Às vezes na vida simplesmente estamos no lugar errado e na hora errada. E o destino de alguns dos personagens de “Os Hospedeiros da Morte” pode se resumir a esse terrível infortúnio.
O Imperial Shopping Center é palco de um episódio claustrofóbico onde, em um dia aparentemente normal, as forças armadas decidiram que simplesmente as portas do local ficariam trancadas e bloqueadas por guardas armados até segunda ordem. Ninguém entra e ninguém sai. Também aparentemente ninguém pode saber o porquê desse fuzuê estar rolando sem aviso e as pessoas ali impedidas de irem para suas casas. Porém, lá dentro do shopping, alguns acontecimentos estranhos começam a ocorrer, por exemplo, um homem infectado sangrando até literalmente virar uma massa pegajosa no chão do banheiro. Zero pânico até aí.
Existe um ponto no livro em que as partes introdutórias de personagens - alguns desde a infância, outros com episódios mais específicos de suas vidas profissionais ou pessoais - passam a fazer sentido para o momento em que se encontram “no agora”, mais especificamente, em toda aquela algazarra no Imperial Shopping Center. É inegável o quanto as cenas dentro do shopping me deixaram imersa, essas sem dúvidas foram as minhas favoritas, junto com umas pequenas outras em que 'flashes do passado' com informações acerca do vírus nos foram entregues. Gostei muito!
Por mais que - particularmente falando - ache que algumas (muitas) páginas descritivas do passado de certos personagens (da jornalista, em especial, que vocês vão conhecer logo de início no livro) poderia ter tido um bom corte, e usado de boa parte destas páginas para narrar mais acerca do vírus e tudo mais, já que ficou até levemente maçante esses capítulos dela - ainda que de vários outros tenha sido interessante conhecer - e senti falta de mais informações sobre o vírus nessa primeira parte do livro.
Esse fato - de o livro ser bastante introdutório -, consequentemente faz com que tenha certos picos de fluidez. Há partes bastante imersivas - a maioria delas, em minha opinião, nas cenas dentro do shopping - e em contrapartida, momentos de contextualização de alguns personagens que, mesmo não sendo elas em grande parte as minhas favoritas, imagino serem necessárias - principalmente - para o 2º volume que vem aí - no qual estou mega empolgada para conhecer.
Um ponto interessante, que vale ressaltar, é que o livro não foca em um protagonista específico, muitos personagens tem devida importância ao andamento da história, o que não nos deixa “presos” a somente um ponto de vista ou foco. Na trama existem muitas lacunas a serem preenchidas ainda, especialmente a principal delas, que é a questão do vírus e dos infectados, mas vemos que a autora conseguiu abrir as portas para uma jornada de grande tensão, diga-se de passagem, e imagino vir muita coisa boa na conclusão dessa história - assim espero.
E com isso, como teremos um 2º livro, imagino que será lá que tudo começa a fazer sentido e muita treta ainda esteja vir. Estou bastante curiosa para ver que rumo essa história vai tomar.
O que fariam se ficassem presos num shopping sem nem saber o motivo?
Título: Os Hospedeiros da Morte - Contaminação
Autora: F. C. Edwin
Editora: Grupo Editorial Coerência
Páginas: 329
Ano: 2020
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