Livro


Delicadamente, após despir-se e tomar seu banho, Nicolly sentou no tapete de seu quarto, ainda de roupão. Com uma faca na mão, olhou ao seu redor e procurou se havia alguém que pudesse impedi-la. Então fechou a porta e voltou-se a sentar. Esticou seu braço direito e começou a esfregar aquele objeto frio em seu pulso e assim o fez com a mesma intensidade no outro. Lágrimas deslizavam de seus olhos, podia sentir a dor competindo com a enxurrada de sangue que escorria de seus braços, percorria as linhas de seu roupão e inundava o tapete de persa. A tristeza era notória. Sentia o desgosto de viver. Um inocente fora morto por sua causa, então decidiu que pagaria a sua dívida dando sua própria vida. Não haveria mais razões para continuar se enganando. Pensou em seus momentos felizes, em suas tristezas e então desmaiou com a grande perda de sangue.









Quer a continuação? Leia o livro.... (rsrsrs). Pauta para o blogueando. Tema: Apenas o primeiro capítulo. 

Corpos separados. Corações unidos


Com as malas prontas, desci as escadas. A cada passo que dava, um pedaço de mim era jogado pelos degraus, completando minha chegada até ele, porém,  somente com os resquícios de uma alma sofrida.
Eu tinha que partir porque meus pais estavam se mudando e nada os fariam ficar ou, ao menos, me deixarem ficar.
As lágrimas, prontas, começaram a surgir, borrando toda a maquiagem que havia passado para evitar mostrar o inchaço dos meus olhos. Eu queria ficar, porque parte da minha vida estava ali, a minha frente, mas não tive alternativas.
Um beijo longo e caprichado foi dado. Axels beijou-me com a alma e pude sentir sua dor em cada movimento que ele fazia. Pela primeira vez o vi chorar. Desmoronou-se em lágrimas e as nossas foram encontradas, enquanto a face dele roçava na minha.
- Nossos momentos estarão presentes em minhas lembranças. Não me deixe aqui sem notícias suas – ele falava, gaguejando e soluçando, enquanto seus olhos eram escondidos pelas gotas amargas da tristeza constante que se petrificava em sua face.
-
Por onde quer que eu vá vou te levar para sempre. O que passamos está aqui – eu falava, colocando a mão em meu peito – e nada, nem o maior vendaval será capaz de varrer as lembranças que tivemos. Meu corpo encontrou a verdadeira vida quando encontrou a sua alma e, sem ela, voltarei ao poço da solidão e da vida inerte que tive. Você é a diferença que me completa! É por isso que te levo aqui no meu coração, aonde quer que eu vá, e voltarei para viver ao seu lado para sempre.
Um fio de riso foi visto nos lábios de Axels e mais um beijo foi dado, dessa vez mais intenso, querendo arrancar-me os lábios para senti-los durante a minha ausência.
- Eu te levo... Te levo aqui comigo, mas voltarei para deixar de ser a pobre mortal que me torno sem a sua presença constante ao meu lado.


Natalia Araújo - 17/06 - 00h59.Texto escrito para o Bloínquês - Tema: Em itálico.

À solidão

Grande tormento que me assolas... Teus artefatos não passam de uma mera fantasia para a minha tristeza.
O sonho que tenho vai além de uma utopia constante de uma felicidade eterna, somente com a tua ausência. Que seja com a tua presença também, mas não tão frequente como assim o é.
Tu és minha companheira de todos os dias, de todas as ocasiões, das reflexões e principalmente daqueles momentos que ficam depois das despedidas entre as pessoas.
Os olhares íntimos e internos que ninguém tem a capacidade de enxergar em mim, você consegue captar.
Refugio-me em ti, com meu silêncio contínuo, e me embriago com a bebida das consequências que tua presença me causa.
Um dia você vai, mas sempre resolve voltar, nem que seja apenas para dormir comigo ou trazer-me inspiração para escrever.

Tua companhia não é o mesmo que uma respiração ou doces palavras ao pé do ouvido.
Por isso peço-te que me deixes. Deixe-me por um tempo e não queira voltar. Não tenha pressa para ter a minha presença novamente. Volte quando eu quiser escrever ou quiser chorar ao seu lado. Mas não me procure, deixe que eu te chame.

Enviaria um beijo a você, mas não tens um rosto para que pudesse sentir.
Desejaria paz em seu coração, mas não tens um. Existe apenas um grande vácuo no lugar dele.
Então despeço-me pedindo que fuja para bem longe. Não queira habitar em mim enquanto tiver pessoas ao meu redor.
A minha dor, quando estou com você, é pior do que um doce tormento.
Procure alguém que te queira. Eu não!
Amo-te? Não, não... Apenas aprecio alguns instantes ao seu lado: quando estou a observar a vida. Mas enquanto vivo-a, prefiro amar a doce companhia de pessoas e ser feliz, sem sentir o gosto amargo das intempéries que você me causa.

Para você, solidão...
Que consome minha vida destruindo os resquícios da minha alma.


Ele não morreu!

Levantei, ainda sonolenta. Enquanto bocejava, tateei a fechadura da porta. Fui até o banheiro, tomei um banho e desci as escadas para tomar o café matinal.
Bob sempre ficava ali na sala, parado, observando os movimentos e com o jornal preso em sua arcada dentária e entregar somente para mim. Tomei-o em minhas mãos e logo no início estava estampado a seguinte frase: "Ele não morreu!"
Ansiosa para saber de fato sobre a informação: sentei no sofá e no mesmo instante em que lia, a notícia arrepiou a epiderme, mudou todo o sistema estomacal e o susto invadiu-me totalmente.
Abri então na página que esclarecia a notícia e lá informava exatamente assim:


"Ele não morreu!
Foi confirmado na noite desse último sábado que Michael Jackson não morreu.
Na foto, ao lado, mostra o cantor com seus dois filhos: Paris e Prince. Eles foram vistos saindo do seu carro e entrando no famoso shopping de Nova York, em Manhattan.
Estima-se que Michael Jackson inventou sua morte porque estava com problemas graves de saúde e não queria cancelar ou adiar os shows informando aos fãs de uma possível doença, estava envergonhado com toda situação.
Ele foi detido, por fingir-se de morto, e teve que pagar fiança de US$750.000,00.
Cansado de se esconder das câmeras e da sociedade, Jackson resolveu se 'entregar' e, para alegria dos fãs, ele voltará a fazer shows e sua próxima turnê será no Brasil, passando um mês, seguidos de mais dez dias de descanso no país, para visitar os pontos mais frequentados pelos turistas.
Os fãs, desesperados e assustados com a atitude do cantor, resolveram perdoar sua ideia 'maluca' e irão prestigiá-los para ver novamente os shows que ele fará pelo mundo.
Agora recuperado e cheio de saúde."

Saí correndo da sala e fui mostrar para todos de casa. Nós "éramos" fãs dele e agora tudo estava parecendo um sonho. As intempéries que vivi naquele dia da sua "última" turnê, foi esquecida e agora só existia a esperança ressurgindo de vê-lo brilhar nos palcos, pelo menos uma vez eu teria essa chance.

1º lugar - Blorkutando *-*

Duas almas feridas

Sentados conversando na beira do mar, Patrick olha profundamente para Amy, mudando de assunto e diz:
- Preciso te falar uma coisa, querida. - falou Patrick, no mesmo instante em que arrumava a blusa em Amy, que estava caída pelos ombros.
Os olhos daquela menina devoravam os dele, procurando descobrir o que ele tanto precisava dizer.
A ausência da conversa tomou conta do lugar e só podia se ouvir o som das ondas, cantando uma melodia para a revelação que seria apresentada.

O vento conduzia os cabelos de Amy para perto dos braços de Patrick e ele afagava-os, enquanto refletia sobre o que precisava revelar para uma garota tão nova e sem entendimento das coisas da vida.
- Diga, estou curiosa!
- É difícil de dizer, querida.
- Ora, papai, então por que começou?
- Calma, filha! O que eu tenho para te dizer é muito sério e desse dia em diante não serei mais o mesmo.
- Pode começar, papai! "Tô" aqui para te ouvir.
- Te trouxe aqui porque é o seu lugar preferido para conversar e quando você era bem pequenina, sempre te trazia aqui e a gente ficava pegando as conchas do mar. Sempre sentávamos bem aqui, onde estamos, e, no final da tarde, começávamos a contar quantas pegamos.
- Eu me lembro, papai. Você corria atrás de mim, juntos caíamos na areia e você fazia cócegas até que eu devolvesse as conchas que peguei das suas mãos - ela falava, complementando com um sorriso afável.
- Isso mesmo, querida. Minha vida se resume nesses momentos com você.
- Agora diga, papai.
- Você sabe como eu e sua mãe estamos, não sabe? Pois então... Os momentos que passamos juntos já não existem mais. A aliança entre eu e sua mãe foi rompida pela intempérie que passamos. Nós estamos nos separando.
- Não, papai. Nãããão...!
As lágrimas foram transparecendo e o desespero era notório, naquela pequena face. Grossas lágrimas caíram dos seus olhos, enquanto engasgada, dizia:
- E nós, papai? E nossos momentos? Não quero ficar longe de você, mas eu amo a mamãe.
- Minha vida se resume no que eu passei com você, filha.
- Mas não, não papai! Não quero que nossas vidas sejam cortadas.
- E não será, filha. Não será! Só estou saindo de casa, mas você poderá me ver quando quiser.
Os braços finos e frágeis foram protegidos pelos grandes e acolhedores de seu pai. Os soluços foram ouvidos e as lágrimas secadas pelas mãos fortes e firmes.
Ele pegou-a no colo e pôde sentir o medo e a tristeza através do batimento cardíaco da sua filha que ele, por instantes, precisava renunciar para não ter que viver no desgosto de uma pessoa que não tinha amor dentro de si.
Patrick levantou e com a filha ainda no colo, aproximou-se do mar querendo que as águas cristalinas molhassem seus pés e limpasse sua alma ferida.

Naty - 08/06.



Marcas eternas


Um amor pode substituir o outro,
mas nada é capaz de apagar
a dor que a anterior nos causou.

O cerne da amizade

A distância pode tanto piorar, quanto melhorar uma amizade; depende de cada um. Pode fazer com que se esqueça uma pessoa, quanto fazer com que o amor aumente; pode fazer com que a saudade nos mate e o desejo de estar perto sufoque. Cada um leva essa situação para um lado e com a intensidade que é petrificada no peito. A relação à distância pode não ter a mesma força do que aquela em que os olhares são trocados, os sorrisos são apreciados, as mãos são tocadas e o abraço chega a aquecer-nos a alma. Mas com a mesma força que ela nasceu, ela é capaz de permanecer porque as lembranças dos momentos vividos, juntos, unidos numa só ligação, não são apagadas da memória utilizando apenas a tecla “delete” do nosso consciente.
Alguns banalizam a relação entre amigos e acham que conhecidos já são pessoas para trocarem confidências e é aí, que às vezes, surge a decepção e alguns ousam dizer que amizade não “presta” ou não existe; mas esquecem de observar como agiram antecipadamente ao revelar os segredos.
A busca constante por uma palavra de carinho e um ombro de consolo está sendo o alvo de muitos. É assim que acaba surgindo as tais “amizades supérfluas”.
Os amigos antigos se mudam, se distanciam da presença física, mas às vezes permanecem em contato por outros meios; só que nem sempre abastece a necessidade do calor humano. Então alguns optam pela busca incessante por um “desconhecido” chamando-o de amigo e recebendo um amor irreal, acreditando que pode ser sincero. Acabam sendo “vítimas” de uma traição e têm sua vida publicada pela sociedade afora, com segredos jamais revelados.
A verdadeira amizade une vidas e, às vezes, separa corpos; mas a que une, com certeza é maior do que aquela que a distância tenta separar.

1º lugar - Blogueando *-*

Superando a barreira da timidez

Ela estava ali, na escada, contemplando aquele garoto que passava entre as pessoas, meio cabisbaixo e reflexivo.
Estava vindo em sua direção para entrar na sala de aula. Ergueu seu olhar e deparou com os dela, fixos, ao vagar por uma vasta dimensão naquele par de olhos verdes, mas pouco transmissor de ideias.
A pouca comunicação durou longos instantes. Ele, novamente, abaixou sua cabeça, colocando o dorso de sua mão no rosto, envergonhado e prosseguiu seus passos.
Há tantos meses ela estava ali, procurando um só motivo que o fizesse chegar nele, mas a vergonha, por ambos os lados, impedira tal ação.
Vermelha de vergonha, ela se aproximou dele e disse:
- Ei, você deixou cair isto aqui!
- Obrigado, mas acho que não é meu.
- É sim. Eu vi caindo do seu caderno enquanto passava por mim.
Ele pegou o papel em suas mãos e agradeceu.
Ela continuou lá, ainda parada, esperando que ele voltasse; achando que, por uma razão ou outra, aqueles passos voltariam em direção ao dela.

Ao desdobrar o papel, Taylor leu as palavras daquela garota que o admirava de longe.
Sem saber qual atitude tomar, ele olhou para trás e pôde notá-la fitando-o detalhadamente.
Envergonhado, ele não foi até ela, sentou-se na cantina da faculdade e voltou a ler aquelas palavras que penetraram seu ego; mas não foi o suficiente para inibir sua timidez.

Desconsolada ela partiu e enquanto virava as costas para descer as escadas... outra garota surgiu. Agora sentou-se na frente de Taylor e começou a conversar, tentando chamar a atenção dele. Mas dessa vez foi a vontade dele de querer partir e ir atrás da dona do bilhete, que moveu seu coração.
Ele assim o fez. Deixou-a lá e sem barreiras, sem medo, enfrentando sua vergonha, foi atrás da garota, tendo uma grande parte do seu interior sendo coberta pela timidez, mas não deixou que ela impedisse a sua felicidade.

Natalia Araújo, 03/06 - 12h57