10 outubro 2018

Resenha: Roma


Um verdadeiro passeio pela história de Roma. Mas não é um livro para quem tem pressa.

Como o próprio nome sugere, o livro relata a história de sete das mais importantes invasões sofridas pela cidade, revelando, através de um conhecimento admirável, as chagas cravadas por toda a extensão do mapa romano e como elas foram responsáveis pela transformação social, econômica e cultural, esclarecendo, a passos miúdos, como Roma se tornou um dos mais importantes polos turísticos ao redor do globo.

Longe de ser um trabalho para curiosos, a obra de Matthew Kneale é inteligente demais para ser lida por um leigo. Datando minuciosamente os acontecimentos, Kneale traça rotas, descreve climas, cidades e busca nomes escondidos nas mais recônditas frestas da história romana.


Com uma linguagem acadêmica, mas com um toque de informalidade, o autor viaja a fundo para nos trazer, com destreza, todas as informações necessárias, de modo a promover-nos maior entendimento acerca das invasões. Essa minuciosidade, porém, talvez seja o "pecado em excesso" do autor. A linguagem apurada somada ao excesso de descrição torna a leitura um tanto cansativa, distanciando o leitor daquilo a que se propõe o trabalho, o que não o torna menos digno de ser lido, uma vez que grande parte desse passeio nos serve também para conhecer sobre a arquitetura (que nós sabemos que é riquíssima), religião, engenharia, filosofias de vidas e, claro, estratégias militares, além dos personagens alistados para cada epopeia.

"Mas a habilidade dos romanos com o concreto também produziu grande beleza. O templo do Panteão, construídos pelo imperador Adriano três séculos antes de os visigodos de Alarico marchassem sobre Roma, usou de modo magistral esse material. Seu domo, com enorme buraco circular no centro, foi engenhosamente construído com misturas de concreto que eram cada vez mais finas à medida que o domo subia e ficava mais leve", p.54.


"No entanto, o trabalho mais importante para colocar Roma firmemente no topo da hierarquia cristã - pelo menos depois de Jerusalém - já fora feito muito antes. Em algum momento imemorial durante os anos mais tumultuados do começo do cristianismo, os bispos de Roma reinvidicaram para si uma autoridade única. Traçaram seu ministério diretamente até o próprio Jesus, através do primeiro bispo da cidade, São Pedro, a quem se diz que Jesus ungiu. Não era de admirar que São Pedro tivesse a maior igreja de Roma", p.60.

"O quartel Macao no Castro Pretório (...) foi explodido juntamente com a fábrica da Fiat na Via Manzoni, a central telefônica e vários pátios ferroviários. Mais teria sido destruído se não fossem alguns romanos rápidos que reagiram e desativaram os detonadores. Até mesmo árvores nos principais bulevares haviam sido plantadas com minas que, felizmente, os alemães não tiveram tempo de detonar", p.356.


Em suma, "Roma: uma história em sete invasões" é um livro que precisa de um mínimo conhecimento prévio para que o leitor não se perca nas páginas, visto que a enormidade de personagens e lugares de nomes de complicados pode de fato complicar a vida do leitor.

Ademais, a editora Vestígio, mais uma vez, lança a público um trabalho belíssimo. Cada capítulo, cujo conteúdo traz uma invasão específica, é iniciado por um mapa da Roma desenvolvida à época da invasão. Além de muitas figuras e imagens de quadros famosos que retratam a calamidade das investidas. O centro do livro porém, é composto por uma papel mais resistente que traz muitas outras ilustrações, fotos e quadros, impressos coloridos.

Outras fotos:



 

Título: Roma - Uma história em sete invasões (exemplar cedido pela editora)
Autor: Matthew Kneale
Editora: Vestígio
Páginas: 399
Ano: 2018

4 comentários

  1. Seus posts, como sempre, maravilhosos!

    Passa no blog que tem resenha musical nova.

    Abraços,

    Jennifer.

    http://entrelinhasentrepautas.blogspot.com.br

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  2. Olá Marcos,
    Apesar de ser bem leiga nesse conteúdo, me interessei bastante pelo livro. Sem dúvidas é uma obra de arte, e como acho Roma um lugar belíssimo, e cheio de mistérios, pretendo ler. Imagino que terei que absolver todo o livro, e com pesquisas, mas isso só torna a leitura mais gostosa.
    Beijos

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    Respostas
    1. Olá, Vitória! Que bom que se interessou pelo livro. O livro é realmente muito rico, mas um conhecimento prévio ajuda a entender bem mais!

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