18 julho 2018

Resenha: Munique


Hitler está na iminência de começar uma guerra contra a Tchecoslováquia a fim de recuperar um território perdido. Em meio a isso está Neville Chamberlain, primeiro-ministro britânico, que propõe a política da espera, do apaziguamento, e tenta restabelecer a paz no continente europeu. Para alcançar essa paz, Chamberlain assina, em setembro de 1938, o Tratado de Munique, no qual concorda com as reivindicações do ditador alemão, desde que fosse sua última reividicação por território.

O livro é dividido em quatro partes e cada parte narra um dia que antecedeu a convenção onde foi assinado o tratado. Robert Harris é minucioso no seu trabalho de descrever os detalhes desse momento decisivo para a história do mundo e, misturando realidade com ficção, consegue descrever cenários que ambientam o leitor, de modo a quase interagirmos com o que acontece ao redor. Corroborando com isso, ao final do livro temos a vasta lista de obras pesquisadas pelo autor, a fim de garantir o máximo e melhor possível: o clima de tensão, o comportamento das pessoas, descrições fiéis aos vocabulários dos personagens, tudo aparece de forma impecável.

Porém, tanto perfeccionismo acaba atrapalhando. O início do livro é bem monótono, transformando a leitura em um exercício de paciência onde nos perguntamos quando a coisa vai engrenar. Mas engrena! Harris insere personagens e fatos na história que ajudam a melhorar a visão do espectador.

Dois desses personagens são amigos que se conheceram na época da faculdade. Hugh Legat, britânico, trabalha como secretário de Chamberlain. E Paul Hartmann, alemão, trabalha para o Relações Exteriores da Alemanha, mas é, secretamente, claro, um participante de um grupo anti-Hitler. 

Dadas as cartas, começa uma busca desenfreada pela paz. Os personagens têm seus limites testados e comportamentos de honra e traição são colocados em xeque.

Enfim, Munique é uma verdadeira aula de história para quem gosta do assunto. Mesmo com essa mistura com a ficção, grande parte do que nos é apresentado tem um fundo de veracidade, resultando em um trabalho quase excelente, não fossem os momentos de monotonia.

Este é o primeiro livro do autor, portanto não sou apto a dissertar sobre a evolução de sua literatura. Mas afirmo que leria outro livro dele sem problema nenhum!

Sobre a edição: O trabalho da editora também é digno de nota. A capa traz elementos que remetem à época proposta e não causa poluição visual. O título Munique, destacado em vermelho, ainda está liso e em alto relevo. E o mais importante de tudo, as páginas amarelas não trazem erros de digitação ou gramática!


Título: Munique (Munich) - (exemplar cedido pela editora)
Autor: Robert Harris
Editora: Alfaguara
Páginas: 316
Ano: 2018

15 comentários

  1. Oi, Marcos
    Recebi o livro da editora também mas não sou muito fã do tema, até hoje não me dignei a ler a história. Se o começo é lento já me dá preguiça de continuar, mas vou tentar ler mesmo assim.
    Beijos
    http://www.suddenlythings.com/

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  2. Oi, Marcos!
    Esse seu comentário sobre o perfeccionismo me desanimou totalmente. Não gosto de narrativas lentas e pode ser um livro que eu acabe abandonando por causa disso. Mas ainda bem que funcionou para você depois e ainda deu quatro estrelas!
    Beijinhos,

    Galáxia dos Desejos

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  3. Oi Marcos, tudo bem?
    Uma pena que o autor tenha buscado tanto pelo perfeccionismo ao ponto de tornar a narrativa lenta. Ainda bem que mesmo assim você curtiu a leitura e se aventuraria em outro livro do autor. Boa resenha.
    www.docesletras.com.br

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  4. Olá,
    Ainda não li nada do autor, mas tenho certa curiosidade, os livros sempre bastante elogiados. Mas, parece ser uma leitura para absorver aos poucos, espero conhecer futuramente.

    até mais,
    Nana - Canto Cultzíneo

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  5. Oi, Marcos!
    Leitura monótona não rola comigo. Então por hoje eu passo a dica.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  6. Oie,

    Ai, eu amo história, e livros que são baseados nelas. ♥

    Abraços.
    https://submundosliterarios.blogspot.com/

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  7. Oi Marcos!
    Nunca ouvi falar do livro, confesso, mas não me interessei muito pela premissa não. Não faz muito meu estilo.

    Abraços
    David
    https://territoriogeeknerd.blogspot.com/

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  8. Marcos!
    Gosto de suas resenhas porque sempre trazem livros diferentes e que por vezes, como este, nunca ouvi falar.
    Gosto quando o tempo é Hitler, assim podemos aprender sobre os fatos da época e nos compadecermos e agradecermos por não termos vivido naquela época.
    Gosto quando o autor traz um livro que mistura fatos reais e ficção, embora aqui ele tenha cometido o excesso e tornado o livro um tanto monótono, poém, depois que engrena, parece bom.
    Fiquei curiosa em quere ler.
    “É o coração que sente Deus e não a razão.” (Blaise Pascal)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA JULHO - 5 GANHADORES - BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  9. Oi, moço...
    Eu até gosto da temática, mas se a história demora muito pra fluir é mais complicado mesmo, porque o gênero em si já nos traz uma leitura complexa.
    Mas que bom que voce conseguiu apreciar assim mesmo.

    Beijinhos:*
    Sankas Books

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  10. Oi Marcos, tudo bem?
    Esse livro parece ser bem denso, especialmente pelo tema pesado que trata.
    Não o conhecia, mas acho esse período histórico bem fascinante, apesar de muito triste.
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  11. ADOREI conhecer essa livro! gosto demais de histórias do período da segunda guerra então esse já super me interessou!

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido
    www.instagram.com/liviaalli

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  12. Olá, Marcos.
    Eu não conhecia esse livro ainda. E apesar de ter achado ele bem interessante, eu particularmente não leria porque não gosto de livros que são em sua maior parte história. Sou péssima nessa matéria hehe.

    Prefácio

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  13. Bom dia,

    Não conhecia esse livro ainda, achei bem interessante e gostaria de ler ele futuramente, ótima dica...abraço.

    http://devoradordeletras.blogspot.com/

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  14. Oi Marcos,
    Gosto bastante de livros que misturam realidade com ficção, principalmente quando autores se atentam aos fatos para tornar o enredo o mais real possível, como eu gosto do assunto, acredito que mesmo o começo mais monótono seja interessante!
    Tenho pouco conhecimento sobre o assunto, por isso me interessei, como se falava muito sobre honra na época, os personagens colocados em seu limite devem conquistar!
    Gostei bastante.
    Beijos

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  15. Oi! Gosto muito dessa ideia de misturar pessoas e lugares reais, fatos históricos, com ficção. Gosto muito da temática de guerra, ainda mais quando se tem essa imagem de início. Não conhecia o livro e me interessou muito. E foi bom saber que apesar da leitura dar uma travada no início, o autor conseguiu desenvolver e prender a curiosidade no decorrer da leitura. Obrigada pela dica!

    Bjoxx

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