Resenha: Belleville


Sabe aquela felicidade por encontrar mais um talento nacional? É exatamente isso que eu senti ao ler Belleville, de Felipe Colbert.

Eu não sei por onde começar esta resenha, pois a leitura foi tão mágica e rápida que todos os sentimentos ainda estão misturados dentro de mim.

Ao ingressar na faculdade de Matemática, Lucius, de 20 anos, decide que é melhor seguir sua vida mais independentemente. Além disso, para facilitar a sua ida ao curso, ele compra um casarão em Campos do Jordão. Por mais precário que possa ser o seu novo lar, esse é o menor dos problemas, já que a sua situação financeira não está nada boa. A verdadeira questão é que Lucius fica abismado com a construção que habita no seu quintal. Uma sequência de pedaços soltos de madeira, que mais tarde ele descobre ser parte da construção de uma montanha-russa.
"Sei que, da próxima vez que você olhar para uma montanha russa, será de forma diferente."
E foi diferente!

Entre suas aventuras para conhecer o local, o mocinho acaba encontrando uma fotografia antiga escondida entre os pertences do antigo morador da casa. Na foto, uma bela moça, definitivamente a mais bonita que Lucius já havia visto, está ajoelhada, enterrando o que parece ser uma caixa bem próxima à construção que ele havia acabado de descobrir.

Dominado pela curiosidade, Lucius volta ao local onde provavelmente a caixa deveria estar e acaba encontrando o objeto. Para a surpresa do jovem, dentro do utensílio enterrado havia uma carta.



Esse ponto da história merece um destaque especial. O autor caprichou tanto nas cartas que, diferentemente do habitual, o leitor passa as folhas rápido só para ler mais uma correspondência desses dois personagens. A interação entre eles é tão singela e simples de se ler... Fiquei maravilhada.

Na carta, Anabelle, que viveu naquela casa em 1964, conta que tem o desejo de realizar o sonho de seu pai, construir Belleville, uma montanha-russa, mas, por falta de condições, ela não podia concluir a obra.

Lucius fica comovido pela história da moça, mas sabe que não pode ajudar, portanto, decide escrever outra carta para que o próximo morador possa ajudar a garota.

O dilema é que Felipe nos transporta novamente para 1964, lá nós encontramos uma garota órfã de pai e mãe que não tem mais ninguém, além da companhia de seu gato Tião, para contar com ajuda. Com apenas 17 anos e vivendo sozinha, Anabelle vê aos poucos todas as suas economias se esgotarem. Sentindo-se uma tola, Ana decide voltar e fazer alguns ajustes na carta de solicitação que ela escreveu, entretanto, ao desenterrar a caixinha e abri-la, a moça não encontra somente a sua carta, mas também a carta de Lucius.

A princípio, ela acha que algum vizinho está brincando com a sua cara e deixa bem claro aos quatro cantos que não gostou nada do possível deboche, mas decide responder à carta do intruso e é aí que a história começa a se enrolar mais ainda.

Uma relação que começa com uma antipatia e desconfiança sem tamanho toma proporções lindas e gigantescas.

Aos poucos, o leitor vai conhecendo a força de Anabelle, mesmo com todas as dificuldades. É, gente, a vida da moça não é fácil e a gente sofre junto com ela. Lucius tenta ajudá-la apesar dos 50 anos que os separam, mas nem toda a ajuda do mundo foi capaz de livrar Ana de seu mais novo inquilino, Tio Lino, um homem que se diz irmão do pai da garota, mas que ela nunca ouviu falar.

Ainda sim, a relação de Ana e Lucius cresce de forma tão gradativa e pura que se sobrepõe a todo o mal que o vilão provoca na história.

A trama só fica mais eletrizante e o mistério sobre a viagem das cartas pelo tempo só aumenta. Anabelle cresce muito com o passar das páginas e de todo o sofrimento que o seu inescrupuloso tio a submete.

Eu nunca odiei tanto um personagem como eu odiei este homem. Ele é horrível, em todos os sentidos da palavra.



Belleville é um livro lindo, que mostra uma história de amor de arrancar suspiros. Confesso que quase enlouqueci com o desfecho. As páginas iam passando e os fatos iam acontecendo e eu não sabia como reagir! Felipe conseguiu prender e surpreender o leitor de forma magnífica, me fez viajar no tempo junto com os personagens. Não, ele não se contentou em criar protagonistas absurdamente reais. Ele também inventou um enredo cheio de questões, que, aparentemente, não têm respostas definitivas.

Os capítulos são curtos e, na maioria das vezes, alternados entre um personagem e outro, apesar disso, a leitura não fica cansativa de forma alguma. A diagramação do livro é linda e eu preciso admitir que essa é uma das capas mais lindas que eu tenho na estante. Ela conta muito sobre a história e dá um toque a mais de magia.

Dê uma chance para a literatura nacional começando por Belleville, vocês irão se encantar assim como eu.

Quotes:
"É bem provável que em algum momento essas cartas parem de atravessar as décadas que nos separam, porque milagres não são eternos. Tenho medo de que com o tempo, tudo se torne uma lembrança estranha, algo afastado de minha mente. Não sei como serão os próximos cinquenta anos que terei que enfrentar sem você. Espero que um dia voltemos a nos encontrar, seja nesta realidade ou em outra. E, se acontecer, que os deuses sejam generosos e permitam que eu a toque."

"Todavia, o papel que tinha nas mãos agora era uma carta de esperança, não de desistência. E a fábula de nós três - Belleville, Lucius e eu - ainda demoraria para ter um final."

Título: Belleville
Autor: Felipe Colbert
Editora: Novo Conceito
Páginas: 301
Ano: 2014

22 Revelaram sentimentos:

  1. Fico muito feliz de ver autores nacionais ganhando espaço. Admito que não sou fã de romances mas toda essa história em volta das cartas me deixou bem curiosa, vou ler o livro assim que tiver oportunidade.

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  2. Rapaz, mas nem parei pra prestar atenção que era um nacional! Quando vi esse livro não acabei dando muita bola e nem vi tanto da história. Só sabia que tinha alguma coisa a ver com uma montanha-russa...
    A trama parece ser linda e estou me sentindo burra de não ter dado moral pra ele! Adorei o jeito da história, essa coisa das cartas e os personagens que arrancam tanta emoção da gente. Adoro odiar personagens e se esse daí que disse ser tão ruim for assim mesmo acho que iria ficar bem mais envolvida com a história! Haha, a gente sabe como é bom torcer pra que se deem mal não é? Ahh mas eu adoro.
    Se for mesmo um livro que arranca suspiros e faz a gente ficar tão viciado assim ao ler deve ser muito bom. Vou colocar ele na minha lista pra não esquecer agora.

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  3. Olá, Mariana.
    Esse enredo lembra muito o filme A casa do lago que amei. Eu já li dois livros do autor, um jovem adulto e um policial e acabei gostando dos dois. E dizem que esse é o melhor livro dele, por isso preciso ler.

    Prefácio

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  4. Eu gosto quando se dá espaço para os livros nacionais. Por vezes eles são muito desvalorizados e isso não deveria acontecer.. gostei muito da dica. Não conhecia o Felipe, mas já procurei saber da escrita e da história.
    Obg pela dica :) abçs

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  5. Oi Mari.
    Que premissa mais linda, ei fiquei super curiosa para conferir a história, o fato do romance se desenvolver através de cartas é incríve, não vejo a hora de ler.
    Bjs.

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  6. Uau! Fiquei morrendo de vontade de ler esse livro agora. Tem muita coisa que gosto aí, comecando pela trama se passando em epocas diferentes e ainda com esse toque de "viagem no tempo" me atraiu mais ainda. Ah eu ja tô odiando este tio malvado desde agora.

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  7. Oi Mariana, tudo bem?
    Que premissa mais intrigante, fiquei super curiosa para saber como estas cartas viajavam no tempo. Fico tão orgulhosa quando conheço autores nacionais com tanto talento representando bem todo o talento que o povo do nosso país tem. Linda resenha, e linda história.
    Beijos

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  8. Não conhecia, e só por saber que é nacional já me convenceu a ler, esse anos estou tentando ler o maximo possivel de livros nacionais.
    A capa é linda. E estou muito curiosa sobre esse desfecho que voce quase enlouqueceu, e espero me encantar como voce.

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  9. Oi! Adoro ver livros nacionais sendo reconhecidos. Parece ser um livro bem gostosinho de ler, e eu to mega curiosa para ler as cartas. Quero mt saber o desfecho da história. Beijoss

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  10. Que historia fascinante, fiquei curiosa em conhecer o mistério que envolve as cartas, como elas chegaram até o passado que estranho, deve deixar o leitor cheio de questionamentos, já fiquei intrigada com o final desses dois personagens. Fiquei com raiva desse tio só de imaginar os absurdos que ela tem que passar na mão dele.

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  11. Mariana!
    Foi uma das leituras mais fascinantes que fiz há alguns anos atrás e depois dele, já li outro livro do autor que também é fenomenal.
    Gosto de livros que trazem o tema viagem no tempo e a forma como foi elaborada essas passagens no tempo, achei criativa, sem contar com o romance que é doce e encantador.
    Que sua semana seja repleta de luz e paz!
    “A amizade, depois da sabedoria, é a mais bela dádiva feita aos homens.” (François La Rochefoucauld)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE MAIO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  12. Oi, Mariana
    Pelo jeito o autor te conquistou. Esse é um livro que gostaria de ler um dia. Muito bom quando descobrimos mais um ótimo autor nacional, né?
    O livro parece realmente ser lindo. Adorei saber que gostou tanto assim. Leria com certeza.

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  13. OLá!!
    Parabéns pela Resenha!! Fiquei com muita vontade de ler esse livro, eu amo romances que nos faz viajar no tempo junto com os personagens e fiquei muito curiosa em descobrir mais sobre o livro, e sendo Autor Nacional me motivou ainda mais a conhecer esse livro!!!

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  14. Oi Mariana,
    Que livro mais incrível! Não conhecia o livro e nem o autor, mas depois de ler essa resenha não posso ignorar essa descoberta nacional.
    Amei a história, um romance tão mágico e encantador que tudo indica que vou ser completa e absolutamente cativada ao decorrer das paginas. Os personagens parecem ser incríveis, e amo acompanhar o amadurecimento de um personagem, estou curiosa para conhecer a história da Anabelle. Já anotei o livro na minha lista de desejados, quero saber o desfecho dessa história e o mistério por trás das viagens das cartas.
    Beijos

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  15. Li no ano passado uma outra obra do mesmo autor desse livro, e fiquei apaixonada por sua escrita delicada, mas ao mesmo tempo diferenciada, e por isso fui logo verificar outras publicações do mesmo, e me deparei com essa estória. Apesar de ainda não ter tido oportunidade de ler o livro, tenho muita vontade, pois realmente ele consegue criar personagens reais, e mesmo que a trama seja uma pouco irreal, e muita vezes inexplicado, pois retrata viagem no tempo, podemos perceber que a estória consegue ser bem construída, com boas amarrações.

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  16. Desde a primeira vez que vi esse livro em uma livraria, tenho mantido meu interesse por ele. Ainda não consegui comprar, mas espero de verdade poder fazer essa leitura em breve.
    A sua resenha só me deu ainda mais vontade de lê-lo.. Adoro viagens no tempo, quando bem narradas. Me lembra bem o filme a casa no lago
    Grande beijo e até a próxima

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  17. Oi!
    Que legal saber que o autor é nacional e que a premissa é cativante! Já fiquei super curiosa para saber mais dessa história, pois romance e mistérios, sempre me fascinam.
    E por tudo que você escreveu na sua linda resenha, não tem como não querer conferir também.
    Obrigada pela dica.
    Beijos.

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  18. Eu não conhecia este livro, mas simplesmente adoro conhecer livros nacionais. Depois de ler sua resenha bem positiva sobre este livro e ter me interessado por ler a história, adicionei ele em minha lista de leituras, sem dúvidas é um bom livro.

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  19. Olá, Mariana!

    O livro tem um toque daquele filme "A Casa Do Lago" em que dois moradores de uma mesma casa se comunicam por cartas que atravessam o tempo. Mas aqui a distância temporal é maior e as dificuldades para Anabelle são maiores ainda, já que o Lino tem um quê de Tio Gavião da Penélope Charmosa. Até eu quero uma TARDIS para ajudá-la.
    Conheci o Felipe na Bienal do Rio de 2014, e ele é super simpático e atento aos leitores. Tenho o Para Começar, outro livro dele e espero ler ele logo pois também tem encanto que Belleville tem.

    Um abraço!

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  20. Oi, Mariana!
    Faz tempo que quero ler Belleville mas ainda não tive a oportunidade, curto livros onde os personagens principais trocam cartas, e esse detalhe onde as cartas atravessam a barreira do tempo é genial, sem falar que como uma leitora de livros nacionais já de cara fiquei interessada no livro...
    Espero ler Belleville em breve e conhecer finalmente a história de Lucius e Ana.
    Bjos, amei sua resenha!

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