12 novembro 2018

Resenha: O leitor


Olá,

Sabe quando a gente coloca expectativa demais em uma leitura e se decepciona? O problema pode muitas vezes estar no livro; na sua construção, no seu enredo, nos personagens... mas muitas vezes está exclusivamente ligada à expectativa que você criou em cima do livro. Esse infelizmente foi o meu caso: quando resolvi ler O leitor estava com as expectativas la no céu, e quando de fato o li, foi um tanto quanto ok.

Começou já no primeiro capítulo: excesso de descrição de cenário. Esse é um item que até hoje me deixa muito entediada em livros. Não me entenda mal, adoro saber do local. Mas não preciso saber de cada pedra que temos na rua (a não ser que essa pedra venha a desempenhar um papel importante no enredo).


Por sorte, logo em seguida o livro começou a acontecer: nosso personagem principal, Michael Berg, fica muito doente no meio da rua e é acudido por Hanna Schmitz. Ela o limpa e o leva para casa. Quando fica melhor, os pais de Michael pedem que ele vá até a casa de Hanna para agradecer pessoalmente a ajuda. Na casa, uma cena sensual se desenrola e Michael fica dias pensando em Hanna, sonhando com ela, imaginando-a de diversas formas, sem paz, decide então ir novamente visitá-la.

A partir daí ambos desenvolvem uma relação sexual incomum, afinal, Michael tem 15 anos e Hanna tem quase 40. As visitas à Hanna se tornam diárias e com o tempo Michael precisa ler para ela antes das relações, é um pedido incomum, porém não desagrada Michael que é um leitor assíduo. No decorrer da narrativa, ambos desenvolvem sentimentos amorosos, porém, percebemos Hanna como uma pessoa mais distante, inatingível e um pouco desequilibrada emocionalmente, tendo inclusive alguns acessos violentos contra Michael, o jovem e inexperiente fica sem saber como agir, acabando sempre se humilhando e redimindo para ter sua Hanna de volta.


Nesse trecho do livro, percebemos como Michael está mais maduro e confiante em relação a seus amigos e principalmente com relação às garotas, quando seus amigos têm receio de se misturar com elas, Michael chama a atenção e se destaca.

Certo dia Hanna some. Nosso garoto fica transtornado e perde o gosto pela vida, se isola da família e dos amigos e resolve rastrear Hanna nos locais que frequentava: no trabalho, na casa, nas redondezas, porém, não a encontra.


Este é um livro bom, porém, eu esperava mais: mais histórias sobre o que Hanna fez, mais histórias sobre a guerra, mas entendo agora que este não era o foco do livro. Uma coisa que chamou muito minha atenção foi o fato de Hanna ter “estragado” Michael para seus relacionamentos futuros. Acredito que o fato dele ter iniciado sua vida sexual bem cedo, com uma pessoa muito mais experiente e que sabia manipular seus sentimentos, acabou o marcando para sempre. Diversas vezes temos a descrição de Michael comparando suas atuais parceiras com Hanna Schmitz, e todas acabavam sendo rasas e simplórias.

No geral é um livro bom, leitura recomendada sim, senhor.

Abraços.





Título: O leitor
Autora: Bernhard Schlink
Editora: Record
Páginas: 240
Ano: 2008

10 comentários

  1. Oi Silvana!
    Já li O leitor e tbm achei um bom livro, apesar de algumas ressalvas parecidas com as suas.
    Nunca vi o filme, vc já?
    Bjs
    https://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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  2. Olá Silvana,
    Nossa, não acredito que não conhecia esse livro até então, confesso que gostei muito do enredo, achei original.
    Uma pena você ter se decepcionado, expectativas são assim mesmo, ainda assim, me animei em buscar essa leitura... Acho uma relação completamente doentia dos protagonistas, e o fato de gostar da história, é que quero tentar entender o personagem, no caso, a Hanna, conhecer mais sobre o que se passa em sua mente, pelo visto o autor não focou tanto nisso.
    Infelizmente descrições enormes tendem a deixar tudo cansativo...
    Beijo

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  3. Puxa, acabei vendo a adaptação já tem um tempo,mas confesso que nem me recordava do livro. Mas como sou fã de detalhes, talvez o livro funcione para mim. Gosto desta descrição até certo ponto, exagerada de cenários e personagens.
    Mas criar expectativas é isso mesmo.rs Por isso sempre tento não as criar(apesar da gente saber que é quase impossível)
    Mesmo assim, com estes pontos negativos, se tiver oportunidade,quero sim, ler esta obra!!!
    Beijo

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  4. Oi! Bom, confesso que cenas descritivas demais também são uma barreira pra mim, acho que tem um certo limite. Até então tinha achado um pouco interessante a premissa do livro, mas fiquei totalmente desinteressada ao ler que um garoto de 15 anos começou a se relacionar sexualmente com uma mulher de quase 40. E teria a mesma reação se fosse ao contrário. Minha tolerância para enredos assim acho que nunca existiu. Enfim, agradeço a resenha, mas acredito que eu não vá ler esse livro tão cedo..

    Bjoxx

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  5. Silvana!
    Acredito que o maior problema de irmos com grandes expectativas para a leitura, é justamente esse: o livro por vezes não é tudo aquilo que esperamos...
    Tenho a impressão de ter assistido um filme com esse mesmo enredo, nem sabia que tinha um livro.
    Gosto de livros descritivos, mas é bem como falou, quando a descrição terá algum sentido para toda a trama.
    Desejo uma ótima semana!
    “A ambição é louvável quando acompanhada pelo desejo e pela capacidade de fazer felizes os outros.” (Paul Holbach)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA NOVEMBRO - 5 GANHADORES – BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  6. Eu ouvi falar muito desse história há um tempo atrás, inclusive acho que esse é o livro que foi adaptado para o cinema, certo?
    Acho o enredo bem interessante, apesar de não ter muitos elementos além do relacionamento entre os protagonistas e o efeito que isso causa em ambos, principalmente no garoto. Apesar de ser uma trama que desperta curiosidade, não sei se esse aspecto "romântico" seria suficiente pra me manter presa ao livro.

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  7. Concordo perfeitamente como que você escreveu sobre que às vezes quando livro não supera as expectativas é por causa do leitor e eu li esse livro para uma leitura coletiva que eu faço parte e eu também me irritei muito com o excesso de descrição do cenário era para ser uma coisa boa mas acabou estragando a leitura e o desenvolvimento da história eu achei muito fraco

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  8. Para mim não é uma história para livros, pois acho muito cansativa, mas o filme foi muito bom, perfeito e muito emocionante. Recomendaria somente o filme.

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