26 novembro 2019

Resenha: A corrente



O dia começa como qualquer outro. Rachel Klein deixa sua filha de 13 anos no ponto para ir à escola e volta à rotina. Seria tudo normal, se algo não saísse dos trilhos e devastasse para sempre a vida daquela mãe e daquela garotinha.

Vítima
Rachel se depara com a pior notícia que poderia receber: sua filha foi sequestrada. Não há muito o que entender e assimilar sobre o assunto. É um fato incontestável que a deixa sem reação. Não sabe se ultrapassa a ligação telefônica, se aciona a polícia, se deseja vingança ou o que quer que seja… Ela só quer a sua filha de volta. E, acredite, ela precisará lutar muito pra isso.

Sequestrador
No momento da ligação, a voz de uma mulher avisa que Kylie está no banco de trás de seu carro, e que Rachel só verá a filha de novo se pagar um resgate. E não apenas isso, para ter a sua filha de volta ainda será preciso sequestrar outra criança. Rachel não sabe nada sobre quem é a outra pessoa do outro lado da linha, mas ela sabe tudo sobre Rachel. Com quem vive, o nome e a idade da Kylie, onde estuda, o que fazem da vida. Tudo. 

Criminoso
Com a filha em risco, não há alternativa a não ser fazer tudo o que é exigido. Rachel, aos olhos da lei, passa a ser uma criminosa. Afinal, no lugar dela você faria diferente? Você chamaria a polícia e arriscaria a morte de seu filho? A lógica desse jogo é justamente te fazer pensar, ou você sequestra ou perde aquela pessoa tão querida. Rachel prepara suas armas, estuda o caso e, o tempo todo, recebe ligações dessa mulher com algumas instruções. Não pode sequestrar filhos de policial, não pode ser aposentado na área policial, nada que envolva a polícia. Não pode. É necessário estudar a família antes de partir para o ataque. E Rachel faz. Precisa fazer.

Sobrevivente
Rachel e a filha sobrevivem apenas se ela conseguir sequestrar a criança e fazer com que a família dessa criança sequestre outra. Não parece fácil, pois, se os pais da pessoa que ela sequestrou fizer alguma coisa errada, Kylie ainda pode morrer. Então ela precisa lidar com o próprio sentimento e controlar o sentimento da família que está em seu poder. É um jogo, não há outro nome.


A corrente é o típico livro para você ler sem preocupações com outras coisas, pois, acredite, você é capaz de esquecer qualquer coisa quando embarca na história. Li tão rápido que precisava saber o que acontecia, como que essa corrente foi criada, como poderia ser desfeita ― se é que existisse um jeito para isso.

Você pode dizer que leu esse livro e que não gostou. Respeito. Porém, duvido você me dizer que essa história não é criativa. Fiquei o tempo inteiro indignada, refletindo como o autor teve uma ideia tão mas tão genial. O desfecho é, sim, bem previsível. Mas, convenhamos, muitos suspenses estão assim agora, até mesmo pelo excesso de histórias. Acredito que o autor poderia ter modificado o final. Porém, eu gostei tanto da criatividade dele para desenvolver uma história assim que nem me importei com a conclusão. 

Às vezes somos críticos demais com algumas coisas, por pequenos detalhes e não nos deparamos com a imensidão do que está por trás. Digo isso porque muitos não gostaram do final de Game of Thrones. Já disse isso numa resenha e repito, o fato de o final não ter agradado você, ou qualquer outra pessoa, não quer dizer que a série toda perde a sua importância, a sua essencialidade em ser vista. É uma série para aplaudir de pé, independente se o final tenha agradado. Não se baseie na história apenas pelo seu final, veja o caminho percorrido, a ideia por trás.

Pode ser que o autor tenha tido uma ideia tão boa e não tenha conseguido finalizá-la. É entendível, mas cabe a você ler e fazer uma avaliação. Deixei esse adendo porque vi muitas pessoas dando 1, 2 estrelas apenas por causa do final. Peço que não se prendam a isso, leiam e depois venham conversar comigo. 

Outra coisa que vi e PRECISO ressaltar… Algumas pessoas comentaram sobre a personalidade da Rachel, que ela foi fragilizada pelo autor, que dependia de outras pessoas para realizar o crime, que o autor deveria ter mostrado uma jornada mais ardilosa, com uma protagonista assassina. Mas, espera aí, gente! Você querer que o personagem seja uma coisa, tudo bem… No entanto, não se pode impor que ele seja assim. 


Pensemos: você conseguiria ser um assassino frio, calculista e não errar nenhum detalhe no momento do sequestro para livrar seu filho? Se você respondeu que sim a essa pergunta, parabéns! Acontece que o fato de você ser assim não quer dizer que todos sejam. A mulher ao telefone deixou que Rachel chamasse UMA pessoa para ajudá-la, mas essa mesma mulher estudou detalhes antes de liberar a ajuda e já deixou claro para a Rachel que não poderia ser o ex-marido. O motivo vocês vão entender lá na frente… Mas, enfim, existem pessoas que reagem de forma mais bruta, fria, independente. Há outras que não conseguem, que a reação é desmaiar, ou denunciar, ou simplesmente agir como Rachel, com medo em alguns momentos e em outros ela já está um pouco mais forte, lidando mais com a ideia criminosa. 

Não deixe de ler o livro porque algumas pessoas falaram isso. Acredito que você precisa ler, conhecer e ter a sua opinião. Não deixe a oportunidade passar. Já indiquei para alguns amigos e eles compraram porque falei bem. Espero que você faça o mesmo também. 

Quotes:
“Como todos eles. Vítimas e cúmplices. É isso que a Corrente faz com você. Ela te tortura e te obriga a torturar outras pessoas.” (p. 233)
“A Corrente é um método cruel de explorar o sentimento humano mais importante ― a capacidade de amar ― para ganhar dinheiro. Não iria funcionar em um mundo no qual não houvesse amor entre pais e filhos ou entre irmãos ou entre casais.” (p. 357)

Título: A corrente (exemplar cedido pela editora)
Autor: Adrian McKinty
Editora: Record
Páginas: 378
Ano: 2019

18 comentários

  1. Nat!
    Adoro thriller.
    Nossa! Uma verdadeira corrente de crimes mesmo, hein? Credo!
    Interessante a narrativa em terceira pessoa, mas no presente, um tantinho diferente.
    Bem angustiante mesmo, cheio de tensão e intenso, hein?
    Já fiquei bem interessada, ainda mais por toda temática que aborda esse lado mais instintivo do ser humano.
    Já quero.
    cheirinhos
    Rudy

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    1. Sim, Rudy.
      Inclusive você o ganhou no top comentarista. Esperamos que goste rs.

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  2. Olá!
    Eu estou bastante curiosa por esse livro, vi muita gente comentando em relação a ele. Tem uma ótima premissa e uma trama bem elaborada. Espero muito ler e saber como será o fim dessa corrente.

    Meu blog:
    Tempos Literários

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    1. Espero realmente que você leia e adore, Lily. Porque eu amei.

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  3. Este é sem sombra de dúvidas um dos livros que mais desejo desde seu lançamento recente! Amo um bom suspense e quando leio uma resenha assim, sempre me coloco no lugar dessa mãe. No medo, no desespero e fico pensando no que eu faria. Claro, é óbvio que eu iria errar em praticamente todos os momentos. Já reparou que quando estamos sob pressão tudo encaminha para o lado errado??
    Acho que o livro reflete isso. Não dá para julgar a mãe, não pode ser feito isso em hipótese alguma.
    Essa obra dividiu opiniões, mas eu prefiro acreditar numa personagem humana, como eu, simples assim!!!
    Espero de coração ler a obra!!!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor

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    1. Eu adorei o livro, Angela.
      É exatamente isso... Não adianta julgar porque somos bem diferentes e erramos muito quando estamos pressionados.

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  4. Oi Nat, eu já tinha visto esse livro por vários lugares. Inclusive minha melhor amiga ficou muito empolgada de lê-lo, mas percebeu que era em terceira pessoa e isso a incomodava. Não é um livro que me agradaria para ler, mas como você disse a ideia do autor é bastante complexa e acho incrível a criatividade em que essa história à tona. Bom, eu concordo contigo sobre o fato das pessoas quererem mudar a personalidade da personagem protagonista, mas como se o livro já foi publicado e porque tem que ser assim? Não acho legal tentar mudar a perspectiva, porque talvez esse aspecto faça o texto como um todo conversar com a história e seu desfecho, né. Adorei a observação. Bom, eu fui na Bienal do Livro do RJ, então tinha um espaço com um balanço... Eu vi que era desse livro e eu gostei tanto. Queria ter tirado uma foto, mas não consegui tempo e nem pernas. Estava muito cansada. Mas, se arrependimento matasse, eu teria tirado com toda a certeza.
    Adorei a resenha,
    Beijinhos.

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    1. Eu não liguei o fato de ser em terceira pessoa. Acredito que a ideia do livro foi muito empolgante e gostei da criatividade do autor. Nem me apeguei a isso hahahaha.
      Eu não fui para a Bienal, uma pena. Queria ter ido, certamente tiraria uma foto com o livro kkkkkkkk

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  5. Olá! Realmente o enredo do livro é bastante inovador e daqueles que com certeza vai prender o leitor, esse é um gênero que não leio muito, mas que sempre desperta meu interesse, por isso vai continuar na minha lista de desejados, mesmo com esse final um tanto previsível.

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    1. Sim, Eli. Isso foi o que mais chamou a minha atenção, por isso nem liguei para os defeitos hahahaha

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  6. Oi, Naty
    A ideia do autor sobre a forma do sequestro é bem original diferente de tudo que já vi.
    E mesmo que o final seja previsível eu quero muito poder ler em breve.
    Penso que querer mudar a personalidade de Rachel é um absurdo , temos entre nossos amigos, familiares e conhecidos muitas personalidades diferentes e temos que conviver com isso e nos livros não é diferente.
    Beijos

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    1. Leia, Lu. Acredito que você vá adorar, porque eu curti muito.
      Eu também acho exatamente isso... É a personalidade dela, cada um tem uma reação. Não tem como exigir isso.

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  7. Olá! ♡ Que premissa intrigante!
    Que corrente horrorosa! Como podem pedir para uma mãe que acaba de ter a filha sequestrada, sequestrar uma outra criança para poder ter sua filha de volta?! Como podem mandar ela fazer algo ruim com outra pessoa, sendo que o mesmo já foi feito com ela e ela sabe o quão horrível isso é?!
    Parece uma história eletrizante e que nos faz nos colocar no lugar dessa mãe e refletir sobre o que faríamos se estivéssemos no lugar dela.
    Espero fazer essa leitura em breve, estou bem curiosa para saber o desfecho dessa história.
    Beijos! ♡

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    1. Hahahaha. Essa corrente é sufoco só, Rayssa.
      A gente lê num apuro danado.
      Eu não sei o que faria no lugar dela, mas não agiria certinho todo o tempo. É impossível.

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  8. Eu achei esse livro bem eletrizante, que me fez lembrar do filme A caixa. Eu gostei bastante da resenha, claro que esse livro tem um lado negativo, mas vale a pena saber o final que estou muito curiosa.

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    1. Oi, Ana.
      Ainda não tive a oportunidade de ler, mas muita gente comenta a respeito.
      Espero que leia e adore.

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  9. Oiii ❤ Que trama original! Estou curiosa para saber com mais detalhes como funciona a corrente e o que Rachel fará para salvar Kylie, já que ter que sequestrar uma criança, é algo cruel, mesmo nesse caso.
    Não costumo ler thrillers, mas esse me deixou muito intrigada e louca para saber como tudo isso acaba.
    Preciso ler esse livro.
    Beijos ❤

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    1. Sério que não costuma ler?É um dos gêneros que mais curto.
      Espero que leia LOGO hahahaha.
      Você vai adorar.

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