Me diz aqui, vocês acreditam no karma? Pois vejam só, ele rege boa parte desse livro nacional incrível chamado “Arlequim”.
Arlequim - a personagem que mais rouba a cena - é a personificação da luxúria, não é à toa que muitos se referem a ela como “demônio”. Deixando de lado a parte literal da palavra, ela é stripper e também uma mulher sedutora e muito... muito misteriosa. Em paralelo, a vida do jovem Samuel é tão calma que beira o tédio: jovem vive sob desilusões e poesias. O que os dois tem em comum nessa fatídica história é cem por cento culpa do acaso, mais especificamente, dos amigos de Samuel que propõem uma noite diferenciada em uma boate.
“O Arlequim para mim tem significado maior. Uma alegria disfarçada de maldade, ou uma maldade disfarçada de alegria...”
A trama, ainda que +18 (alerta de gatilhos especificados em uma das fotos), não é do tipo que joga violência gratuita ou apenas para chocar o leitor. Aqui em “Arlequim” os personagens tem propósito, fazendo com que as cenas pesadas tenham explicação e de certa forma, contexto, ainda que por si só representem um ato de maldade humana. Esse aspecto torna a leitura ainda mais rica, pois foge completamente daquele estilo narrativo que apenas quer causar incômodo, sem sentido.
É sem dúvidas uma leitura para ser feita em momento onde não haja fragilidade por parte do leitor a assuntos mais delicados, com violência e abusos físicos e mentais. A trama é muito intensa, e o autor consegue mesclar essa atmosfera sombria com momentos bastante emocionantes e até mesmo romance. Mas vale ressaltar que aquele clima de vingança persiste em boa dose durante as páginas. Suspense/terror psicológico de qualidade!
Quem gosta de livros que citam músicas durante a narrativa, eis mais um detalhe bastante especial de “Arlequim”. Vários personagens estão sempre falando de músicas que gostam, ou que estão ouvindo, e é um detalhe muito interessante, pois faz com que o livro tenha uma trilha sonora própria, por assim dizer. Se você, assim como eu, ama ler ouvindo música, esse é um detalhe e tanto para uma boa imersão na trama.
O livro possui personagens muito bem construídos e com personalidades marcantes. A trama envolve do início ao fim, fazendo com que seja muito rápida e instigante, somada a capítulos curtos e com um texto muito fluido, que mesmo entregando uma história “cotidiana”, por assim dizer, prende e surpreende o leitor. E a cereja do bolo: quem gosta de plot twist no final, segura o forninho porque o de “Arlequim” é de arrepiar.
É sempre um prazer conhecer histórias nacionais com grande potencial. Me surpreendi com “Arlequim”, que de início parecia não ter nada de pesado ou chocante, mas que conforme os capítulos vão passando, percebi que o buraco sempre é mais embaixo.
Recomendo demais para quem gosta de livros de suspense/terror psicológico com uma vibe ‘maldade humana’, sem cunho sobrenatural, e, mesmo com algumas cenas tensas, a história ainda consegue emocionar em outras.
Título: Arlequim (exemplar cedido pelo autor)
Autor: Dark Gero
Editora: Plus
Páginas: 297
Ano: 2020
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