10 maio 2018

Resenha: O homem de lata


Você está cansado e fecha os olhos para dormir, porém, suas decisões te fazem refletir o rumo que sua vida tomou, então você percebe que não consegue pegar no sono, por mais que queira, por mais que tente. Simplesmente não dá. Ontem você tinha algo para fazer, não fez. Hoje você poderia fazer outra coisa para diminuir a sua omissão de ontem, resolveu deixar pra lá. Então, amanhã será mais um arrependimento e mais uma omissão. Até quando? 

Indignado com esse parágrafo anterior, você indaga: “Mas, Natalia, o que raios isso tem a ver com o livro?” Tudo, meus caros. É exatamente isso que ele trata. De forma oculta, ou bem clara, depende do ponto de vista de cada um. “E quem era Ellis? Quem era Michael?” – Essas perguntas são fáceis. Ellis é o amigo que ficou, Michael é o amigo que resolveu partir. “E ele foi para onde?” – Bom... Esse questionamento é mais complicado. Não necessariamente ele partiu do verbo ir, pode ser que ele tenha partido do verbo despedaçar alguém (e a si mesmo). Ou os dois: foi despedaçado e partiu, ao ser partido. 

Em 1963, eles apenas eram garotos, amigos inseparáveis. Faziam tudo junto: nadar, ler, brincar e ser feliz. Desse fruto da amizade nasce algo maior. Depois disso, após uma década, encontramos as histórias separadas. Ellis, agora casado com Annie, e Michael não faz mais parte daquele ciclo, simplesmente sumiu. O que muitos não observam, até mesmo quem está ao seu lado, é o seu jeito complexo de ser. O medo desenfreado de Ellis impede de ter o que deseja, de dizer “sim” para as coisas. É isso que o torna tão real, tão nós. 


É exatamente aí que entra o primeiro parágrafo dessa resenha. Fica impossível ler esse livro e não refletir. Sei que muitos mergulham em obras apenas por ler, por lazer, pouco se importando com as lições que elas proporcionam. Mas, essa, não dá. Quando lemos sentimos vontade de pegar cada um pelo pescoço e fazer as coisas tomarem o rumo que desejam. E quanto a nós... Temos tudo mastigado, tudo certo e garantido, mas muitos viram as costas e dificultam o que está tão... Perfeito! 

Tantas coisas bonitas ditas aqui. E por que eu não gostei do livro? Não há segredo, gente. A sinopse já mostra que teremos um romance, daqueles conturbados e sem mistério. Não foi fácil, para mim, não gostar. Estava pronta e preparada para curtir e embarcar numa história diferente, com um sentimento por dentro. Mas senti embaraços no percurso. A essência perdeu-se na previsibilidade. 

Não se deixem desanimar pelo meu gosto. Se você procurar no Skoob, vai encontrar muita gente que gostou. Faltou muito para me fazer chorar, mas outros derramaram lágrimas logo no início da obra – isso pode acontecer com você, basta sentir e não se preocupar com o que virá. Esqueçam a sinopse, esqueçam os detalhes. Se preocupem com as páginas. Por um instante, deixem a contracapa de lado. Vão por mim. Pode ser que, pelo menos assim, funcione. 


Sobre a edição: A Faro capricha, esse é um comentário incontestável e desnecessário maiores detalhes. As folhas são amareladas, com desenhos de girassóis e casas. Os girassóis têm todo o sentido na história, faz parte de um dos personagens que preferi deixar para vocês descobrirem. A capa possui relevo no título, no nome da autora, assim como no desenho das casas e das árvores. A cor é bem chamativa, mas faz jus aos girassóis. 

Outras fotos:



Título: O homem de lata (exemplar cedido pela editora) 
Autora: Sarah Winman 
Editora: Faro Editorial 
Páginas: 160 
Ano: 2018

21 comentários

  1. Oi, Natalia.

    Esse "algo a mais" que surgiu entre eles e sua amizade, acho que veio junto de incertezas.

    Nem sempre tentar viver uma nova vida, trará felicidades.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Verdade, Dai.
      Mas ali existem outros fatores por trás.

      Excluir
  2. Natalia, não conhecia esse livro, mas pela sua resenha, parece muito bacana! Fiquei bem curiosa com ele!

    Beijo!
    Cores do Vício

    ResponderExcluir
  3. Oi!!
    Sem querer julgar o livro pela capa, mas já julgando... rsrs Só por ela me parece um livro que eu não iria gostar. Até achei interessante a ideia principal, mas me parece uma história sem sal. É uma pena você ter tido expectativas e se decepcionado.Talvez indo sem nenhuma expectativa funcione, como você mesma falou. Mas não é um livro que eu leria.
    Beijos!
    Nerd Fox

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Hahaha.
      Também sou dessas, fique relaxada rsrs.
      Mas dê uma chance, pode ser que te surpreenda.

      Excluir
  4. Engraçado que desde que vi o livro pela primeira vez quis ler só pela capa e título, sem nem mesmo ter lido a sinopse. Já vi algumas resenhas e realmente as opiniões se modificam. Pelos detalhes que você comentou parece ter um drama envolvido e isso eu gosto. Essa previsibilidade que me assusta um pouco, gosto de me surpreender. Contudo ainda quero muito fazer a leitura.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Verdade, Evandro.
      As opiniões estão bem divergentes. Mas acredito que as pessoas vão com muita sede ao pote, ou simplesmente não é o momento delas para aquela leitura.
      Acredito muito nessa última opção.

      Excluir
  5. Oi, Nat!
    Eu amei todo esse amarelo do livro. Não é uma cor preferida, mas amei aqui.
    Já sobre o livro, eu percebi que ele não faz muito meu estilo, mas é daqueles pra sair da zona de conforto.
    Beijos
    Balaio de Babados

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não é a minha também, Luiza. Mas achei que casou legal com a história.

      Excluir
  6. Oi, Naty

    Engraçado que no começo da resenha eu pensei wue você tinha amado o livro. Que pena que não foi isso que aconteceu. Eu honestamente não sinto interesse, e não é nem porque você não gostou, a história que não me chama atenção mesmo.

    Beijos
    - Tami
    https://www.meuepilogo.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Hahaha, exatamente isso, Tamires.
      Até a minha resenha não é o que parece. Gosto de coisas assim rs.
      Surpreender e ser surpreendida em pequenas coisas rsrsrs.
      Sim, realmente parece, mas era a intenção que tivesse sido - porém, não deu.

      Excluir
  7. Oi Naty,
    Primeiramente, amei o primeiro parágrafo da resenha. Parabéns!
    Adicionei esse livro na minha lista de desejados logo quando vi o lançamento, pois a sinopse me chamou a atenção. Não adianta, não consigo resistir, sempre leio as sinopses dos livros haha.
    Parece ser um livro que vai além de uma romance, trazendo uma história repleta de lições. Sempre busco aprender alguma coisa em cada leitura, desde as mensagens leves até as inspiradoras e motivacionais, de colocar a minha autoestima lá em cima.
    Então, confesso que estou intrigada para saber qual vai ser o desfecho da história do Ellis e Michael.
    Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Hahaha.
      Às vezes sou tentada a ler as sinopses também, mas tem umas que é bom evitar rs.
      Espero que goste do livro, Mi.
      :D

      Excluir
  8. Nat!
    Pena que não gostou por causa da previsibilidade.
    Confesso que pelo título e pela capa, jamais imaginaria que era um romance, ainda mais um romance que abrange vários aspectos das relações como homossexualidade, destruição e amor intenso.
    Fiquei com vontade de ler.
    Desejo um ótimo final de semana e um feliz dia da mães abençoado!
    “Moral é o que te faz sentir bem depois de tê-lo feito, e imoral o que te faz sentir mal.” (Ernest Hemingway)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA MAIO – 4 livros + vários kits, 5 ganhadores, participem!
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exatamente, Rudy.
      Eu pensava, pelo título e pela capa, inclusive pela frase na capa, que se trataria de algo absolutamente diferente. Porém, a sinopse entrega tudo de mão beijada.

      Excluir
  9. Lembro que quando lançou esse livro, fiquei interessada apenas lendo a sinopse. Porém, o que não esperava é que ele fosse tão reflexivo assim! Gosto muito de livros assim, porém me deixa triste o fato de ele ter tanto potencial e ser "estragado" por causa da previsibilidade! Eu realmente não sei se vou gostar, pois geralmente não gosto de livros previsíveis! Porém, ainda leria ele, se tivesse a oportunidade!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tente. Leia e vamos ver no que dá rs.
      Espero que seja bom pra você :D

      Excluir
  10. Olá, Natália!

    O Homem de Lata nos faz pensar mesmo em quantas vezes um erro bobo ou até mesmo o preconceito nos impede de ter uma história de amor que está lá, pronto para ser vivido.
    Há algo que você esqueceu sobre o Micheal e que faria total sentido para o motivo de ele ter se afastado de Ellis: Quando li sobre esse livro, notei que ele se passa na Inglaterra. Como o livro começa em 1963, a historia entre Ellis e Michael ainda era marcada pelas leis que consideravam um crime romances homossexuais. Essa lei é a mesma que colocou em desgraça o nome de Alan Turing, matemático que quebrou a codificação do Enigma, maquina de mensagens secretas usadas pelos nazistas na II Guerra Mundial. Essa lei foi derrubada em 1967, mas mesmo assim, o preconceito contra os homossexuais persistiu e ainda não havia a possibilidade de casamentos homossexuais no Reino Unido. Então pode muito bem acontecer de Michael e Ellis terem sido pressionados por essa lei e pela sociedade a se separarem, mesmo se amando muito, pois seria um crime. Mas quando a lei foi derrubada, já tinha sido tarde demais para Ellis.

    Um abraço!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Leti.
      Você está certa por entender isso e errada por dizer que eu esqueci. Não esqueci disso, sei bem e não quis aprofundar na história justamente para não fazer o que você fez: soltar spoilers aos leitores.
      Acredito que se eu dissesse isso na resenha perderia boa parte da essência. Eu deixei o mistério do porque alguém partiu ou foi partido. Em momento algum disse quem foi, nem o motivo de ter feito.
      Aliás, quem lê a minha resenha nem entende se foi Michael ou Ellis que deixou quem - fiz isso justamente para ter o mistério.
      Não fica legal revelar todos os elementos, principalmente quando esse é o que predomina no livro. Se eu falasse, qual graça teria ao leitor?

      Dois abraços!

      Excluir
  11. O livro parece ser bem interessante uma vez que aborda vários temas!! São assuntos atuais, e que servem para informar, e de repente orientar os leitores!! Já quero ler!!

    ResponderExcluir

Gostou da postagem? Deixe um comentário. Se não gostou, comente também e deixe a sua opinião.
Se tiver um blog deixe o endereço e retribuiremos a visita.
Aproveite e se inscreva nas promoções e concorra a diversos prêmios.