06 novembro 2019

Resenha: As três partes de Grace


O que você faria se descobrisse que tem dois irmãos? E se você, mulher, descobrisse que está grávida e que o rapaz, junto com os pais dele, não querem assumir aquele filho? E você, adolescente, o que faria se sua namoradinha engravidasse?

E o livro começa assim… Cheio de perguntas, cheio de motivos para uma carga emocional do início ao fim. Grace precisa enfrentar a barra de entregar a sua filha para adoção porque o desgraçado do namoradinho não quis assumir. Os pais adotivos dela fariam o quê? Assumiriam uma criança com outra? É o que uma família normal faria, a meu ver, mas não é isso que acontece.

Ela decide entregar porque lhe parece a decisão mais fácil. Grace se preocupa em procurar um lar que a família cuide bem da bebê. Essa é a parte que não tem como prever, mas só há uma opção: arriscar. Podíamos acreditar que essa emoção seria suficiente na vida da protagonista, mas não… Descobrimos junto com a adolescente que há dois irmãos por aí.


Maya e Joaquin são irmãos de Grace. Ela foi adotada por uma família de ruivos e tem uma irmã, filha biológica dos pais adotivos; ele é o mais velho dos três e nunca conseguiu ser adotado. Atualmente, apenas vive com uma família acolhedora que tem vontade de fazer a adoção, porém, ele está prestes a completar dezoito anos e não sabe se deve mesmo acreditar que o destino está lhe dando chances de ser filho de alguém.

E é assim que temos a história. Não tinha a pretensão de lê-la e não imaginei que tivesse uma carga emocional dessa forma. Grace é fofa, mas carrega um sofrimento no peito; Maya parece revoltada, pois não é tão querida quanto a sua irmã Lauren; Joaquin é o personagem que a gente tem muita compaixão durante a leitura, pela sua idade, pela cor da sua pele e pelo seu instinto protetor, que parecia que estava vendo partes do filme “Um sonho possível”. Parecia que estava vendo Michael Oher em Joaquin, com um jeito doce e acolhedor, mas que é rejeitado pela sua personalidade.

No decorrer da história, somos apresentados aos três de forma separadas e, posteriormente, como será o encontro deles e a maneira como Joaquin lida com tudo isso é um pouco triste, porém, já era de se esperar. Não é fácil ser a vida toda rejeitado e do nada encontrar pessoas dispostas a demonstrar carinho e amor.


Em muitas partes da leitura me peguei pensando em mim e na minha relação familiar. Muitas vezes as pessoas não são gratas pela família que tem, mas há aquelas que sonham em ter um pai, uma mãe ou um irmão. Nunca quis ter uma irmã, mas sempre me peguei pensando em ter um irmão e como essa situação seria no dia a dia. A carga de ser filha única e não ser criada com pai não é fácil; alguns poderiam até julgar e subjugar que seria mimada e rodeada do que quero. Porém, não é bem assim. Na verdade, não é nada assim. Pode ser que alguns filhos únicos tenham esse mimo excessivo, sim, mas há exceções. E das grandes exceções. 

O livro pode não agradar a todos. E confesso que toda a carga trazida pode te proporcionar uma baita de uma ressaca literária. Não é uma obra que estava esperando, não é o tipo de livro que costumo ler. Existem falhas na estrutura que facilmente passam despercebidas se você mergulhar na história e se vestir dos personagens. 

Este livro nos ensina que nenhuma família é perfeita. Na verdade, nem precisaria dele para saber isso, mas vemos na prática o quanto a aparência é uma ferramenta fortíssima usada pelos familiares, principalmente nos dias atuais. Uma foto no Instagram, o perfil do Whatsapp, uma mensagem alegre logo pela manhã não são sinônimos de vida feliz, família perfeita e objetivos conquistados. Às vezes, quem passa despercebido é muito mais feliz do que aquele que vive na fama.



Título: As três partes de Grace (prova antecipada cedida pela editora)
Autora: Robin Benway
Editora: Galera Record
Páginas: 322
Ano: 2019

6 comentários

  1. Estou maluca para ler este livro. Acredito que seja o tipo de leitura que irá me agradar e muito. Já que dramas familiares sempre me remetem a realidade e isso me anima e sim, me entristece também..rs
    Nenhuma família é perfeita e ao mesmo tempo, são todas perfeitas pois são famílias, simples assim!
    Três Partes de Grace traz histórias pesadas, tristes, mas também dessa realidade que assola a vida aqui fora.
    Penso eu, que irei me emocionar demais e mesmo com essas falhas citadas, já quero demais essa obra na minha mão!!!!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor

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  2. Olá! Já passei por esse livro algumas vezes e ainda não tinha dado muito atenção, mas agora sabendo um pouco mais sobre a história e do quanto ela é emocionante e reflexiva, a necessidade em conferir todos os acontecimentos desse enredo é enorme, eu não consigo imaginar quantos dilemas, dificuldades, dor e tristeza esses personagens passaram, tenho certeza que essa será uma daquelas leituras que eu vou continuar pensando por um longo tempo.

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  3. Naty!
    Gosto de livros com dramas familiares, ainda mais quando abordam o tema adoção. Tenho uma irmã adotada que é a mais querida de todas, mas sinto que ela não se sente completa por não saber o que aconteceu para a mãe entregá-la para adoção... enfim, gostaria de acompanhar a saga dessa família e seus motivos.
    Quanto a questão da gravidez, não critico uma garota de 16 anos sem condições de criar um filho, o entregar para adoção, acredito até que tenha muito amor por causa disso, pois está proporcionando a criança, uma oportunidade de uma vida melhor que ela não poderia dar.
    cheirinhos
    Rudy

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  4. Olá, Natalia
    Essa é a segunda resenha que leio desse livro, e só aumento minha vontade de ler ele.
    Parecer ser bem emocionante, e pesado.
    Por mais que a gente saiba que exite histórias muito lindas de pessoas que foram adotadas, também existem histórias tristes, de pessoas que não se sentiram acolhidas ou não conseguiram ser adotadas por uma boa família :/

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  5. Natalia,
    Parece mesmo uma história cheia de reviravoltas, fiquei até confusa sobre a proposta da autora, mas acho que consegui compreender. Adorei o fato do livro ser contado da perspectiva de cada um, assim podemos sentir, de fato, como cada um se sente frente a todos esses conflitos familiares, que eu acho que é a temática principal do livro. Acho que me arrancaria alguns questionamentos e lágrimas presas dentro dos meus olhos, ao ler a história. Esse livro é bem divulgado, não? Vejo ele em todos os lugares.
    Adorei a resenha,
    Beijinhos.

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  6. Olá!
    Uau, só de ler a resenha senti o impacto que essa leitura foi pra você. Já tinha visto bastante esse livro mas não parei para saber mais sobre ela, e agora que sei fiquei bem interessada pela leitura. Espero ler logo!

    Meu blog:
    Tempos Literários

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