1 - Olá, Danilo, poderia nos contar um pouco mais sobre você?
R - Tenho 38 anos, nasci no dia 26 de Março de 1982. Sou Jornalista, Cineasta com 14 filmes produzidos, que rodaram festivais nacionais e internacionais e Autor de livros, como Abecedário de Contos Recônditos e de Morte, Suprema, Trilogia do Terror hq, e Espécie de Vanguarda Androide. Sou também o criador do Festival POE de Cinema Fantástico de São Jose dos Campos-SP. Tenho um flerte próximo com o terror e o fantástico.
2 - Recentemente, fiz uma entrevista com o Marcos DeBrito, que além de escritor também é diretor, e agora coincidentemente você também faz as duas funções. Poderia nos falar então qual Danilo veio primeiro? O Danilo escritor ou o Danilo cineasta?
R - Creio que o cinema veio primeiro, mas é uma pergunta difícil, pois cinema e literatura sempre estiveram intrinsecamente ligados a minha pessoa. Sou o que se chama de autor multimídia, e sou um contador de histórias. Com três anos de idade já era um viciado em filmes, chorava a exaustão até que minha mãe cedia e me deixava assistir os filmes. Na época a censura não era tão eficiente, acabei tendo acesso a filmes como Papillon, Um Lobisomem Americano em Londres e O Exorcista, antes dos meus sete anos de idade. Minha mãe preocupada, chegou a vender um vídeo cassete duas cabeças, mas não foi o suficiente para barrar minha paixão pela sétima arte, mais especificamente o terror e o fantástico. Instintivamente fui na veia, nos clássicos, mesmo sem ter referencia alguma deles na época. Muito pequeno fazia histórias em quadrinhos, a maioria de vampiros, e aos 12 anos de idade escrevi o livro “Adega de Sangue”, na época no caderno, depois transcrevi para uma maquina de escrever, assim como vários outros livros que vieram na sequência. E como imagino minhas histórias¿ Inicialmente como um trailer de cinema, com aquela voz em off. Ou seja, sempre estiveram ligados, cinema e literatura. Tão difícil discernir, como entender o que veio antes, o ovo ou a galinha?
3 - Uma certeza é que, seja em filmes ou na literatura, o gênero predominante é o terror. Você sempre foi fã desse gênero do entretenimento? Quais são seus livros e filmes preferidos nesta categoria?
R - Sempre fui fã absoluto desse gênero. Meus livros favoritos de terror são:
1- Hellraiser- Clive Barker
2- O Retrato de Dorian Gray- Oscar Wilde
3- O Exorcista – William Peter Blatty
4- Histórias Extraordinárias – Edgar Allan Poe
5- As Ruínas – Scott Smith
Filmes (Um universo vasto, mas vamos lá)
1- Coração Satânico – Alan Parker
2- O Exorcista- William Friedklin
3- O Bebê de Rosemary- Roman Polanski
4- A Bruxa- Robert Eggers
5- Evil Dead- Sam Raimi
6- A Mosca – David Cronemberg
7- O Enigma de Outro Mundo – John Carpenter
8- Halloween – John Carpenter
9- Sexta Feira XIII (Série)
10- Suspiria – Dario Argento
4 - Recentemente, tive o prazer de ler Suprema, um livro que conta sobre bruxaria e algumas outras religiões. No fim mostra que muita pesquisa foi feita para que o livro fosse escrito. Quão importante foi essa pesquisa para a construção do seu livro?
R - A minha maior preocupação em fazer uma pesquisa para escrever Suprema, uma obra que envolve ocultismo, bruxaria, necrofagia, é fazer um terror de qualidade, mas com total respeito a todos os credos e religiões, por esse motivo deixo bem explícito na obra que independente de seus credos, é você quem define ser uma pessoa boa ou má, e que tudo nesse universo tem volta, seja para o bem, seja para o mal.
5 - Como surgiu a ideia de criar Suprema? Teve algum filme como inspiração?
R - A ideia de criar Suprema, veio da vontade de escrever uma obra minha, com a temática principal da bruxaria e que tivesse a vingança como norte da trama. Sabemos desde a obra “Conde de Monte Cristo” o poder de uma trama com vingança, e combinado a meu estilo literário que é muito imagético e fluído, estilo thriller, afinal, sou ligado no 440 volts, e com forte influencia no cinema, fez de Suprema o sucesso que está sendo, de cada 10 pessoas que leem, ao menos 9 gostam. A única critica que venho recebendo da obra é referente a velocidade das ações, prometo pisar um pouco mais no freio nas próximas, mas com o mesmo estilo, que lembra uma série de TV, com ganchos que te prendem de um capítulo a outro, uma coisa é certa, está longe de ser maçante.
6 - Aliás, Suprema termina de uma forma que deixa aberta a possibilidade de uma continuação. Poderemos ver mais da Nina no futuro?
R - 2021 promete trazer algo a mais desse universo, caso isso ocorra, será com centros de ação independentes, ou seja, não precisa ler um livro para ler o outro, mas sempre com referências e uma linha de continuidade, pode até fechar em uma trilogia.
7 - Corrija-me se eu estiver errado, mas seu estilo de escrita (pelo menos nesse livro) parece muito o estilo Pulp, focado mais na ação e em uma trama rápida. Você prefere uma leitura assim, mais rápida, ou foi o livro mesmo que pedia algo mais dinâmico?
R - Esse é meu estilo literário, são tramas rápidas, com muita ação sim, mas nem por isso pouco descritivos. Gosto de desenvolver os personagens, deixa-los redondos e mostrar suas camadas de cebola, aquilo que está no seu interior, no seu lado mais intimo e que ninguém conhece. Meus personagens não são previsíveis, não são 100 por cento bons ou maus, são falhos, são humanos. Gosto mais de descrever seus sentimentos e conflitos que a exterioridade do ambiente que vivem. São leituras rápidas, para se ler em dois ou três dias, uma proposta diferente do que seria um “Dom Quixote”, ou “Duna”, mas assim como um Escultor, cada linha é uma obra de arte, e procuro entregar o melhor. Minha literatura é forte, cruel quando preciso, as vezes te dá um soco na boca do estômago, e outras vezes te faz descer de uma montanha russa descarrilhada, tudo isso é intencional.
8 - Mas não é só terror que você escreve. Temos também E.V.A, uma ficção científica distópica, com buracos de minhocas e robôs usados para a guerra. Imagino que essa também seja uma escrita que demande bastante pesquisa. Na sua opinião, esse é um tipo de literatura mais difícil de se escrever do que o terror? Por quê?
R - Achei muito mais difícil, realmente um desafio. Imaginar o futuro, assim como foi feito em “Admirável Mundo Novo” e “1984” e “Neuromancer” e “Blade Runner”, que originalmente não tem esse título, não é uma tarefa fácil. Pesquisei muito a cidade de Brasília, que local seria mais propício para uma distopia¿ E pesquisei também sobre androides (Obvio), inteligência artificial, e usei uma linguagem mais robótica, mais fria, e essa frieza também nos personagens. O fato é que gostei, e acho que falta ficção cientifica com cenários do nosso país, e por esse motivo já tenho outro projeto de ficção científica numa linha parecida para um futuro não tão distante.
9 - Poderia nos contar sobre seus próximos trabalhos em andamento (tanto na literatura quanto no cinema)?
R - Na literatura está para sair uma trama policial com toques ufológicos, que envolve um serial killer e traz dois personagens que criei há décadas e tenho um carinho especial, o místico Senhor Psíquico e o policial David Byrne. Também tem o Almanaque Trilogia do Terror, em parceria com o ilustrador Robson Strobel, e tem um livro que traz vampirismo e licantropia para o universo urbano (Ainda não posso falar muito sobre essa obra), Já no Cinema vou retomar as gravações de dois curta metragens. O primeiro se chama “Reversão” um curta de zumbis, e o segundo é um humor negro chamado “Quadrilha das Bonecas”, bem como a retomada da V edição do Festival POE de Cinema Fantástico.
10 - E, para finalizar, que mensagem você deixaria para os leitores e fãs?
R - Todo Escritor tem um sonho, não é ser rico, embora todo mundo goste de grana rs, mas todo Escritor quer mesmo é ser lido, e é uma felicidade com cada novo leitor que a gente ganha. Nós existimos para contar histórias, e não seriamos nada se não tivesse vocês. Descobri com o tempo que não adianta se chatear com pessoas que não valorizam a literatura nacional de terror, aprendi que é preciso encontrar seu público alvo, seu nicho, e não é pequeno, as pessoas amam terror, só precisam descobrir que há terror de qualidade sim, em terras tupiniquins. Cada vez que um de vocês abre as páginas de um livro, todo o universo e atmosfera daquela história se renova, mesmo que nós escritores, já não estejamos aqui, nesse plano físico, e isso é gratificante.