19 março 2018

Resenha: Neo Gaia

Totalmente sem palavras. (Entenda no pior sentido) 

“E já não tem mais nada a fazer a não ser verdade e verdades e mais verdades e verdades a dizer, a declarar...” – Raul Seixas.

Sim, meu caros. Eu tenho muita verdade a declarar. E eu vou declarar mesmo porque a leitura desse livro me fez sangrar os olhos. Certo. Vamos com calma para não preocupar os patrocinadores. 

Contém o que os chatinhos chamam de spoiler. 

O planeta Terra está entrando em extinção e ficando completamente inabitável. A salvação agora é um projeto que está construindo três “naves colossais”, em segredo (?), para enviar possíveis escolhidos para o espaço à procura de um novo lar. Este é o Projeto Neo Gaia. 

Fato é que após dezesseis anos do lançamento, um novo planeta é encontrado. Gliese832c, planeta muito semelhante à Terra. A missão agora é mandar uma equipe explorar o local e verificar a possibilidade de fazerem morada lá embaixo. 

Com muitos personagens que poderiam ocupar facilmente o posto de protagonista, Neo Gaia é “uma ficção espacial” que precisa de reparo. Não podemos dizer que é uma história original. Em certo momento, a mim pareceu uma mistura de “Os 100” com “Guerra Mundial Z”, com uma pitada de “The Walking Dead”. Mas, afinal, o que é único hoje em dia? Por isso, não culpemos a criatividade de nosso autor, ao contrário, afirmo e dou firma que Sperafico tem futuro. 

Porém, o livro é claramente escrito por um principiante. Nosso autor ainda tem muitos vícios de linguagem que deixam o texto chato. Ele não é lá um grande fã de figuras de linguagens e senti falta de algumas alegorias, metáforas e analogias. A linguagem é simples e o conteúdo é pouco descritivo. Em partes é bem desenvolvido, sim, mostrando certo domínio do assunto ou estudo acerca do está sendo dito, mas quando ele deveria descrever certas passagens ou lugares, fica devendo. 

O roteiro, em meu ponto de vista, tem muitas falhas. Peço desculpas, e me corrijam se eu estiver errado. Mas, por exemplo, como um planeta encontrado dezesseis anos depois já tem um nome? A contracapa diz que “Rimor finalmente encontrou o seu destino”. Antes de lançarem as naves, eles já sabiam pra onde iam? Eu não achei essa parte. 

Há outra passagem que me lembrou muito filmes de terror. Sabem aquela hora em que a mocinha deveria correr, fugir, chamar a polícia, mas ela vai até a porta escura pra ver se tem alguma coisa lá? Pois é. O grupo encontra uma cratera, desce e lá no buraco são atacados por seres “semelhantes a besouros, do tamanho de gatos”. Você ficaria na porra de um lugar habitado por bichos desses? Sem contar que depois foi descoberto que eles transmitem uma infecção que deixa as pessoas loucas, extremamente fortes e com desejo de transformar todos. 

Água!! Não me lembro da menção de um rio no livro. 
Onde estão as outras duas naves? 
Por que é proibido ter um pendrive dentro da nave? 
Por que 99% dos personagens têm nomes estrangeiros? 
É muita pergunta sem resposta. 

Agora, um papo reto com nosso autor: Meu querido, elimine do teu vocabulário o pronome possessivo “seu” e derivados. Em 99.99% dos casos ele é descartável. Inútil. E deixa o texto muito pobre. Por exemplo: “Usavam (erro de concordância) seu (1) colete preto e empunhava sua (2) arma, mas estava sem seu (3) traje. Começou a digitar em seu (4) comunicador, emitindo um sinal para todos os outros seguranças.” Percebe? 

Usava o característico colete preto e empunhava a arma a tiracolo, mas estava sem o traje. Começou a digitar no comunicador... 

It's better, isn’t it? 

Busque também equivalentes para a expressão “à sua frente”. O texto é recheado dessa expressão, com crase, sem crase, separado por vírgula, grudado. E vários na mesma página. 

Mais uma pergunta: Por que cargas d’água você acha que tem o direito... Ah, não, isso é Raul Seixas. 

Por que cargas d’água o seu livro não passou por uma revisão? Porque, se você disser pra mim que ele passou por uma revisão, eu vou te chamar de mentiroso. 

É inconcebível! INCONCEBÍVEL!!!!! A quantia de erros nesse livro. É inconcebível que uma empresa que trabalha com a Língua Portuguesa, lance no mercado um livro tão precário. Se fossem erros de digitação, seria coisa aceitável. Uma palavra que saiu grudada, um ponto que saiu separado da palavra, tranquilo. Mas é inaceitável o uso errado dos Porquês. E tem muito! É inaceitável o erro da crase. É inaceitável que não se corrijam erros de concordância. O verbo “haver” com significado de “existir” ou “acontecer” sempre concorda no singular. 

Próclise ou mesóclise? Você escolhe! Mas, construções como “[...] não os reconhecendo-o” não existe. Além da falta de concordância, né? 

“[...] seu primeiro instinto foi engatilhar sua arma, mas antes de houver tempo”. Quê? “antes de houver tempo”? Whatafuck?? 

“Eu nasci há dez mil anos atrás e não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais”. Vocês não nasceram há dez mil anos, mas deveriam saber que não se usa o verbo “haver” com o advérbio “atrás”. O verbo “haver” + verbo no pretérito já me indica que a ação aconteceu no passado. Eu não preciso mais do “atrás”. 

“Ah, mas por que Raul Seixas usa?” Porque ele faz uso de sua Liberdade Poética. Em um livro em prosa não há liberdade poética. 

Em duas páginas, o mesmo nome foi citado quatro vezes. Em duas, ele foi escrito de uma forma e em outras duas, de outra forma. Da próxima vez escolhe um nome mais fácil. Não adianta nada ter nomes fantasiosos se virá cheio de erro. 

Enfim. A leitura não me foi prazerosa. Poderia ser, mas o trabalho da editora me jogava ácido nos olhos a cada página virada. Eu até pensei em desistir, mas me forcei um pouco, honrei meu trabalho e fui até o final. 

Avalio em duas estrela por conta da história e da inspiração de Matheus Sperafico, e o débito fica por conta da editora. Caso a editora tenha interesse, eu sou profissional de revisão ortográfica, há mais de dez anos no mercado. Além disso, posso trabalhar como Beta para iniciantes também. 

#Paz

Título: Neo Gaia (exemplar cedido pela editora)
Autor: Matheus Sperafico 
Editora: Pendragon 
Páginas: 251
Ano: 2017

21 comentários

  1. Eita, mas esse não deu certo pra você mesmo heim!
    Achei a ideia interessante, me lembrou um livro que li faz pouco tempo. Uma pena isso das coisas não estarem tão bem desenvolvidas e escritas, mas aí só vendo mesmo pra saber como tá, o que iria achar. Sei lá. Talvez gostasse. Pela premissa chama atenção.

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    1. Não deu, Cristiane. A ideia até é interessante, mas o desenvolvimento não agrada muito.

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  2. Oi, Marcos.

    O autor poderia ter escrito um maravilhoso livro, com um enredo como esse, mas as contradições e falhas realmente atrapalharam.

    E eu não sei porque, talvez nem faça sentido, mas eu ri na parte sobre seres do tamanho de gatos!

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    1. Olá, Daiane. Haveria várias outras coisas as quais o autor poderia explorar. E de fato ficaria maravilhoso. Os seres de tamanho de gatos é descrição dele rsrs

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  3. Oi Marcos.
    Nossa, o livro tem muitos erros de português. Isso realmente tira o prazer da leitura. Quando são erros pequenos, de digitação, até relevo. Mas erros de concordância e repetição de expressões é um pouco cansativo.
    Não fiquei com muita vontade de ler o livro. parece que não foi muito bem desenvolvido. Uma pena.
    Beijos

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    1. Muitos erros, Pamela!! Cada página virada era uma surpresa nova. Leitura difícil.

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  4. Olá!
    Que resenha sincera hei! Confesso que nunca tinha lido uma resenha tão sincera assim. Mas tudo que você~e falou é realmente de deixar o leitor com sangue nos olhos. É sempre uma pena quando um livro definitivamente não dá certo né.
    Gostei bastante do seu espaço!
    Bjos

    www.momentosdeleitura.com

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    1. Olá, Pollyanna!! Se tem uma coisa que prezamos aqui no Revelando Sentimentos é a sinceridade e nunca puxar o saco das editoras. Infelizmente esse livro tem muitos defeitos e antes de entrar no mercado deveria passar por uma séria revisão. Espero que não se assuste e vá embora rsrs volte sempre!!

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  5. Oi Marcos, tudo bem? Meu Deus, que medo do livro kkkkkk a parte do terror em si não me incomoda, mas falhas de roteiro sim, parece que o autor se perde bastante pelo que li da sua resenha. E ênclise, próclise, eu já cheguei a conclusão que neste país ninguém sabe o que é rsrsrsrs

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    1. Oi, Mi! Nao precisa ficar com medo do livro rsrs de terror ele não tem nada, e acredito que depois de uma boa revisão, ele poderá ser uma boa leitura para passar o tempo.
      Mas a lingua portuguesa continuará fazendo suas vítimas rsrs

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  6. Marcos!
    O fato do autor ser iniciante não quer dizer que ele não poderia ter uma liguagem mais apurada, concorda?
    Sem contar com todos os erros que pontuou.
    Para mim é impossível ler uma ficção que até poderia ser boa, mesmo sendo um réplica de outras tantas que citou, se ele tivesse ao menos se dignado a incrementar de alguma forma o enredo.
    Semaninha de luz e paz!!
    “Quando choramos abraçados e caminhamos lado a lado. Por favor amor me acredite, não há palavras para explicar o que eu sinto...” (Renato Russo)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA MARÇO: 3 livros + vários kits, 5 ganhadores, participem!
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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    1. Concordo, Rudynalva! Acredito que se nos dispomos a escrever um livro, o bom trato da língua portuguesa é essencial.

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  7. Gostei da resenha Marcos. Esse tipo de trama não chama a minha atenção e essa cota de erros ortográficos e de concordância verbal também me desanimaram bastante. Abraço!

    www.newsnessa.com

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    1. Obrigado, Vanessa! Só posso te desejar melhores livros rsrs

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  8. Olá Marcos,
    Parabéns pela sinceridade, sua resenha está muito bem escrita.
    A proposta do livro em si já não me agrada, não curto muito esse tipo de ficção, mas agora depois de saber que o livro está repleto de falhas eu posso afirmar que não vou investir nessa leitura. Até não me incomodaria com a narrativa simples, mas tantos erros de revisão (se é que o livro foi revisado) despenca a vontade de qualquer um ler. O enredo é falho, são muitas pontas soltas, repletas de perguntas sem respostas... Realmente, esse livro não chama a minha atenção.
    Beijos

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    1. Obrigado, Micheli. Como eu disse para a amiga de cima, só posso te desejar melhores livros rsrs terão que fazer um trabalho intenso nesse antes de republicá-lo.

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  9. Pela premissa, o livro tinha tudo para ser ótimo, porém com os problemas apontados, fica claro que a leitura não se torna em nada prazerosa. É ruim lermos algo onde a escrita é confusa, acho que o autor tem muito a mudar se quer publicar um novo livro!!

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    1. Concordo, Karina! Mas o grande trabalho mesmo tem que ser feito entre editora e autor.

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  10. Realmente pela premissa o livro tinha me conquistado Mas foi muito bom ver a sua resenha mesmo com aviso de spoilers Eu também me incomoda muito com erros gramaticais em livros o que acaba confundindo muito na escrita

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    1. É mesmo, Carolina. Escritas confusas são extremamente decepcionantes.

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  11. Oi, Marcos!!
    Pela a premissa da história esse livro tinha tudo para ter um bom desenvolvimento, infelizmente não foi o caso!! Espero que esses "erros" possam ser corrigidos.
    Bjos

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