19 junho 2019

Resenha: Carta à rainha louca




Olá,

O livro Carta à rainha louca conta a história da vida de Isabel das Santas Virgens, através de uma carta (que no final é escrita em várias épocas diferentes e aparentemente nunca foi enviada) à rainha Maria I, também conhecida como a Rainha Louca. 

Isabel está confinada em um convento em Olinda, e nas suas longas cartas à rainha ela narra as tristezas e desagrados que lhe ocorreram e que presenciou ao longo dos anos de sua vida. Atos sempre cometidos em nome da coroa, em nome da rainha, e como a narradora promete, ela conta “toda a verdade sobre o que em Vosso nome se faz nestas terras e a mim me fizeram.” Como podemos deduzir, mulheres, escravizados e os mais vulneráveis são o alvo dessas tristezas.


O ano é de 1789, e o cenário é o da colonização brasileira, Isabel inicia sua carta de forma lúcida, porém, com a escrita um tanto repetitiva. Recorda seu nascimento, a perda da mãe e sua repentina adoção pela dona da casa onde o pai trabalhava, para ser a companheira de brincadeiras da pequena Blandina. Recorda um certo moço, ao qual acusa tê-las seduzido e desgraçado suas vidas, porém, sem dar maiores detalhes inicialmente, pois, segundo ela, a mesma está naquela situação de reclusão e exílio, por culpa do galanteador. Acusa-o também de ter causado a repentina loucura na sua querida Blandina e em si mesma. 

Ficamos sabendo dessa forma que Isabel é tida como louca e está em uma sala isolada de qualquer contato humano, porque resolveu ser diferente, por saber ler, por pensar, por desafiar, por questionar. Se pensarmos que nessa época fazer sexo anal (pecado nefando) era considerado crime, com pena de cadeia para os envolvidos, não era preciso muito para ser considerado anormal, bastava querer ser alguém, bastava mostrar um bom trabalho para você ter feito pacto com o diabo, ou algo do gênero, com isso, lembramos que a igreja mandava muito na vida das pessoas e era considerada autoridade máxima.


Como podemos imaginar, este é um livro que aborda bastante as injustiças cometidas contra as mulheres. E, se hoje em dia lutamos por respeito e igualdade para as manas, estes eram temas que nem sequer eram sonhados no Brasil de 1.700. Mulheres eram tidas como seres inferiores que deveriam servir. Um exemplo disto é quando Isabel, por ter o conhecimento da leitura e da escrita aprendido nos longos anos ao lado de sua querida Blandina, consegue obter uma renda vendendo versos e poemas nas ruas. 

O problema, porém, é que ela precisa se vestir de homem para isto, visto que uma mulher jamais teria respeito naquele ambiente masculino. Ela assume uma identidade masculina, e com o passar do tempo, não somente os serviços de recados e poemas são solicitados a ela, mas também a falsificação de documentos, que é quando ela começa a ganhar bastante dinheiro e a cogitar a possibilidade de ter um dote e se tornar uma candidata a um bom casamento. 

Sua felicidade infelizmente dura pouco, pois é descoberta e presa. Parecia que naquela época a mulher só tinha três opções: ser escrava de alguém e servir esta pessoa até os fins dos seus dias; se tiver um bom dote, se casar e servir ao marido até o fim dos seus dias; ou, se não é escrava, e não tem dote para ser esposa, simplesmente virar prostituta e servir aos homens até o fim dos seus dias. Diante disso, concluímos que os caminhos poderiam até ser diferentes, alguns mais árduos, outros um pouco mais leves, mas o destino era sempre o mesmo: servir aos homens.


Com o tempo, percebemos que a forma como Isabel escreve melhora muito, mas que ela começa a divagar demais e a demorar para concluir pensamentos. Por diversas vezes, confunde e mistura alguns assuntos e lamenta muito a partida de sua querida Blandina. É quando começa a narrar a história do jovem galante que as desgraçou. Sempre juntas, as meninas constantemente iam brincar perto do rio, e certo dia encontram por lá um moço tocando seu violão. Um jovem muito bonito, com uma voz maravilhosa, que imediatamente conquista as duas. 

Percebemos que este foi seu objetivo desde o início, pois o mesmo se coloca em um pedestal, contando histórias extravagantes sobre ser um herdeiro desfortunado, traído por sua família e por isso agora se encontra em posição inferior, sem dinheiro, mas com muitas aventuras na bagagem. Como era de se esperar, ambas se apaixonam pelo rapaz, mas somente Blandina avança em direção ao amor; Isabel, sempre desconfiada e vivendo na sombra, permanece ao lado da melhor amiga, sempre a apoiando, até mesmo quando não deveria.


Nos capítulos finais, percebemos que Isabel não está bem, foi tomada pelo desespero e pela tristeza, menciona mais algumas coisas que viveu, mas o fim da carta se aproxima, e, com ela, a incerteza se ela será lida pela rainha, destinatária da mesma. 

Este é um livro bom e interessante, o problema é que a autora divagou bastante sobre pouco assunto. Apesar desta ressalva, recomendo, pois fornece um panorama mais claro do início do nosso amado Brasil, sem falar que é um bom livro sobre os caminhos difíceis enfrentado pelas mulheres desde sempre.

Abraços.



Título: Carta à rainha louca (exemplar cedido pela editora)
Autor: Maria Valéria Rezende
Editora: Alfaguara
Páginas: 144
Ano: 2019

13 comentários

  1. Amei esse seu texto, realmente é um dos melhores blog que estou acompanhando. Suas postagens são excelente! Parabéns!

    Já até salvei em meus blogs favoritos ❤️..

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    1. Oi Fernanda,
      Que querida *.* muito obrigada pelo carinho
      Abraços

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  2. Olá Silvana,
    Conheci esse livro esses dias, e fiquei bem empolgada para ler ele.
    A capa é muito bonita e a história parece ser muito interessante.

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    1. Oie Theresa,

      também gostei da capa e a edição esta com uma diagramação muito boa. Adorei a descrição do panorama histórico brasileiro :)
      abraços

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  3. Olá! Achei a premissa do livro bem interessante, apesar de não ser o tipo de leitura que eu estou acostumada a fazer. É tão triste que naquela época quem ousava ser diferente, quem questionava, infelizmente era tido como louco e estava sujeito a morte. Vou procurar mais sobre o livro e espero poder fazer a leitura dele. Obrigada pela indicação! Beijos!

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    1. Olá Rayssa,
      acho que ainda hoje quem é mais diferentão é julgado, graças a Deus não é mais preso e condenado ne?
      Boa leitura.
      beijos

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  4. Silvana, me apaixonei pelas suas fotos nessa postagem, principalmente pelo cachorrinho. kkkk
    Quanto ao livro, não me fisgou. Achei que ficou tudo muito vago. Uma carta escrita à rainha somente como desabafo? E, o quanto disso poderia ser verdade já que a personagem parece estar divagando tanto? A capa é muito interessante. Pode ser que um dia ainda dê chance a essa leitura.

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    1. Oi Nil,
      meu dog é um fofo mesmo. E um metido kkk ta sempre se enfiando nas fotos :)
      pois é, sempre ensinam que devemos desconfiar quando o livro é narrado em primeira pessoa ne? o problema é que nao tem mais ninguem pra dizer que ela ta mentindo, que o que ela escreveu não é verdade. Então voce acredita, ou acredita... porque é isso kkkk
      Se ler, volta aqui e me conta o que achou :)

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  5. Eu não fazia ideia que este livro era tão pequeno assim(falo em número de páginas)mas cá entre nós, que conteúdo!
    Narrar a vida, a crueldade sempre imposta as mulheres desta forma. Tá, pode até ter sido cansativa a parte da narração,mas eu? Adoro! rs
    E com certeza, quero demais conferir esta obra o quanto antes!!!
    Beijo

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    1. Oieee,
      se achou interessante entao se joga, porque tenho certeza de que você vai curtir!
      Beijo

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  6. Oiii ❤ É triste saber que naquele tempo mulheres e escravos eram que mais sofriam, era tão desumano as crueldades que eles tinham que suportar.
    É terrível saber que só porquê Isabel queria ler, pensar, ter conhecimento ela era julgada e tida como louca. Ruim saber que muitas pessoas que aspiravam mais do que a sociedade impunha sofria.
    Acho que isso de a autora divagar bastante, pode me incomodar muito ao fazer a leitura, pois me canso rápido quando esse tipo de coisa acontece. Mas mesmo assim gostaria de fazer essa leitura ❤

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  7. Olá!
    Um livro e tanto em. Tem uma premissa boa e a historia que ela é aborda realmente é interessante. Nessa época vemos como as mulheres eram inferiores e tinha sempre o mesmo papel servi aos homens e ainda mas tinha que se preocupa como a sociedade iria ver. Fiquei bem curiosa em ler!

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