Resenha: Bluebird, Bluebird

Por Marcos Ferraz •
10 fevereiro 2021

Oportuno, mas...

Darren Mathews é um importante agente da força especial Texas Rangers que foi afastado do cargo apenas por ter defendido seu território, sua residência, assim como garante a lei norte-americana. A diferença, porém, é que ele é um Texas Ranger negro, enquanto o invasor era um “cidadão” branco, que dois dias após o confronto foi encontrado morto (isso não é spoiler, acontece nas primeiras páginas). 

Quando, na cidade de Lark, o assassinato de um advogado negro, de Chicago, e o de uma menina branca local são descobertos, Darren, mesmo sem distintivo e esperando pelo julgamento, decide investigar os casos. O problema é que ele abrirá antigas feridas e fará novos machucados em si mesmo. Mexendo onde não deve, Darren baterá de frente com forças extremamente violentas de uma das mais influentes irmandades arianas do país. Correndo contra o tempo, agora ele tem que lutar pela própria vida, enquanto busca justiça pela vida de outras pessoas.

A temática de “Bluebird” é bastante sensível. O racismo exagerado e sem máscara de cidadãos norte-americanos; não só civis, mas de entidades e autoridades que juraram proteger todo e qualquer cidadão, sem distinções. Acontece que Attica Locke tem a faca e o queijo na mão, mas deixa a faca escorregar e os cortes não são muito precisos.


Não obstante ao prêmio que o livro ganhou, a história é monótona e sem ritmo. A priori somos apresentados a alguns personagens e os motivos do afastamento do personagem principal de seu serviço. Assim, já vamos também ser apresentados ao assunto que abordará o livro.

O enredo precisa de muitos flashbacks e a autora os utiliza com bastante frequência, o que acaba gerando um dos principais pontos negativos do livro, uma vez que a técnica é usada em momentos importantes e cruciais da história (que são poucos) culminando em momentos de monotonia estabelecidos através de descrições frequentes e muito minuciosas. Não há um jantar ou um almoço que não seja descrito desde o cafezinho inicial à marca do palito de dentes que eles usaram ao fim da refeição.

Como eu costumo dizer, os personagens são criados sob a fôrma do estereótipo. Cada um deles segue bem traçado o sistema para o qual foi criado. Por isso, o livro faz um apelo suave a situações diversas, inserindo, além da temática principal e predominante, reflexos daquilo que vemos e ouvimos dentro de uma sociedade; uma carga emocional elevadíssima, aflorando sobre conceitos a respeito da vontade de Deus, amores, amizades e família.


Por fim, não dá pra dizer que a obra é moldada em uma trama que prende o leitor. Apesar de sabermos que o ser humano é capaz de tudo, muitas vezes me peguei questionando “será que isso pode acontecer mesmo?”. Em todo caso, é um livro bastante oportuno, mas infelizmente jamais atingirá a mentalidade daqueles que precisam lê-lo. 


Título: Bluebird, Bluebird (exemplar cedido pela editora) 
Autora: Attica Locke
Editora: Vestígio
Páginas: 299
Ano: 2020 
Compre: aqui

Comentários via Facebook

10 Revelaram sentimentos:

  1. Marcos!
    Um tema tão importante como crimes relacionados ao racismo, poderia ser mais bem elaborado e tentar conquistar o leitor com trechos mais atrativos do que relatos minuciosos de coisas que não interessam à dinâmica do enredo.
    cheirinhos
    Rudy

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exatamente, Rudy!! Esse é o grande pecado do livro.

      Excluir
  2. Uma pena que a obra não tenha trazido o tema de verdade, em profundidade, como merecia ter sido feito. Pois lendo acima, parece que tinha tudo para ser muito bom!
    A gente pode viver várias vidas e esse tema do branco e do negro, sempre serão assuntos cotidianos, triste, muito triste!
    Eu ainda não conhecia o livro,mas admito que se tiver oportunidade, quero sim, dar uma oportunidade e ler!!!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Infelizmente ainda vemos muito disso em qualquer sociedade. E, como eu disse, é uma pena que materiais assim nunca irão atingir quem precisa ler

      Excluir
  3. A temática que o livro aborda sem dúvida nenhuma é de extrema importância e daria uma história cheia de conspiração, mistério, corrupção, verdades ocultas mas de alguma forma, a autora não soube como desenvolver....uma pena....

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exatamente! É um assunto que, misturado ao gênero do livro, daria pra fazer uma excelente história

      Excluir
  4. Acho que os livros que tratam de temas assim são essenciais para a sociedade, traz reflexão, sentimento de justiça e nos mostra o quanto o mundo é tão desigual. Entendi todas as suas críticas, a nota refletiu isso, uma pena que ele não tenha se tornado um favorito.

    ResponderExcluir
  5. Ainda nãp tinha lido nada sobre esse livro e uma pena que a autora não tenha desenvolvido um assunto tão sério com uma maior profundidade , há muito para refletirmos sobre o racismo. é uma realidade que existe em nossa sociedade ,não tem como negar isso . infelizmente .

    ResponderExcluir
  6. Oi, Marcos!
    Vixi, história monótona e sem ritmo?! Com descrições minuciosas?!... Confesso que eu fujo de livros narrados dessa maneira pois sei que sua leitura será negativa para mim... Por isso, não vou nem arriscar ler Bluebird.
    Bjos!

    ResponderExcluir
  7. Olá! Uma pena que um enredo tão interessante foi mal explorado e a história acaba se tornando não tão proveitosa assim, principalmente pela mensagem que traz. Confesso que depois da resenha dei uma desanimada em relação ao livro e uma possível leitura futura.

    ResponderExcluir

Gostou da postagem? Deixe um comentário. Se não gostou, comente também e deixe a sua opinião.
Se tiver um blog deixe o endereço e retribuiremos a visita.
Aproveite e se inscreva nas promoções e concorra a diversos prêmios.

Instagram

© Revelando Sentimentos – Tema desenvolvido com por Iunique - Temas.in