Resenha: Querida Kitty

Por Luana Gobbo •
29 junho 2021
“Cerca de dez anos depois da guerra deve ser engraçado ler sobre como nós, judeus, vivemos, comemos e conversamos aqui. Ainda que eu lhe conte muito sobre nós, você sabe bem pouco sobre nossa vida.”
Anne Frank confidenciou sua ânsia por dividir determinados sentimentos com o mundo em seu diário. Aqui, Anne externaliza muitos pensamentos íntimos e também sua rotina limitada. Kitty é a figura fictícia e imaginária que ela criou e por quem escreve sobre seu dia a dia. Daí, “Querida Kitty” é como sempre começa seus escritos.

É incrível e ao mesmo tempo doloroso ver a Segunda Guerra Mundial sob a percepção de uma vítima, e a forma que Anne narra sobre tudo que está acontecendo ao seu redor, sobre como ela e sua família precisaram levar uma vida clandestina às escondidas num porão só por serem judeus é muito agoniante.


O mais impressionante é que, mesmo nesse cenário caótico, Anne expressa toda uma delicadeza nas palavras e ela sempre soa uma pessoa muito otimista e grata pela vida que tem, ainda que num ambiente perturbador de isolamento e medo. É impossível terminar essa leitura sem imaginar a grande escritora que Anne Frank poderia ter se tornado.

A edição está perfeita, tanto pela beleza e delicadeza na capa que remete perfeitamente ao clima que a obra passa, como também pela apresentação esclarecedora no início, que introduz sobre o título, quem era a tal da Kitty e muito mais. A edição também conta com várias notas de rodapé e o formato epistolar deixou ainda mais fluido.

Esse livro ensina e inspira muito sobre percepções de vida. Anne Frank estava escondida, confinada num porão, no meio de uma guerra que massacrava pessoas como ela, e mesmo assim valorizava as pequenas coisas da vida, era sempre grata pelo que tinha e possuía até um bom humor nas suas palavras. Uma leitura incrível e necessária.
“Eu só pensava que íamos ficar escondidas e estava pondo as coisas mais absurdas na pasta, mas não me arrependo, eu me importo mais com lembranças do que com vestidos.”
Título: Querida Kitty (exemplar cedido pela editora)
Autora: Anne Frank
Editora: Zahar
Páginas: 302
Ano: 2021

Comentários via Facebook

8 Revelaram sentimentos:

  1. Mais uma história inspiradora, real, comovente, de deixar o coração pequenininho.

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  2. Essa edição ta muito linda e quero muito ler!!!
    Ja li o diario de anne e mesmo que a gente ja sabe o que acontece vale muito a pena ler, anne é incrivelmente inspiradora. Um dos meus favoritos!

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  3. Olá
    Que edição linda .Ainda não li I diário de Anne Frank e esse Querida Kitty com certeza deve ser um livro que mexe com nossas emoções.
    Quero ler esse também.

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  4. Eu gosto muito de histórias sobre a segunda guerra, ensinam tanto a gente, mas ao mesmo tempo é muito doloroso, cruel. É surreal pensar que alguém se acha no direito de se sentir melhor e superior que outros. Não consigo entender isso! A edição é linda mesmo. Adorei a sua resenha!

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  5. Luana!
    Como a visão de uma criança diante da guerra pode ser tão gentil e grata, não é?
    Anne foi uma abençoada em sua ingenuidade e sua mente fértil e de certa forma, feliz em seu mundinho escondido em um porão.
    Deve ser uma leitura emocionante.
    cheirnhos
    Rudy

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  6. Fiquei tentando imaginar essa edição da Zahar por dentro. Eles arrasam demais na diagramação!
    Eu sempre falo que Anne Frank é esperança. Mesmo em meio a tanta dor, a tanta incerteza, ler O diário dela é como sentir uma doçura inesperada, uma inocência.
    E já amei trazer assim, o Querida como ela sempre iniciava seus escritos.
    Com toda certeza do mundo, já é um livro que quero demais ler!!!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na flor

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  7. Olá! Esse é um livro que eu quero muito ler, definitivamente é aquele tipo de leitura necessária, mas também capaz te de deixar aos prantos durante grande parte dela, tal como foi ler o Diário de Anne, acompanhar um pouquinho por tudo que ela e tantas outras pessoas tiveram que enfrentar e a maneira com que eles fizeram isso é tão necessário para valorizarmos o nosso hoje.

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  8. A história de Anne Frank sempre me emocionou muito, e saber desse livro foi muito, pois é mais uma parte que podemos conhecer. Sobre guerras é sempre bom agregar conhecimentos, quero muito ler esse livro e acho que vai ser emocionante.

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