Para quem é amante da leitura, as bibliotecas sempre foram um lugar de encantos e sonhos. Há até aqueles que já quiseram morar dentro delas. Quem é nascido na década de 80, assim como eu, sabe como a biblioteca foi importante para pesquisas escolares. Hoje em dia, mesmo com toda a tecnologia e o acesso mais facilitado aos livros, elas continuam contendo o seu charme.
O livro Bibliotecas no mundo antigo conta, com muita propriedade e conhecimento, como elas surgiram e se desenvolveram. O autor, através de uma vasta pesquisa acadêmica, consegue mostrar como foi o seu início e como elas foram ganhando importância ao longo do tempo.
A primeira biblioteca colecionada de maneira sistemática no antigo Oriente foi fundada pelo rei da Assíria Assurbanípal. Ele ocupou o trono de 668 a 627 a.C. Esta biblioteca foi criada para “contemplação real” e pertencia a coleção particular do rei.
Já nessa época as bibliotecas sofriam com os mesmos problemas que temos hoje: a não devolução, a danificação das obras e a até mesmo o roubo. A estratégia usada pelos reis era escrever maldições no início do “livro” (mais precisamente rolos de papiro, pois os livros como conhecemos ainda não tinham sido inventados) para a pessoa que cometesse algum desses delitos. Outro método era escrever bênçãos para quem devolvesse o livro com zelo.
Com a chegada do Império Grego e o desenvolvimento econômico e cultural, o incentivo às artes elevaram o avanço da erudição e o desenvolvimento da leitura. A primeira biblioteca que servia ao público, a de Alexandria, foi fundada por volta de 300 a.C.
Depois, com a dominação do Império Romano, as bibliotecas foram aumentando de quantidade e o seu formato foi sendo adaptado para, mais ou menos, o que temos hoje. No Império Grego, elas eram prateleiras de pilhas de rolos de papiro com uma certa organização. A pessoa pegava um rolo e saía do recinto para ler ao ar livre, pois ela não tinha espaço para os leitores.
Já no Império Romano, as bibliotecas passaram a ter espaços para leituras e estudos. Elas eram espaçosas e muito bonitas, contendo várias esculturas. Elas também eram divididas em duas sessões, uma com escritos Gregos (que era a língua que ainda dominava) e a outra sessão com escritos em latim, a língua Romana. Elas funcionavam, provavelmente, do nascer do sol ao meio dia e atendiam a escritores, eruditos, amantes da leitura e escribas que negociavam com os comerciantes as cópias dos livros.
O crescimento do cristianismo no Império Romano contribuiu para a transição, mesmo que lenta, do rolo para o códice (que foi o precursor do livro que conhecemos hoje). O cristianismo desenvolveu também a literatura latina. Havia uma propagação de estudos dos textos da Bíblia e os monastérios foram os responsáveis por reunir em suas bibliotecas uma coleção amplamente vasta. Desses acervos encontramos a maior parte dos escritos de latim e grego que sobreviveram até os dias de hoje. Eles também foram os responsáveis por espalhar os escritos que viriam a formar as mais importantes bibliotecas da Idade Média e do Renascimento.
Eu, como uma amante de livros e de bibliotecas, gostei muito da leitura fluída do livro. Adorei conhecer um pouco da história das bibliotecas e de poder compartilhar este conhecimento com vocês. Não deixem de ler o livro que está coberto de mais detalhes e curiosidades sobre as bibliotecas no Mundo Antigo.
Sobre a edição: Livro bem escrito e bem editado. Capa bonita e em alto relevo. Folha amarela, perfeita para a leitura, com uma gramatura mais grossa. Divisão cronológica dos capítulos, repleto de ilustrações. O livro foi todo planejado, com muito cuidado e carinho, para o fácil entendimento do assunto.
Título: Bibliotecas no Mundo Antigo (exemplar cedido pela editora)
Autor: Lionel Casson
Editora: Vestígio
Páginas: 203
Ano: 2018



