11 outubro 2019

Resenha: Ubik


O Planeta Terra está em futuro bastante avançado e o ser humano evolui a ponto de desenvolver poderes psíquicos extremamente perigosos para o governo ou empresas de grande porte. Esses humanos são chamados de Precogs (quando podem prever o futuro) ou Telepatas (quando podem ler mentes). Para manter o equilíbrio, entretanto, a evolução fez com que determinados seres humanos evoluíssem com poderes cuja habilidade está em bloquear esses outros poderes. Para cada tipo de poder existe um tipo de bloqueador.

Glen Runciter é dono de uma empresa que contrata bloqueadores para outras empresas ou pessoal da classe alta que se sinta ameaçado. Mas de uma hora para outra percebe que seus funcionários estão desaparecendo. A solução está em consultar sua esposa, que faleceu há muito tempo, mas tem a consciência arquivada através de um sistema de congelamento e preservação em estado de meia-vida, em lugares chamados de moratórios, e pode ser consultada por pequenos períodos de tempo.

Mas as coisas começam a sair do eixo. 


Quando ele recebe uma missão para a Lua e leva os seus melhores homens (tem mulher também), alguma coisa sai do script e ele percebe que caiu em uma armadilha, protagonizada pelo dono de uma empresa concorrente, ao mesmo tempo em que a consciência de sua esposa começa a ser “hackeada” por outra consciência mais poderosa, que vive de se alimentar de outras consciências.

A partir de então, os sobreviventes da armadilha passam a viver uma verdadeira (e literal) corrida contra o tempo (só lendo o livro para entender isso, gente, ok?), para salvarem as próprias vidas e a do seu chefe. 

Pausa: 
Esse livro é um daqueles em que é impossível fazer um resumo mais completo sem lançar alguns spoilers. Sendo assim, prefiro instigar a curiosidade do leitor a divulgar por aqui passagens que podem ser consideradas como tais, pois esse livro realmente merece ser lido.


Voltando: 
“Ubik” entra para o topo dos melhores livros de Philip Dick. Ele explora e extrapola os limites entre a realidade e o fantástico de uma forma mind-fuck bem conhecida. Dono de uma acidez que pode ser encontrada em todos os livros, Dick expõe um futuro (observando sempre a de publicação do livro) de uma sociedade capitalista cujo destino do consumo está em pagar pela torrada que come, pelo banho que toma ou pela porta que é aberta (tudo em sua própria casa); sendo motivo de vexame causado pelo próprio sistema, caso não tenha dinheiro para pagá-lo.

Acompanhando o sistema linguísticos de sua literatura, Philip Dick mantém um estilo narrativo simples, mas ao mesmo tempo inteligente, cuja preocupação está em manter a coerência da história tendo em vista a dificuldade da criação de “Ubik”, uma vez que a obra está sempre flertando com coisas irreais, mas levantando questionamentos puramente filosóficos que encontramos em qualquer sociedade.

A criação dos personagens não passa por nenhuma fábrica, e o grande número deles nos faz com que prestemos mais atenção em uns do que em outros, entretanto eles refletem a natureza dos questionamentos abordados, adotando atitudes que estão sempre explicitando a fragilidade que há na linha entre ficção e realidade (isso na história, não em termos literários).


Assim como em “O homem do Castelo Alto”, Philip Dick nos dá um tapa na cara e mostra muitas vezes só conseguimos enxergar aquilo que está na nossa frente. “Ubik” é um livro cujo final é impossível de ser previsto.

O início de cada capítulo é abordado por um anúncio publicitário de produtos destinados para todos os ramos da utilidade humana, desde produtos de limpeza, higiene a itens alimentícios. Todos eles denominados “Ubik”. O termo deriva do grego e significa “onipresente” (segundo algumas pesquisas), mas a real finalidade desses produtos só é revelada nas páginas finais. Entretanto, até lá, é impossível não levantarmos centenas de perguntas sobre o que estamos lendo. 

“Ubik” é uma obra que perdura há muito e ainda perdurará anos a fio, pois, nunca deixará de ser um tema atual. Até por isso, não é difícil perceber a influência de “Ubik” em diversas outras histórias criadas no mundo contemporâneo.

Sobre a edição: 
Uma das capas mais bonitas feitas para os livros do Dick. As páginas iniciais são ilustrações de pichações de banheiros públicos que nos dão a ideia do que vamos encontrar nas páginas. Além disso, acompanha um marcador de páginas que remete ao produto Ubik e uma transcrição que só ajuda a dar nós em nossa cabeça.

Outras fotos:



Título: Ubik (exemplar cedido pela editora)
Autor: Philip K. Dick
Editora: Aleph
Páginas: 248
Ano: 2019

3 comentários

  1. Olá! Eu adoro ficção cientifica, mas não li os autores renomados do gênero ainda. Este é um que preciso começar, mas para ser sincera eu já sei que não vou começar com Ubik. Mesmo parecendo ser um livro ótimo, e eu amo finais imprevisíveis, ele também parece ser um pouco confuso em alguns momentos. De todo o mais é ótimo que o autor tem feito obras que agrade os fãs de scifi e isso ainda nos dias atuais, onde parece que já vimos de tudo.

    Silviane, blog Memento Mori • Participe do Top Comentarista de Outubro

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  2. Uau!Que edição linda!!!
    Ainda não tinha visto esta obra do autor, por isso estou aqui encantada com o enredo exposto acima. Mesmo conhecendo pouco de suas letras, este livro parece ser realmente o mais intenso do autor.
    Ficção científica não é meu forte, admito, mas cenários assim com essa mistura de realidade, futuro e ficção, me animam e muito!!
    Com certeza, vai para a lista dos desejados!!!
    Beijo

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  3. Marcos!
    Acho esse tipo de ficção bem pertinente para nossa realidade, porque mesmo trazendo um conteúdo de possível fantasia (que nem sei se me breve não estará acontecendo mesmo, como a criogenia que já está aí), ainda traz o capitalismo, tão presente em nossa realidade e todo um questionamento sobre comportamento e decisões corretas (ou não).
    Gostei. Ainda mais por tentar burlar nossa mente e nos encaminhar para outros entendimentos diferentes do real.
    cheirinhos
    Rudy

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