28 agosto 2019

Resenha: Algo sinistro vem por aí


James Nightshades e William Halloway são amigos e vizinhos, mas possuem uma outra coincidência peculiar entre si. James, também conhecido por Jim, nasceu no dia 30 de outubro, um minuto antes da meia-noite. Will, no dia 31 propriamente dito, apenas um minuto após a meia-noite. Compartilhavam a noite de Halloween como um presente para os dois.

E foi, talvez, essa coincidência um tanto estranha que os juntou para as aventuras que estavam por vir.

Sentados tranquilos em frente de suas casas, os amigos avistam um estranho que desce a rua. Para em frente a eles e pergunta se eles têm dinheiro. Os amigos afirmam que não, mas mesmo assim o estranho lhes dá uma de suas mercadorias. O homem era um vendedor de para-raios. Ele afirma que uma tempestade se aproxima e diz para Jim colocar logo o para-raios sobre sua casa, pois ela certamente seria atingida por um. Mas ele não queria instalar o objeto porque dizia que estragaria toda a diversão. Will, então, o obrigou e fez praticamente todo o trabalho sozinho.

Algumas noites depois, às 3 da manhã, os meninos olhavam pelas janelas de suas casas quando o parque de diversões chegou à cidade. Entusiasmados, correram, mesmo de madrugada, para acompanhá-los e presenciar a instalação dos brinquedos e das tendas. Mas logo perceberam que havia alguma coisa estranha com aquele parque. Os panfletos eram muito chamativos, as atrações vibravam em uma energia incomum. Os personagens, os donos do parque, tudo possuía algo de estranho que arrepiava os braços dos garotos.


Então, numa tarde, os garotos viram... viram uma coisa que jamais poderia ser esquecida. Eles precisavam avisar alguém, os adultos, a polícia, outras autoridades. Mas quem acreditaria neles? Algo muito, muito sinistro, vinha por aí.

Ray Bradbury nos conta uma história bastante original: um terror suave, muito mais psicológico do que sanguinário, mas que analisa friamente os fenômenos emocionais de suas personagens.

A narrativa começa cativando a sua curiosidade. Bradbury vai inserindo aos poucos elementos fantásticos, demarcando o território e preparando o terreno para o show maior. Ele explica muita coisa, nos apresenta personagens importantes para o desenrolar da história e nos presenteia com algo além de uma introdução muito bem elaborada.

Contudo, como numa montanha-russa (o trocadilho infame foi proposital), a história perde uma cadência incrível e passa a ficar extremamente monótona em se tratando de ação e terror. Isso porque é nessa hora que o autor para para fazer análises de como os seres humanos são diante de algo que não conhecem. E vai muito além, dissecando substantivos abstratos como o amor, a amizade, a felicidade e o medo.
“- Então aprenda uma coisa. Às vezes, o homem que parece ser o mais feliz da cidade, aquele com o maior sorriso, é o que carrega o maior fardo de pecados. Existem sorrisos e sorrisos, e é bom você aprender a distinguir os alegres dos sinistros. O falador, o sujeito que vive dando gargalhadas, metade do tempo está fingindo. Ele se divertiu e se sente culpado. Porque os homens adoram pecar, Will, ah, como gostam, não duvide, de todos os modos, formas, tamanhos, cores e cheiros [...]”, p.126-7.

A partir daí, porém, a história ganha novos contornos, pois o autor dá espaço para introduzir os personagens que fazem parte do parque sinistro. Logo, ele deixa a história mais interessante ao passo que continua fazendo essa análise psicológica dos protagonistas, isso porque os estranhos personagens do parque lutam diretamente contra os sentimentos dos garotos, seja esse sentimento algo negativo ou positivo. Dessa forma, Jim e Will devem lutar contra as atrações do parque ao mesmo tempo que lutam contra a lavagem cerebral que eles tentam fazer. Ou seja, tudo é perfeitamente construído, desde a caracterização dos garotos até a construção do medo que sobressai sobre o ambiente. Cada personagem tem um jeito próprio de agir e instigar o medo no leitor.

A história não é dada a reviravoltas ou detalhes que tenhamos esquecido que voltam e nos surpreendem no final, mas é cheia de surpresas agradáveis, diferentemente do que estamos acostumados nas histórias de terror. Principalmente no que diz respeito à cautela dos protagonistas.

Não tenho muito conhecimento para falar de muitas características do autor, visto que dele li apenas “Fahrenheit 451”, que, por sua vez, numa comparação com “Algo sinistro vem por aí”, é totalmente diferente. O primeiro é uma história curta, um tanto complexa e com uma temática ao mesmo tempo peculiar e sensível, enquanto que este tem uma linguagem bastante acessível, apesar de alguns leves devaneios do autor, o que somado aos capítulos em sua maioria curtos, resultam numa leitura bem gostosa e fluida.


Título: Algo sinistro vem por aí (exemplar cedido pela editora)
Autor: Ray Bradbury
Editora: Bertrand Brasil 
Páginas: 265
Ano: 2019

21 comentários

  1. Puxa, primeira resenha que leio deste livro e vou confessar que não me recordo(apesar da minha memória ser um fiasco total) de o ter visto pelo mundo literário.
    Engraçado que fui lendo a resenha e visualizando tudo na mente, oh, daria um enredo de filme facinho, facinho..rs
    Gostei de saber que há tipo duas histórias dentro de uma história só. A parte do suspense, deste homem misterioso, do parque de diversões macabro(me recordei de Horror History),mas também há esta cumplicidade dos garotos e a parte humana da questão.
    Um jeito diferente de conduzir um enredo e isso é maravilhoso!
    Com certeza, vai para a listinha de desejados e quero já poder conferir!!!
    Beijo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Na verdade esse livro não é novo, a Record fez uma reedição. Mas confesso que também não o conhecia. Mas valeu a pena conhecer. A história é bastante interessante e movimentada.

      Excluir
  2. Não pude deixar de pensar na expressão Something Wicked This Way Comes ♥ (será q esse é o titulo em ingles?) .. essa capa é maravilhosa e, pela resenha, o livro parece ser maravilhosooooo.. eu nunca pesquisei outros livros do autor, mas eu amo Fahrenheit 451!!! Eu não sou de ler Stephen King, mas como vc disse, é um terror suave.. já amei kkkkk
    Esse com certeza vai pra minha lista de leitura... e vai furar fila!! kkkkkkk

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Acabei de pesquisar e esse realmente é o titulo do livro em ingles kkkkkk
      Não consigo tirar a musica de HP 3 da cabeça kkkk

      Excluir
    2. Oi, Yara! É esse o título original mesmo rsrs e de fato é uma história muito boa. Mas infelizmente não tenho conhecimento a respeito do universo HP pra saber do que vc está falando =\
      Em todo caso, vale a pena conferir o livro

      Excluir
  3. Olá! Engraçado isso, quando nossa experiência com o mesmo autor acaba por ser completamente diferente. Conheci o autor pela obra Fahrenheit 451 e mesmo antes de ler a resenha já tinha criado expectativas em relação a este livro, e confesso que a parte que me deixou mais feliz é saber que não vou encontrar tanto terror (risos), ao menos sanguinário.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Elizete. É uma coisa totalmente diferente de Fahrenheit. Muito bom mesmo. E pode ficar tranquila que o terror que o autor coloca aqui é uma coisa bem sutil.

      Excluir
  4. Eu tenho Fahrenheit 451 mas ainda não li. Por isso não conheço a escrita do autor.
    Achei fantástica a maneira como o autor introduziu o lado sobrenatural e as crianças tendo que enfrentar tudo. Quero muito ler. Amo quando os autores devaneiam e deixam um excelente resultado no final.
    Fiquei muito curiosa principalmente por conter parque de diversões. Acho que fica bem assombrado.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Nil. Sugiro que faça logo a leitura de Fahrenheit, é uma distopia muito interessante.
      Como eu disse, não dá pra fazer uma comparação, então só lendo os dois mesmo para ter uma noção do que é cada um.

      Excluir
  5. Olá! Ainda não conhecia o autor, mas tenho a impressão de que já me deparei com esse livro alguma vez. Achei o título bem interessante e chamativo, parece ter tudo a ver com a história.
    Achei a premissa interessante e a existência de um parque sinistro também, mas ainda não sei se faria essa leitura, já que não gosto de terror, mesmo que o terror nesse livro seja mais voltado para o psicológico do que para o sanguinário.
    Beijos!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Rayssa!
      O livro não é novo mesmo. É uma reedição feita pela Record. Acho que eles acertaram em cheio. Tanto na história quanto na edição no todo. É um livro bom, sem contar que tem uma capa que condiz muito bem com a história.

      Excluir
  6. Oiii ❤ Eu nunca ouvi falar desse livro, mas agora que sei do que se trata, fiquei bem curiosa. Acho que esse parque é o mais sinistro e bizarro de todos rsrsrs.
    Estou curiosa para saber o que os garotos viram que os deixaram tão assistidos a ponto de quererem chamar a polícia.
    Gostei da capa, ela lembra bem as cores de um parque/circo, só que mais sombrio. Mas ainda assim, é bem bonita.
    Não costumo ler terror, então estou em dúvida se leria esse livro. Mas é bom saber que é uma trama bem construída.
    Beijos ❤

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Rayane! Te garanto que esse parque é bem sinistro. Hahaha e o que os garotos viram é ao mesmo tempo tentador e assustador. Hehe
      Confere lá! Garanto que vai gostar!!

      Excluir
  7. Olá!
    Não tinha conhecimento do autor mas já tinha visto esse livro por aí. A história é interessante, me deixou bastante curiosa por ele. A trama me deixou bastante intrigadas pelo que os meninos viram, o que será? Espero muito ler!

    Meu blog:
    Tempos Literários

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Lily! O autor é bastante conhecido, por isso quis ler esse livro. Acertei!
      O livro é muito bom e se vc gosta do gênero, garanto que vai prender sua atenção.

      Excluir
  8. Parece interessante. Na verdade prefiro quando o autor explora o lado psicológico, acho muitas vezes mais assustador do que o terror propriamente dito, como estamos acostumados. Quando a trama boa nem há necessidade de tantas reviravoltas, a gente acaba se deliciando com a própria narrativa.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Evandro! Concordo com você. Às vezes um terror psicológico é muito melhor que um terror físico. E a trama desse é bem trabalha, ele consegue explorar bem esses dois lados. Vale a pena, viu?!

      Excluir
  9. Oi, Marcos
    Ainda não conheço a escrita do autor e tenho muita curiosidade para ler.
    Gostei muito da trama que envolve parque de diversões, dois garotos e sobrenatural que eles enfrentam. Parece ser uma leitura envolvente com várias reviravoltas.
    Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Luana! É uma leitura bem envolvente, sim. Acabamos criando carisma pelos meninos e torcendo muito por eles.
      Como não conhece o autor, sugiro que leia Fahrenheit 451 tbm. É totalmente diferente, mas é um livro ótimo.

      Excluir
  10. Oi!!Eu já li algumas coisas do autor e pra mim todas tem esse ar de moonotonia e tals, o que não me surpreende. Mas parece ser um livro bom e eu leria mesmo assim hahaha Me lembrou um livro de vampiro que eu li quando era adolescente, mas não consigo me lembrar o nome no momento. Mas é tipo isso, circo chega, os amigos vão ver e etc um deles acaba virando um vampiro hahahaha

    ResponderExcluir
  11. Olá!! Não conheço essa história de vampiro rsrs e como disse, só conheço Fahrenheit 451 dele. Concordo que chega a ser um pouco monótono, mas esse é diferente rsrs

    ResponderExcluir

Gostou da postagem? Deixe um comentário. Se não gostou, comente também e deixe a sua opinião.
Se tiver um blog deixe o endereço e retribuiremos a visita.
Aproveite e se inscreva nas promoções e concorra a diversos prêmios.