
Alex é filho da presidenta dos EUA. Eles estão no ano da reeleição, correndo para conseguir votos e fechar mais quatro anos. Ele acredita demais na mãe e no bem que ela pode fazer pelo país. Porém, ele é jovem, e nos seus vinte e um anos, às vezes, ele faz besteiras. Uma dessas besteiras acaba trazendo o príncipe Henry junto com ele, e então ele precisa conter os rumores que eles se odeiam, apesar de ser verdade, e passar mais tempo com o príncipe. Mas esse tempo acaba mostrando pra ele que Henry é muito diferente do que aparenta, e que talvez não seja ódio o que ele sente pelo príncipe.
Essa foi minha primeira leitura do ano, e começou muito bem. Esse livro é uma fofura. Muito engraçado, com uma parte política muito interessante, com personagens bem feitos e reais. Mas não se deixe levar pela capa fofinha, esse não é um livro YA. É um romance adulto, têm muito palavrão e cenas de sexo. Os dois protagonista são adultos, e não tem papas na língua para falar nada. Fiquei surpresa com essa parte, e acho que a capa leva a outro pensamento.

Senti que a autora soube intercalar bem o romance e as outras partes importantes. Aqui vamos ver bastante política e como os jovens podem e devem se importar com isso e estar atentos às leis e políticos que governam o seu país. É abordado como as mídias sociais invadem a privacidade a um ponto alarmante, e como regras e convenções sociais afetam a vida das pessoas.
Essa última vemos bastante pelo lado do Henry. Como príncipe da Inglaterra, ele precisa seguir regras rígidas, e as pessoas sempre esperam coisas dele, mais do que de Alex. Ele está na linha de sucessão, e espera-se que ele case e forme uma família. Porém, Henry sempre se viu gay, isso está claro para ele, então ele guarda essa parte dele, e procura não pensar no que fará mais pra frente. Até Alex chegar e ele perceber que não quer mais se esconder.
Alex não tem sua sexualidade tão clara quanto Henry. E nessa parte, achei que a autora fez um belo trabalho mais uma vez, tratando isso com leveza. Como somos condicionados ao “padrão” desde sempre, Alex nunca parou para pensar, de fato, sobre essa parte dele. Mas Henry faz com que ele pense e se descubra, com o apoio da família. A relação deles é tão legal e fofa. Como ela cresce aos poucos, como a família de Alex reage, como eles aprendem um com o outro. O livro foca bastante na construção deles e suas personalidades. Alex é efusivo e muito famoso na mídia, Henry é mais calado e não é visto em nenhuma notícia.
Mas como os dois são figuras públicas, a relação deles não consegue ficar em privado durante muito tempo. Gostei dessa parte também, porque o livro nos faz pensar em porque a relação dos dois é tratada como escândalo ou precisa ser escondida, pois se ambos estivessem apaixonados por mulheres, nada disso seria necessário. O quanto pequenas coisas e detalhes são negados a eles, apenas por isso. E como eles decidem lutar, juntos, por um futuro só deles.
Amei a família do Alex, eles são maravilhosos. Senti pena de Henry e sua família conservadora, apesar de amar sua irmã. A escrita da autora é muito gostosa e fácil, e o dia a dia criado para os personagens é legal de acompanhar. Acho que o livro realmente mereceria outra capa, para mim essa é muito infantil. E também acho que ele é longo demais e se demora em situações desnecessárias. Mas nada que tire a ótima experiência que tive e o quão fofo e lindo é o livro. Tem uma parte que eles trocam e-mails, com cartas de amor, que é simplesmente perfeita. Amei demais essa leitura.
Título: Vermelho, branco e sangue azul (exemplar cedido pela editora)
Autor: Casey McQuiston
Editora: Seguinte
Páginas: 392
Ano: 2019
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