11 setembro 2018

Resenha: A dança da morte


Dez anos depois e continua sendo meu livro favorito.

O cenário de A dança da morte é amplamente pós-apocalíptico, mas seu início é apresentado paralelamente à disseminação do vírus e infecção de 99% da população mundial, mostrando aos poucos os efeitos de uma doença que beija a boca da morte e dança nos braços do vento. Esse início pré-catástrofe serve para que Stephen King nos apresente os personagens que farão parte da história. Origens, comportamentos, estereótipos e necessidades, que posteriormente se encaixarão perfeitamente no contexto. Muita gente pode achar que se trata de uma certa enrolação do autor, mas eu vejo como marco da sua genialidade e capacidade de descrição.

São palavras do próprio King que "sempre quis escrever um romance grande, prolixo e cheio de personagens". Bom... ele conseguiu. Não que A dança da morte seja prolixo, porque, em comparação a "It" e "Sob a redoma", este livro consegue ter uma continuidade de leitura onde não percebemos a enrolação do autor.

Certo...


Tudo se inicia quando uma falha tecnológica no Centro de Epidemias do Departamento de Defesa deixa "escapar" um vírus que em poucos segundos mata praticamente todo o corpo de funcionários. Um segurança em pânico, com medo de ser infectado, foge do local, às pressas, com a mulher e a filha. Mas já era tarde demais. No carro da família, eles viajam milhares de quilômetros até colidirem no posto de gasolina de Bill, deixando pra trás rastros da infecção. Neste posto de gasolina, estão quatro senhores fadados à morte certa mais Stu Redman, um dos personagens principais e imune ao vírus.

Com o mundo literalmente em chamas, dois personagens se destacam. A princípio temos Mãe Abagail, uma senhora de 108, que é a própria voz de Deus. Invadindo os sonhos das pessoas, ela os convida para se juntarem e formarem uma nova sociedade, capaz de combater os perigos do novo mundo. 

Em contrapartida, temos Randall Flagg, também conhecido por O homem escuro, O Andarilho ou O homem sem rosto. Da mesma forma, Flagg se apresenta às pessoas, invadindo seus sonhos e pensamentos e os convida para a formação de uma sociedade mais forte e mais inteligente.

O que o novos leitores de A dança da morte devem ter em mente é que o romance é muito mais do que a simples batalha do bem contra o mal. Trata-se de um livro rico, revestido por uma pluralidade de temáticas que estão invariavelmente impregnadas na sociedade, tanto de antigamente como a atual, ou seja, ela reflete tudo aquilo que vemos e ouvimos no dia a dia. Antes de ser uma obra sobre o sobrenatural, A dança da morte é um passeio em torno da política, religião, acessibilidade, sociedade, família e amor.


Partindo do pressuposto de que a obra é uma divisão entre o bem o mal, podemos citar alguns personagens super importantes para o conteúdo. Personagens esses muito bem criados; refinados, eu diria. Além de Stu, são importantes Fran Gondsmith, Larry Underwood, Glen Bateman, Nick Andros e Tom Cullen (que voga em meus preferidos). Do outro lado, Nadine Cross, Lloyd Henreid e O homem da Lata de Lixo (que também é um dos meus favoritos) figuram entre os principais.

O livro é dividido em três partes, desnecessário dizer, mas é na terceira parte que o fantástico e sobrenatural de King afloram, de forma a condensar a obra. A carga emocional está elevadíssima e conceitos sobre a vontade de Deus, amor e amizade se deslocam para ares mais superiores. Também é nessa parte, claro, caminhando para o final, que temos o verdadeiro embate entre o Bem e o Mal.

Enfim, A dança da morte é elevada sob os moldes de uma trama extremamente bem construída, ladeada por personagens instigantes pelos quais estamos rapidamente afeiçoados. Aqui, nós temos o auge de um autor limpo e focado, na busca de seu melhor; e ele consegue, em seu brilhantismo, criar uma história cadente, cuja escrita transforma o leitor em um verdadeiro espectador.

Uma curiosidade: Quando King e escreveu a primeira versão, os editores não quiseram publicar, alegando se tratar de um livro muito extenso que assustaria o público. Sendo assim, King teve que tirar um de seus personagens e o escolhido foi justamente O Homem da Lata de Lixo. Porém, ao ser publicado, o livro fez tanto sucesso, que rapidamente King fez questão de lançar a versão estendida e reinseriu o personagem. Resultado: o livro mais uma vez foi sucesso de venda!

  

Título: A dança da morte (The Stand)
Autor: Stephen King
Editora: Suma
Páginas: 1247
Ano: 1978 / 2018

13 comentários

  1. UAU, fiquei MUITO curiosa para ler. A gente ouve falar tanto dos livros do Stephen King, mas confesso que não conhecia essa história. Me pareceu ser complexa, inteligente e muito instigante. E eu adoro esses cenários pós-apocalípticos, acho que eu vou gostar!

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    1. Oi, Camila!! Tenho certeza que vc vai gostar! King tem ótimos livros e esse com certeza é uma boa pedida.

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  2. Olá Marcos,

    Eu ainda não li nada do autor ainda, você acredita? Que vergonha....kkk...mas com certeza vou ler e esse pode ser o primeiro dele, fiquei bem curioso e essa capa é aceitável....kkk...abraço.


    http://devoradordeletras.blogspot.com

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Vergonha mesmo kkkkkkkkk King nunca deveria ficar fora das listas dos leitores. Tenho certeza que vai gostar de começar por esse!! A capa é realmente aceitável, eu prefiro muito mais a da antiga Objetiva.

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  3. Oi Marcos,

    Ainda não li nada do King, mas pretendo mudar isso esse ano.
    Esse livro parece ser muito bom, 1247 páginas é muitas páginas rsrs.
    Ainda não qual vou ler dele, mas gostei desse.
    Bjs e uma boa semana!
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    1. Olá, Jessica! Leia sim. Esse livro é grande, mas tem uma leitura bem fluída. Se quiser começar por um menor, sugiro "Escuridão Total sem Estrelas", "A zona morta" ou "Christine" ^^

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  4. Oi Marcos!
    Assim como os outros leitores, também tenho pouca experiência com S King.
    Lembro que li só Cristiane , mas faz muito tempo.
    Não gosto de Terror, mas sei que ele escreve livros mais leves, só suspense.
    Você pode me indicar? Esse que você comentou é de horror, tipo It?
    Obrigada

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  5. Olá!! Olha, "A zona morta" é uma ótima pedida para quem não gosta de terror. Também tem a trilogia Bill Hodges, mas eu, particularmente, achei bem abaixo do nível dele. Acho que não combinou. "Carrie" tbm é legal pra quem não gosta de terror. Também tem "Saco de ossos" e "À espera de um milagre". São os que eu acho "mais suaves" rsrs

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    1. Obrigada! Vou procurar

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    2. Não sei porque não aparece meu nome?
      Obrigada Novamente!
      Gisele

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  6. Oi, Gisele, que agora eu sei o nome ^^'
    Abaixo da caixa de comentários aqui, tem o símbolo do Blogger e está escrito: "Comentar como". À frente tem uma fechinha com as opções. Uma dessas opções é "Anônimo" rsrs para seu nome aparecer, tem que trocar ali!

    Espero ter ajudado =*

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  7. Sei que um dos trabalhos mais famosos do stephen King é de fato "O Iluminado" mas esse livro, vugo A Dança da Morte, é um dos meus favoritos. O cenário pós-apocalíptico foi muito bem construido e o "final" foi inesperado para mim.

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