Entrevista: Gareth Hanrahan

Por Fabio Pedreira •
28 outubro 2021

Fala galera, vamos com mais uma entrevista, dessa vez com o autor de A Oração dos Miseráveis, espero que gostem.

1 - Olá, Mr. Hanrahan, poderia começar a entrevista falando um pouco mais sobre você para os leitores? Uma pequena apresentação.
R - Eu sou um escritor e designer de jogos que mora na Irlanda. Entrei na carreira de escritor em grande parte por acidente - estava trabalhando como freelancer escrevendo alguns jogos como um hobby, então, meu trabalho principal em TI evaporou quando a empresa foi reduzida, então pensei em continuar escrevendo até que minhas economias acabassem e eu tivesse que conseguir um emprego de verdade. Felizmente, continuo conseguindo desviar dessa bala.

2 - Quais foram/são suas inspirações para o livro e para começar a escrever?
R - Não houve apenas uma inspiração - é basicamente a intersecção de um monte de meus interesses e pequenas obsessões. Amo arqueologia industrial, alquimia estranha, pensar em divindades intrusivas e ativas, monstros, histórias de intriga em vários níveis, inventar cidades e tudo isso foi adicionado ao romance.

Quanto a realmente começar a escrever - estive trabalhando em jogos por muitos anos e queria tentar minha sorte na ficção. No entanto, como o romance não estava sob contrato, eu não podia me permitir gastar horas de trabalho nele, então escrevi muito dele no início da manhã.

3 - Você é programador de jogos de RPG certo? Isso teve alguma influência na sua escrita, principalmente em relação a construção do mundo e personagens?
R - Não sou um programador - embora eu tenha trabalhado um pouco para jogos de computador, 99% da minha escrita é para jogos de RPG de mesa com caneta e papel. Acho que há definitivamente uma grande influência, tanto em termos de elementos (os ghouls, por exemplo, são um empréstimo direto de Lovecraft, e eu o descobri através do rpg Call of Cthulhu; O nome de Aleena vem do antigo conjunto de D&D da caixa vermelha, e ela é efetivamente uma paladina) e as técnicas (construção de mundos e plotagem funcionam de maneiras muito semelhantes). Há outras habilidades que preciso desaprender ao alternar entre romances e jogos. A caracterização, por exemplo, funciona de maneira muito diferente nas duas mídias.

4 - Uma das minhas coisas preferidas no seu livro, são as criaturas presentes nele. De onde surgiu a inspiração para elas? Você tem alguma favorita? E podemos esperar novas criaturas nos próximos volumes?
R - Como eu disse, os ghouls e os Rastejantes são de origem lovecraftiana, embora obviamente eu os tenha adaptado para torná-los parte de uma cidade viva, em vez de apenas espreitar nas sombras. Monstros alquímicos como os Homens de Cera ou horrores como os Desfiadores - uma combinação de coisas que me assustam e tentam surgir como ameaças novas e distintas para meus pobres personagens. E sim, haverá novos monstros em volumes futuros. O livro 4 é parcialmente "trem blindado vs kaiju divino ..."

5 - Ouvi dizer que A Oração dos Miseráveis seria inicialmente um livro único, depois foi que acabou tomando proporções maiores. Essa informação procede? Pode nos dizer o que levou a expandir esse mundo incrível?
R - Eu o escrevi como um livro único com um final não completamente conclusivo e, logo em seguida, ele foi vendido como um contrato de dois livros com a possibilidade de mais. No momento, espero fazer uma série de cinco livros, mas muitas coisas estão nas mãos dos deuses da publicação - o segundo livro lançado pouco antes da pandemia não ajudou!

6 - Por enquanto, o primeiro volume foi o único livro lançado aqui. Então gostaria de saber, o que podemos esperar do segundo volume?
R - O segundo livro ocorre vários meses depois. Guerdon está começando a se recuperar dos eventos do A Oração, mas os tubarões estão circulando. Tem muito mais espionagem oculta e intriga, e menos facadas e fugas, pelo menos na primeira metade. O elenco de personagens muda um pouco - o ponto de vista principal é Eladora Thay, que era uma personagem secundária no primeiro livro. Ela agora está trabalhando para Effro Kelkin, um dos principais políticos da cidade. Ao mesmo tempo, outras facções chegam à cidade - agentes das grandes potências da Guerra dos Deuses… The Shadow Saint (ainda sem título aqui) começa um pouco mais lento do que A Oração, mas muito disso acaba deixando rastros de pólvora. A segunda metade é ... bem, muitas coisas explodem.

7 - Enquanto lia o livro, conseguia pensar em duas coisas, uma era ele sendo adaptado como uma animação, a outra, como um jogo de RPG. Você gostaria de ver seu livro ganhando vida em outras mídias?
R - Uma adaptação para RPG está definitivamente nos planos em algum momento. Eu adoraria ver outras adaptações, ou mesmo outras histórias do mundo. Muitos dos edifícios do livro são baseados em lugares aqui em Cork, Irlanda, então eu às vezes sonho com a locação de uma série de TV...

8 - Você está trabalhando em algum livro novo? Pode contar mais sobre seus futuros trabalhos?
R - Estou sempre trabalhando em alguma coisa. Os principais projetos de RPG em que estou envolvido incluem The Borellus Connection for Fall of DELTA GREEN (espiões americanos contra cultistas contrabandistas de heroína na década de 1960), The Paragon Blade (fantasia investigativa de um GM / um jogador) e material para a nova edição do RPG The One Ring, incluindo o tão aguardado guia para Moria. No lado da ficção, recentemente fiz algumas peças curtas para a Black Library e tenho dois romances em andamento no momento - o Livro 4 da série Black Iron Legacy e um projeto diferente e não anunciado.

9 - Para finalizar, poderia deixar uma mensagem para os seus leitores aqui do Brasil?
R - Espero que gostem do livro! É muito empolgante vê-lo traduzido para diferentes idiomas e alcançar novos leitores!

Comentários via Facebook

7 Revelaram sentimentos:

  1. Impossível não me lembrar da resenha bem recente do livro, além de ser da Trama(editora que eu estou fascinada pela qualidade da diagramação e a fonte sempre perfeita para minha pouca visão), é fantasia e muito, mas muito bem construída.
    Eu sou a negação disso de RPG, aliás, se for me perguntar, não saberei nem explicar o que é rs mas li ali referências sobre Lovecraft e claro que é um livro muito desejado.
    Por isso, é maravilhoso poder conhecer um pouquinho mais sobre o autor, saber que está vindo mais coisa boa pela frente!!!
    Beijo e obrigada por mais esse conhecer!!
    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na flor

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  2. Olá! Eita que eu já tinha ficado empolgada com o livro e agora com essa entrevista, eu sempre fico contente em conhecer um pouco mais sobre os autores que nos entregam tantas histórias incríveis e claro que também, saber um pouco mais sobre a história em si e como foi/é o processo para chegar até as nossas casas, quais foram as inspirações e tal e gostei de ver que a princípio um livro “único” tem tanto a nos contar ainda.

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  3. Como a maioria dos escritores, ele começou escrevendo como uma segunda opção, pois viver de escrita é bem difícil. No caso dele que bom que algo deu errado no projeto original, assim ganhamos mais um autor.
    Imagino com deve ser gostoso começar escrevendo um livro único, e pelo caminho ele tomar outra proporção e acabar abrindo caminho para outros livros.
    Espero que os demais livros da série façam sucesso.

    Danielle Medeiros de Souza
    danibsb030501@yahoo.com.br

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  4. Fábio como sempre arrasando nas entrevistas.
    Muito bom conhecer um pouco mais sobre Garreth

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  5. Olá
    Ótima entrevista Fábio
    Embora não entenda nada desse mundo RPG é interessante conhecer mais sobre a pessoa por detrás do autor.

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  6. Ele parece ser uma pessoa extremamente legal e de conversa super fácil. Confesso que agora fiquei (mais) animada para ler. Também foi muito bom conhece mais sobre ele como se envolveu com a escrita.

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  7. Fabio!
    Não conhecia o termo: arqueologia industrial...
    Achei o autor muito polivalente e hiperativo, entretanto, a criatividade parece fluir em vários frentes e acho isso sensacional.
    cheirinhos
    Rudy

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