15 maio 2018

Resenha: Pedra no céu


Publicado originalmente como um conto, em 1949, Asimov viu a necessidade de transformar seu trabalho em um romance. Dessa forma, em 1950, baseado em eventos da Segunda Guerra Mundial, a saber as explosões das bombas atômicas, ele encaixa situações fictícias no enredo. Logo, temos em mãos o primeiro romance do físico-escritor.

Meus caros, se a ideia é se satisfazer com histórias de robôs e as leis que os regem, como em "Eu, robô" e outras obras, pode ir tirando o cavalinho da chuva. Se, assim como eu, você ler os mais conhecidos primeiro e deixar o primeiro pra depois, você encontrará nada mais do que um trabalho mediano. Mas que com certeza, na época de seu lançamento, foi chamado de promissor.
Eu me apaixonei por Asimov recentemente, quando li "Eu, robô", e, de certo modo, me frustrei com "Pedra no céu".

O enredo em si até é interessante, mas a pegada é um pouco diferente. Não tem nenhum robozinho e Asimov não explora aquilo que ele tem de melhor: a sua inteligência. O conteúdo não é complexo, como o assunto poderia exigir, e não há crimes ou segredos a serem desvendados. Ele já nos dá tudo. Em contrapartida, porém, Asimov nos mostra como ser humano é um ser desprezível e ridículo e pode colocar a vida de (no caso, milhares de planetas habitados) por conta da interpretações erradas ou falta de confiança, ou mesmo pelo medo de agir.


Este é um trabalho que não se pode pensar de forma isolada. Apesar dos pesares os personagens são bem construídos. A armação é bem feita, estruturando para que cada um deles tenha sua função e aos poucos percebemos que as histórias vão se afunilando e rumando para um mesmo desfecho. Não há nada de extraordinário no final, porém destaca-se que Asimov não deixa nenhuma ponta solta.

A linguagem é tranquila e, parece que o autor, ao perceber que o assunto ficaria um pouco mais difícil, usa seus próprios personagens para indicar que não estão entendendo nada e explicar as coisas mais detalhadas.

Eu não vou mudar a minha opinião de que Asimov é um gênio por conta desse livro, afinal, como foi citado, é o primeiro dele. E apesar de uma nota baixa, não vou dizer para você não lerem. Descobri que Asimov é indispensável e conhecer sua linguagem lá dos primórdios é uma jogada interessante!


Título: Pedra no céu
Autor: Isaac Asimov
Editora: Aleph
Páginas: 312
Ano: 1950 / 2016

16 comentários

  1. Oi, Marcos.

    Que bom que, pelo menos, o autor extraiu algo da história. Nos mostrando assim, as consequências das nossas escolhas.

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    1. Olá, Daiane!! Exatamente! Apesar de ser uma obra futurista, os traços dos humanos ainda prevalecem!!

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  2. Eu concordo que tem seu valor conhecer esse trabalho do Asimov,assim como de outros autores que admiramos. Jamais devemos resumir nenhum escritor a uma só obra. Até pela curiosidade e todos os pontos positivos que a obra tem, acredito que assim como você, ninguém vai querer se matar depois da leitura. É bom não criar expectativas mil, como você mesmo sugere, afinal encontraremos algo diferente daquilo que vimos no Eu, robô. Fiquei bastante curioso com a leitura. Dica anotada.

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    1. Leve em frente a dica, Evandro!! Pode ser que não goste, como eu, mas pode ser que goste mais. Além disso, é um Asimov! Sempre temos coisas a aprender com ele.

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  3. Ainda não tinha ouvido falar no livro, mas gostei muito da proposto. Ainda não li Eu , Robo também, mas quero muito. Acredito que seja um livro especial para a época que foi lançado assim como disse. Eu acho que leria...gosto desse tipo de livro. Vamos ver.
    Beijos,
    Monólogo de Julieta

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    1. Se tiver a oportunidade de ler, passe pelo meu Instagram para conversarmos sobre ele ;)
      @marcosfrz

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  4. Não li nenhum dos livros do autor, porém já assisti ao filme "Eu, Robô" e, por isso, já espero adorar o livro(muito mais do que o filme)! Não conhecia "Pedra no Céu" e, apesar de você não ter gostado tanto, fiquei querendo ler ele. O que achei interessante nesse livro foi o fato de Asimov explorar esse lado humano(que, aliás, é bem real). Vou ler sim!

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    1. Espero que leia de verdade, apesar dos pontos frascos, não é uma leitura para se desperdiçar. Só uma coisa: o livro "Eu, robo" nada tem a ver com o filme. São coisas totalmente distintas! Mas se vale de consolo, o livro é fenomenal!!

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  5. Oi Marcos, tudo bem? Eu acho que como eu nunca li nada do autor, até seja bom começa com esse, mesmo sendo mais simples e como todas ressalvas rs

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    1. Olá, Mi!! Td otimo! E contigo?
      Seria uma boa estratégia, essa sua! Assim vc começaria por um mediano e avançaria para outros muito melhores. Estou lendo atualmente "O fim da eternidade", dele também, e estou gostando bastante!!

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  6. Olá, Marcos!

    Primeiros livros de um autor nem sempre são os melhores, mas mostram que sua carreira tem futuro. Afinal, se eles não tivessem sido publicados e aclamados em seu lançamento, como a carreira deles iria decolar.
    Mas mesmo sendo um livro mediano em relação a "Eu, robô" e publicado nos anos 50, "Pedra no céu" parece ser bem atual, já que a humanidade ainda tem problemas com falta de confiança, medo e más interpretações. E pelo jeito, mesmo com toda a tecnologia dos dias de hoje, em níveis tão altos como nos tempos da Guerra Fria.

    Um abraço!

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    1. Exatamente, Letícia!!
      Não sou muito de buscar mensagens em livros. Prefiro me ater ao entretenimento que ele me proporciona, mas são esses tópicos que vemos nas páginas.

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  7. Marcos!
    Devo dizer que sou fã incondicional das obras científicas do Asimov, inclusive comecei a gostar de ficção por causa dele que lia desde a infÂncia, entretanto, não li essa obra dele ainda e por ser a primeira, passo a admirá-lo ainda mais, porque se arriscou primeiro em um estilo bem diferente do que faria sucesso no futuro. Isso o torna mais inteligente do que imaginávamos e temos de prestigiar, mesmo que não seja uma obra tão boa.
    “Eu gosto de escutar. Eu aprendi muito escutando cuidadosamente. A maioria das pessoas nunca escuta. “(Ernest Hemingway)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA MAIO – 4 livros + vários kits, 5 ganhadores, participem!
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  8. Olá, Marcos
    Não conhecia esse autor, e confesso que não sabia que o filme Eu, robô é uma adaptação do livro de mesmo nome do autor. Por ser o primeiro trabalho, acredito que o livro fez sucesso na época da primeira publicação, ainda mais levando em conta o período de pós-guerra. Com certeza foi um entretenimento para os leitores, com uma sátira as atitudes egoístas dos humanos. Apesar disso, não é um gênero que sinto interesse em ler, mas não descarto a leitura.
    Beijos

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  9. Ainda não tive oportunidade de ler Eu, robô mas se o filme é bom, o livro deve ser mil veze melhor. Uma pena que este tenha decepcionado, mas pelo menos autor consegue nos mostrar como realmente o ser humanos as vezes poder ser completamente desprezível.

    beijinhos
    She is a Bookaholic

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  10. O livro parece ser impressionante!! Uma trama cheia de riqueza de detalhes, dá para se notar que são vários personagens, mas que os principais são muito bem construídos!! Enfim, uma estória de tirar o fôlego, de ficar na expectativa do que vai acontecer!!

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