Canção dos ossos

Queria ter gostado mais de uma releitura sáfica de O Fantasma da Ópera, infelizmente não aconteceu.

Quando esse livro foi anunciado, decidi que precisava lê-lo. Uma versão sáfica de uma das minhas histórias góticas favoritas? Eu necessitava lê-la. Achei que teria de comprar o livro, mas felizmente entrou no Kindle Unlimited e pude ler sem precisar gastar o dinheiro que não tenho. Ainda bem!

O livro segue um mundo onde magia existe, especialmente na música, o Conservatório Mágico de Vermília onde Elena estuda é responsável por grandes concertos e por manter o Império, existe a magia proibida: a magia dos ossos. E a mãe de Elena foi morta por se envolver com isso.

Em relação ao mundo, achei interessante a magia ligada a música, uma divisão por castas, entretanto, em relação a magia proibida, ainda que o final do livro tenha mostrado como essa magia se ligava à música. Senti que foi uma forma muito jogada em relação a tudo que foi construído ao longo do livro.

Foi como se a magia proibida não fosse diferente de nenhuma outra história sobre magias proibidas, foi bem básico: não mexa com ossos/pessoas/cadáveres/sangues. Nada muito criativo.

As personagens principais do livro são até bem construídas, especialmente Elena e Margot, duas amigas que entram em conflito quando Elena ascende a Primeira Orquestra. A relação de amor e ódio das duas amigas é um dos pontos altos de livro, sinceramente, eu poderia ter lido apenas essa história sem as outras narrativas que se desenrolaram em paralelo.

Meu problema com o livro foram dois: o final e o miolo.

O que quero dizer? Bem, se você já leu O Fantasma da Ópera sabe que Erik, o Fantasma, assombra a orquestra de Paris, seu nome é conhecido, ainda que sussurrado em segredo. Tudo acontece por causa dele, suas ações impactam tudo e, o mais importante, elas são conhecidas como o sequestro de Christine, a queda do lustre, as mortes perto das catacumbas.

Eu não esperava um copia e cola da obra de Gaston Leroux, mas o livro não tem nem mesmo essa essência.

Se me dissessem que era uma releitura de Cisne Negro, um dark academia de Clube da Luta, eu acreditaria, mas tirando a máscara que Eco (a Erk dessa versão), nada do livro me remeteu ao livro, absolutamente nada ali me lembrou uma obra gótica.

É uma fantasia sombria, um Young Adult um pouco mais Adult, mas esse livro não é gótico. Nem o Conservatório, nem as catacumbas são explorados por sua natureza claustrofóbica tanto quanto poderiam, como acontece em obras góticas, apenas em momentos pontuais.

Meu principal problema com o livro é justamente isso: momentos pontuais.

Tudo parece ocorrer apenas no momento em que a autora precise que ocorra, dependendo da vontade, mesmo que vá contra o que foi construído, a protagonista vai agir de determinada forma, assim como Margot.

Não vou falar do final para não estragar para quem procure ler o livro, mas o plot twist não me impactou, foi uma coisa jogada buscando causar um impacto que o livro não precisava, sinceramente, fiquei bem desapontada. Quando você faz um determinado livro com o marketing baseado em um outro livro, expectativas serão criadas, e as minhas não foram atendidas, achei o livro fraco e pouco imaginativo no que se propôs, como a magia dos ossos e o arco final.

Título: Canção dos Ossos
Autor: Giu Domingues
Editora: Galera Record
Páginas: 534
Ano: 2024
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Um comentário:

  1. Sempre vejo no X antigo Twitter, sorteios desse livro. Cheguei a participar mas não rolou.
    Apesar de ler pouco, tenho simpatia por Livros mais góticos.
    Canção tinha tudo para ser una super releitura mas algo desandou, não é?

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