam as folhas totalmente chamativas. A letra é um pouco pequena, para quem tem problema de visão, talvez canse com mais facilidade; porém, para mim, foi bem tranquila. A revisão é boa, mas notei alguns erros que não foram nada graves.

Se você está em busca de um livro para tirar o seu sono, sem dúvida, essa obra é mais do que indicada. Sangue, morte, terror, suspense e muita adrenalina são garantidos no trabalho de John Russo.

Vale salientar que o livro contém dois trabalhos, tanto A noite dos mortos-vivos quanto A volta dos mortos-vivos. Porém, farei a resenha separadamente para dar mais enfoque a cada uma. Se a primeira parte da obra é excelente, prepare-se que a segunda virá para te surpreender!

Quotes:
“Pense em todas as pessoas que já viveram e morreram e que nunca mais verão as árvores, a grama ou o sol. Tudo parece tão breve, tão... inútil, não é? Viver um pouquinho e depois morrer? Tudo parece resultar em nada. Ainda assim, de certa forma, é fácil invejar os mortos. Eles estão além da vida, além da morte” (p.17).

“Os rostos dos agressores eram rostos de defuntos. A carne estava putrefata e gotejava pus em alguns pontos. Os olhos inchados projetavam-se para fora das órbitas profundas. Tinham a pele pálida, branca como o gesso. Moviam-se com dificuldade, como se a força misteriosa que os ressuscitara não tivesse feito um trabalho completo” (p.37).

“Tom e Judy não puderam sentir seus cadáveres sendo retalhados. Não puderam ouvir os ossos e as cartilagens sendo torcidos e quebrados e separados nas juntas. Não puderam gritar quando os mortos-vivos vorazes arrancaram seus corações, pulmões, rins e intestinos” (p.125).

Outras fotos:

Título: A noite dos mortos-vivos
Autor: John Russo
Editora: DarkSide
Páginas: 320
Ano: 2014

5 Revelaram sentimentos:

  1. Olá Naty!

    Adoro livros assim, cheios de detalhes impressos. Gostei da resenha, curto livros de terror e não conhecia essa obra.

    Bjs

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  2. Fernanda Pedotte16/11/2015 12:59

    Oi Naty!!!
    Eu fico babando pelos livros da DarkSide, são lindos!!!
    Eu tenho esse na estante e confesso que até estava meio esquecido lá. Agora fiquei com vontade de adiantar ele na fila.
    Na maioria das vezes acabo gostando mais do livro do que do filme e se é surpreendente melhor ainda. Quero ver esses zumbis diferentes, parece assustador.

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  3. Olá!!
    Adoro terror de todas as formas menos de zumbis, não da não consigo, vi que nesse livro eles são diferentes , mais o fato de eu não gostar é q imaginar o morto-vivo devorando a carne em sangue vivo isso me da uma agonia gigantesca e isso vai ter em qualquer historia de zumbi rsrs
    A capa ta fantástica gostei.
    Bjocas

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  4. Como sou uma garota muito medrosa, não leio gênero de terror, ainda mais com zumbis, mas a história do livro parece ser muito boa, e para quem gosta e uma boa indicação de leitura.

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  5. Nossa, não conhecia esse livro :O na verdade nem sabia que a Darkside já existia em 2014 hahahah
    Enquanto lia que os zumbis matavam as vítimas antes de comer suas vísceras pensei: nossa, que bonzinhos, né? aí vi que eles faziam pra fazer a vítima sofrer mais e pensei: nooooooooooooooooossa
    hahahaha
    Eu acostumei com os diálogos feitos através de aspas, mas nada a ver abrir a frase assim e depois terminar "do nada" ¬¬
    Eu não sei se foi a edição que peguei de Ensaio sobre a cegueira ou se ele é assim mesmo, mas os diálogos dele não tem travessão, não tem aspas, nem nada. Tipo tem um ponto aqui, uma vírgula, pronto, outra pessoa que tá falando ¬¬ o livro é bom, o mistério me deixou curiosa, mas tava perdidinha da Silva com esse tipo de narrativa

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