22 outubro 2019

Resenha: 2001 - Uma odisseia no espaço


Quantas gerações se passam nesta história?

Numa época vivida ainda pelos nossos (possíveis) ancestrais homens-macacos, o que ainda domina é selvageria sem palavras. Ainda aprendendo a caçar e se defender, por meio de gestos e ações que definem suas atitudes, os homens-macacos vão lutando pela sua sobrevivência. Mas algo imprevisto acontece. Uma placa de aço, metal, afinal, o que seria aquilo?; um cristal escuro, no formato de um retângulo, de aproximadamente 3 metros de altura, aparece da noite para o dia, causando alvoroço entre os homens-macacos. Mas não é só alvoroço que ele causa. Após sua aparição, os homens-macacos tornam-se mais inteligentes e vão assumindo características que levam à sua evolução.

Passa-se, então, um salto de milhões de anos e a humanidade agora é capaz de viagens interplanetárias extremamente distantes. A missão dessa vez é chegar até Saturno. Mas, qual é o verdadeiro objetivo dessa missão? Por que os atuais selenitas deveriam manter tudo em segredo?

"2001 - uma odisseia no espaço" não é um livro que se possa dizer que é instigante do início ao fim. Ele começa com uma pegada bem interessante e chamativa, que cativa a curiosidade do leitor, mas após a primeira parte, a história toma um novo rumo, mostrando ares bem teóricos a respeito de uma viagem interplanetária, perde cadência e deixa o conteúdo um pouco cansativo.


Não obstante, e apesar da linguagem simples, toda simbologia que envolve o livro é muito além daquilo previsto para a época, o que denota a inteligência e a visão futurista do autor, o que, por sua vez, insere o livro no patamar de fenômeno e o coloca na prateleira dos clássicos.

Contudo, é perceptível a tentativa de o escritor manter uma história linear cujos acontecimentos não se percam em pontas soltas. Dessa forma, mais uma vez, o texto perde proporções em itens de ação e deixa a leitura monótona.

Perto do fim, porém, o livro ganha novos contornos e conforme se vão sendo revelados os segredos, uma miríades de acontecimentos inacreditáveis tomam conta das páginas, deixando o leitor satisfeito com o final, uma vez que toda a situação-problema faz encaixar o início (até então incompreendido), com o desfecho (aparentemente sem explicação).

Apesar da grandiosidade do livro, eu, particularmente, não posso dizer a mesma coisa a respeito da adaptação cinematográfica. Assisti ao filme na marra e ao final fiquei com a impressão de ter perdido duas horas e meia da minha vida a toa. As cenas são demoradas, desnecessárias, a falta de diálogo é estressante e a trilha sonora é insuportável. Pra quem não leu o livro, é uma história complicada, de difícil interpretação e sem muito sentido. Além disso, para quem sofre de epilepsia, as imagens finais podem ser um problema sério.



Título: 2001 - Uma odisseia no espaço (2001 - a space odyssey)
Autor: Arthur C. Clarke
Editora: Aleph
Páginas: 330
Ano: 2013

11 comentários

  1. Então...rs
    Eu acabei vendo o filme muito antes de ler a obra e hoje lendo a resenha acima, fiquei feliz de não sentir tudo isso, sozinha na época.
    O filme é arrastado, parece que tudo ali é forçado e não leva a lugar nenhum. Triste? Sim. Pois a danada da história tinha potencial se não fosse uma bagunça do começo ao fim.
    A sensação que dá é que o começo e o fim precisam estar ali, mas o meio? Não!
    Uma pena..
    Beijo

    Rubro Rosa/O Vazio na flor

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    1. Olá!! Fico feliz em não ser o único a não gostar de "tão grandioso" filme está
      Mas é exatamente o que vc disse, tinha tudo pra ser ótimo, mas não seguiram o roteiro do livro!! Triste!!

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  2. Marcos!
    REconheço que suas observações sobre o livro ser um tanto confuso e lento no início, são verdadeiras. Entretanto, todo desenrolar do livro e a própria ficção criada pela genialidade de Arthur Clarke, para mim, foi um grande presente para os leitores aficcionados pela verdadeeira genialidade da ficção pura, como costumo chamar.
    cheirinhos
    Rudy

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    1. Olá, Rudy! Eu concordo com você! A história criada por ele é magnífica, mas ele precisa explicar muitas coisas e essas coisas acabam deixando o texto lento. Mas em se tratando de história, é perfeita!!

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  3. Olá!
    Confesso que não é o tipo de leitura que me chama a atenção, apesar das inúmeras críticas positivas, também não assisti ao filme.
    Me parece ser uma história que se desenvolve em um ritmo lento, gosto do fato da história estimular o processo de interpretação, talvez dê uma chance futuramente a ele por conta disso.
    Abraço!

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    1. Oi, Samanta! Às vezes a impressão que eu passei pode não ter sido muito boa. Tenta dar uma chance pra ele, sim, e tire suas próprias conclusões.

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  4. Olá!
    Eu nunca tive coragem de assistir ao filme, mesmo gostando demais de Kubrick. E pelo jeito o livro, apesar de ter uma edição lindona, seria aquele que ficaria na minha estante depois de ser abandonado. Não da para negar a influencia dele (livro e filme) para a cultura pop e de ficção cientifica, mas é para poucos.

    Silviane, blog Memento MoriParticipe do Top Comentarista de Outubro

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    1. Olá, Silviane! Eu, particularmente, acho o Kubrick superestimado. São poucos os filmes dele que eu gosto. Um deles é Laranja Mecânica, que achei bastante fiel ao livro. Em todo caso, se eu fosse vc, não perderia tempo com o filme. Vale muito mais a leitura!!

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  5. Oi!
    Sempre fui deixando para outra hora para assistir ao filme. Hoje, na faculdade, muitos professores meus passam referências com base na história. Me arrependo de não ter assistido (mas ainda não o vi, preguiçaaa). Mais preguiça que ver a adaptação é ler o livro, pelo menos o filme acaba mais rápido kkk

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  6. Olá!
    Gosto bastante de ficção cientifica e todas as coisas que envolve esse assuntos. Adorei bastante o livro, não tinha conhecimento dele e gostei em saber porque agora fiquei com uma curiosidade sobre a trama.

    Meu blog:
    Tempos Literários

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  7. Oi, Marcos
    Tenho lido algumas ficções científicas, mas não tenho certeza se leria o livro.
    Nem o filme eu quis assistir, mas pela sua resenha fiquei com uma certa pontinha de curiosidade de conferir.
    Beijos

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